Quanto mais frequente for o consumo de fruta, menor o risco de depressão

Do Texto: Pesquisadores sugerem que a frequência com que comemos frutas é mais importante para nossa saúde psicológica

Frutas variadas.


Desde que não coma nada em excesso, esqueça o blábláblá sobre os perigos da frutose e delicie-se com frutas.


São Paulo – Outubro/2022 - As frutas, em geral, são ricas em um tipo de açúcar chamado frutose. Algumas dietas da moda até tentam demonizar o consumo de frutas, mas isso não é o mais recomendado, segundo a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez*, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). “Geralmente, frutas inteiras são boas fontes de fibra e devem ser inseridas diariamente em um plano alimentar equilibrado, variado e o mais natural possível”, diz a médica. Agora, estudo publicado no British Journal of Nutrition, mostrou que o consumo está mesmo “liberado” ao apontar que quanto mais frequente o consumo de frutas, menor o risco de depressão.

Esse estudo entrevistou 428 adultos e analisou a relação entre o consumo de frutas, legumes, lanches doces e salgados e a saúde psicológica. “Quanto mais frequentemente as pessoas comiam frutas, menor a pontuação para depressão e maior para o bem-estar mental. As pessoas que comem frutas com frequência são mais propensas a relatar maior bem-estar mental positivo e são menos propensas a relatar sintomas de depressão do que aquelas que não comem”, diz a Dra. Marcella.

As descobertas dos pesquisadores sugerem que a frequência com que comemos frutas é mais importante para nossa saúde psicológica do que a quantidade total que consumimos durante uma semana típica. A equipe também descobriu que as pessoas que comem lanches salgados, como batatas fritas, que são pobres em nutrientes, são mais propensas a relatar maiores níveis de ansiedade. Depois de levar em consideração fatores demográficos e de estilo de vida, como idade, saúde geral e exercícios, a pesquisa descobriu que tanto frutas ricas em nutrientes quanto lanches salgados pobres em nutrientes pareciam estar ligados à saúde psicológica. Eles também descobriram que não havia associação direta entre comer vegetais e saúde psicológica.

As pessoas que frequentemente comiam alimentos salgados pobres em nutrientes (como batatas fritas) eram mais propensas a experimentar “lapsos mentais diários” (conhecidos como falhas cognitivas subjetivas) e relatar menor bem-estar mental. “Um maior número de lapsos foi associado a maiores sintomas relatados de ansiedade, estresse e depressão e menores escores de bem-estar mental”, diz a Dra. Marcella. “Os nutrientes encontrados em alimentos saudáveis trabalham para fazer com que o cérebro produza serotonina, popularmente conhecido como hormônio do bem-estar. O triptofano, aminoácido essencial para a síntese de serotonina, principal neurotransmissor relacionado ao humor e bem-estar, está presente em muitos alimentos, tanto de origem vegetal como animal, entre eles as frutas banana e abacate”, explica a médica.

Por outro lado, não houve ligação entre esses lapsos de memória diários e a ingestão de frutas e vegetais, sugerindo uma relação única entre esses lanches salgados pobres em nutrientes, lapsos mentais diários e saúde psicológica. Exemplos desses pequenos lapsos mentais diários frustrantes incluíam esquecer onde os itens foram colocados, esquecer o propósito de entrar em certas salas e ser incapaz de recuperar nomes de conhecidos cujo nome estava na 'ponta da língua'.

Outros estudos encontraram uma associação entre frutas e legumes e saúde mental, mas poucos analisaram frutas e legumes separadamente - e menos ainda avaliam a frequência e a quantidade de ingestão. "Tanto as frutas quanto os vegetais são ricos em antioxidantes, fibras e micronutrientes essenciais que promovem a função cerebral ideal, mas uma parte desses nutrientes pode ser perdida durante o cozimento. Essa é uma vantagem das frutas”, diz a médica. "É possível que mudar o que comemos seja uma maneira realmente simples e fácil de melhorar nosso bem-estar mental. No geral, definitivamente vale a pena tentar adquirir o hábito diário de escolher e consumir algo da fruteira", finaliza.


*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Além disso, é membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e da Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento. Instagram: @dra.marcellagarcez

 

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