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8/04/2019

Recordando a cimeira Nixon-Pompidou na ilha Terceira


A política já foi bem aceite, mas, nos tempos de hoje, está muito longe de corresponder ao que dela o povo almeja. Quando Richard Nixon e Georges Pompidou se reuniram na ilha Terceira para a cimeira da desvalorização do dólar, milhares de pessoas encheram as principais artérias de Angra do Heroísmo para ver passar aqueles dois personagens que eram muito badalados nos jornais e, também, junto daqueles que dispunham de televisão, coisa que era impensável nos Açores, só passando a consoladora realidade em 1975 com o aparecimento da RTP-AÇORES.


ANGRA VESTIU AS MELHORES GALAS                                             

Georges Pompidou que foi presidente na quinta república francesa, vindo a falecer em 1974. Por outro lado, Richard Nixon presidiu aos destinos dos Estados Unidos no período de 20 de janeiro de 1969 a 20 de janeiro de 1974. Na cimeira que decorreu na ilha Terceira, concretamente em Angra do Heroísmo, foi anfitrião o então primeiro ministro de Portugal, Marcelo Caetano. Escusado será dizer que Angra vestiu as melhores galas para receber os dois ilustres visitantes. Georges Pompidou ficou hospedado na Estalagem da Serreta e Richard Nixon, com toda a naturalidade, no Destacamento Americano da Base Aérea das Lajes.

NÃO DISPENSARAM A SEGURANÇA 

Numa ilha em que a pacatez sempre esteve presente (aliás, ainda hoje continua sem sobressaltos, apesar da crise que se vive), Georges Pompidou e Richard Nixon, mesmo assim não dispensaram uma segurança cautelosa. Quando se apercebeu que estava perante uma população ordeira e que os recebia de braços abertos, Richard Nixon, creio que no segundo dia, acabou por subir a Rua da Sé a pé, correspondendo, inclusivamente, aos desejos de quem pretendia um aperto de mão.

TAMBÉM ANDEI NUM CORRE-CORRE

Também fui daqueles que andou num corre-corre para acompanhar a par e passo (fora dos Salões Nobres, obviamente) os percursos percorridos pelos dois grandes estadistas. Mas, nestes retalhos da Cimeira Pompidou-Nixon, andei ali pelos lados do Relvão para ver chegar Nixon de helicóptero, seguindo depois numa limusine para o local onde estava marcada mais uma reunião, se a memória não me atraiçoa o Salão Nobre da extinta Junta Geral. Claro que tudo fiz para ultrapassar a segurança e, consequentemente, lograr um pequeno espaço do Relvão para ver bem de perto a figura de Richard Nixon. Infrutíferos os meus intentos, mas, por outro lado, e circunstancialmente, observei a saída de Nixon da aeronave que o transportou desde o Destacamento Americano da Base das Lajes e a sua entrada, de todo risonha, para a limusine, acompanhado pela sua segurança. Apesar de não ter alcançado uma maior aproximação, sei que outros o conseguiram, escondidos no meio da altíssima relva, um deles Vítor Rui Dores, hoje distinto escritor com residência no Faial. Na altura, Vítor Rui Dores, um velho amigo, oriundo da ilha Graciosa, estudava em Angra. 

PODIA TER FEITO O MESMO?

Podia ter feito o mesmo? É possível, eu que, diariamente, nos meus tempos de jovem, passava pelo Relvão para jogar à bola e, conjuntamente com outros amigos dessa inesquecível época, brincar aos polícias e ladrões. Confesso que, para o efeito, me faltou mais esperteza. Mas sempre deu para ver Nixou à-distância, quiçá uma meia-satisfação. De resto, fui um dos muitos terceirenses que se deslocou às Lajes para ver o avião supersónico Concorde que transportou Georges Pompidou. Foi, ao cabo, outro motivo de atração, para mais que se tratava do avião mais bonito do mundo, acabando a sua missão por via de uma tragédia que ocorreu em julho do ano de 2000, em Paris. Um terrível desastre onde pereceram 113 pessoas que faziam parte do flight 4590 entre Paris e Nova Iorque. Uma decolagem de Paris com muitas falhas, segundo o registo dos peritos. Foi o triste fim do Concorde. No seu historial a passagem pelas Lajes da ilha Terceira, transportando Georges Pompidou e sua comitiva.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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