Arquitectura do Bacalhau > ensaio crítico de André Tavares e Diego Inglez de Souza - CCB 24/11

Do Texto: Qual é a arquitetura do bacalhau? É óbvio que um peixe não constrói edifícios, mas as suas características biológicas geram arquitetura.
Loja de venda de bacalhau numa rua de Lisboa.



A Dafne Editora apresenta na Garagem Sul do CCB o livro Arquitectura do Bacalhau, um ensaio crítico de André Tavares e Diego Inglez de Souza em torno da paisagem construída pelas pescas em Portugal. A apresentação estará a cargo de Mariana Pestana, arquiteta e curadora independente.

Arquitectura do Bacalhau
André Tavares e Diego Inglez de Souza

CCB . 24 novembro . 18h30 . Garagem Sul

Qual é a arquitetura do bacalhau? É óbvio que um peixe não constrói edifícios, mas as suas características biológicas geram arquitetura.

Este livro explora essa hipótese e foca-se na costa portuguesa para compreender as relações dinâmicas entre a construção em terra e a instabilidade dinâmica dos ecossistemas marinhos. Olhando para os séculos XIX e XX, num momento em que a industrialização das pescas impulsionou grandes transformações em terra e no mar, são escrutinadas as construções e territórios associados ao bacalhau, à sardinha, ao atum, à pescada, assim como ao polvo, peixe-galo e tamboril. Através de várias chaves de leitura, da biologia dos animais às tecnologias da pesca e processamento do pescado, da política às práticas de consumo, é possível compreender a que ponto os peixes deram forma à construção da paisagem e do território e, em paralelo, como essa transformação aumentou a pressão ecológica sobre o mar.

O livro está organizado em cinco capítulos, cada um deles dedicado a espécies diferentes. O bacalhau apresenta uma história alternativa à narrativa épica construída pelo Estado Novo, contrapondo as contradições políticas que geraram as formas construídas com os limites dos ecossistemas que essas políticas encontravam nos bancos de pesca da Terra Nova. A sardinha permite ler os processos de industrialização associados às conserveiras, cujo desenvolvimento tecnológico em relação à salga em barrica implicou uma maior pressão sobre as populações de sardinha na costa portuguesa, passando por Setúbal, Portimão e Matosinhos. O atum deu lugar à construção de aglomerados piscatórios mais ou menos instáveis associados às armações de pesca na costa Algarvia, povoando as areias da região com cabanas e arraiais. A pescada, nos anos de 1960, ficou associada à pesca de arrasto e à congelação que, com outras espécies menos populares, deram suporte a uma nova política de distribuição de peixe concebida a partir de Lisboa. Finalmente, o polvo, o peixe-galo e o tamboril mostram como os pescadores da Póvoa de Varzim territorializam o mar e contribuem para um equilíbrio dinâmico entre espécies.

Este livro é uma síntese da primeira etapa do projeto de investigação Fishing Architecture, que teve início em 2017 com coordenação de André Tavares. O trabalho, sediado no Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Universidade do Porto, em curso obteve um financiamento do European Research Council (ERC) de 2 milhões de euros, para o período de 2022 a 2027, por forma a expandir ao Atlântico Norte as hipóteses que este livro enuncia
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