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22 de fevereiro de 2018

16ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza tem dois projetos brasileiros para construção civil concebidos em madeira


Edifício Amata, projetado pelo Triptyque Architecture na cidade de São Paulo, e Moradias Infantis, dos escritórios Rosembaum e Aleph Zero, estão entre os 17 participantes selecionados para o Pavilhão Brasil no principal evento de arquitetura do mundo

São Paulo, fevereiro de 2018 – A Bienal de Arquitetura de Veneza de 2018, que acontecerá entre os dias 26 de maio e 25 de novembro no famoso parque Giardini, no Arsenale e em outros lugares da cidade italiana, contará com a apresentação de dois projetos concebidos em madeira do Brasil, o Edíficio Amata e Moradias Infantis. O Amata é o primeiro edifício brasileiro de madeira em altura, e será erguido até 2020. Já o Moradias Infantis foi erguido na zona rural de Formoso do Araguaia, a 320 quilômetros de Palmas, para servir de dormitório para crianças do projeto educacional Escola da Fazenda Canuanã, e tem assinatura dos escritórios Rosembaum e Aleph Zero.

A madeira é uma aposta para o presente e futuro. Além de natural, renovável e econômica também é resistente, durável, contemporânea e a prova de fogo – ou seja, possui todas as características para substituir os materiais poluentes utilizados na construção civil. Estruturas em madeira criam ambientes saudáveis e espaços de alta qualidade que promovem uma sensação de bem-estar.

Cada 1m³ de madeira reflorestada é capaz de absorver em média uma tonelada de CO² do ambiente, o que vem de encontro com a proposta assinada pelo Brasil durante a 21ª Conferência do Clima (COP 21), realizada em dezembro de 2015, em Paris, que promete reflorestar 12 milhões de hectares e reduzir em 43% a emissão de gases do efeito estufa até 2030. Essa é uma solução para ajudar a resolver um problema crônico da indústria da construção, que hoje é responsável pela emissão de quase metade do dióxido de carbono do mundo.

O Edifício Amata foi selecionado para a mostra “Muros de Ar”, que incluiu outros 16 projetos brasileiros selecionados pelos curadores entre 289 inscritos. Com o tema FREESPACE, a mostra “Muros de Ar” tem curadoria do coletivo de arquitetos selecionados pela Fundação Bienal de São Paulo: Gabriel Kozlowski, Laura González Fierro, Marcelo Maia Rosa e Sol Camacho e acontece no Pavilhão Brasil, no parque Giardini. O critério para a escolha dos projetos foi utilizar a arquitetura como instrumento de mediação de conflitos, transições entre os domínios públicos e privados e conexão de tecidos urbanos distintos.

Os projetos
O Edifício Amata, projeto de iniciativa da empresa Amata, é o primeiro do Brasil que será erguido em madeira estrutural e tem projeto assinado pelo Triptyque Architecture. O edifício será erguido em um terreno de 1.025 m² no bairro da Vila Madalena, com expectativa de finalização para 2020, com uma área de 4.700 m² e será construído em CLT, um produto de alta tecnologia formado com multicamadas de madeira maciça em duas diferentes direções. Com 10 andares e estrutura de madeira, pode ser comparado com uma construção tradicional em concreto, porém estima-se que sejam sequestrados 900 toneladas de CO2 da atmosfera e menor tempo de execução da obra.

O Moradias Infantis, projeto em madeira dos escritórios Rosembaum e Aleph Zero, é um internato que acolhe 800 alunos provenientes de localidades ainda mais afastadas, onde não há qualquer acesso à educação na zona rural de Formoso do Araguaia, a 320 quilômetros de Palmas para servir de dormitório para crianças do projeto educacional Escola da Fazenda Canuanã. Referência na região, formadora de muitos dos pais dos atuais estudantes, a entidade, mantida pela Fundação Bradesco, detectou uma inquietação entre professores, coordenadores e direção: faltava conforto nos grandes pavilhões onde dormiam os 540 alunos do Ensino Fundamental 2. A construção proposta em madeira permite ventilação, segurança e amplos espaços para as crianças, o que permitiu a melhora dos alunos inclusive no rendimento escolar.

Para Dario Guarita Neto, CEO da Amata, a seleção destes dois projetos comprova que “o reconhecimento de que a madeira é sim o material do século XXI e a construção de carbono positivo já é uma realidade”, afirma. O Edifício Amata e o Moradias Infatis serão apresentados na mostra “Muros de Ar”, que incluiu outros 15 projetos brasileiros selecionados pelos curadores entre 289 inscritos.

Pavilhão Brasil


A organização das representações oficias do Brasil nas Bienais de Arte e Arquitetura de Veneza é dos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores e da Fundação Bienal de São Paulo (que cuida da seleção dos curadores e produção das mostras). Além do projeto do Edifício Amata, os outros projetos selecionados são:
 
Boulevard da Liberdade - Corsi Hirano Arquitetos / São Paulo/SP

· De onde não se vê quando se está (MAC) - Pedro Varella / Gru.a Arquitetos / Niterói/RJ
· Do Plano ao Projeto: SESC Parque Dom Pedro II - Una Arquitetos / Plano Urbanístico desenvolvido por: Laboratório de Urbanismo da Metrópole- LUME da FAUUSP, Una Arquitetos, H+F Arquitetos e Metrópole Arquitetos / São Paulo/SP
· Edifício Amata - Triptyque Architecture / São Paulo/SP
· Escola sem Muros: Centro Cultural Jardim Damasceno - Tomaz Lotufo / São Paulo/SP
· Farol da Maré - Pedro Évora / Rio de Janeiro/RJ
· Instituto Brincante - Bernardes Arquitetura / São Paulo/SP 
· Moradias Infantis - Rosenbaum +  Aleph Zero / Formoso do Araguaia/TO
· Habitação estudantil UNIFESP, Campus Osasco - H+F Arquitetos / Osasco/SP
· Parque Novo Santo Amaro V - Vigliecca & Associados / São Paulo/SP
· Orla Marítima de Ilha Comprida - Boldarini Arquitetos / Ilha Comprida/SP
· Pirajussara 5 - Libeskindllovet Arquitetos / Jansana, de la Villa, de Paauw, arquitectes / São Paulo/SP
· Praça Infantil - Studio MK27 / São Paulo/SP 
· Projeto Centro Aberto - SP Urbanismo / São Paulo/SP
· Sesc Ribeirão Preto - SIAA + HASAA / Ribeirão Preto/SP
· Terreiro Oxumaré - Brasil Arquitetura / Salvador/BA
· Travessias - Sauermartins + Metropolitano Arquitetos / Belo Horizonte/BH

Sobre AMATA
A AMATA é uma empresa florestal brasileira com o propósito de manter a floresta em pé. Para isso, opera de acordo com os mais altos padrões de geração de impacto positivo no mundo e de tecnologia, como forma de valorizar o produto florestal com garantia de origem e trajetória. Suas florestas são 100% certificadas FSC. Acredita que fomentar a construção civil em madeira seja um meio sustentável de fazer valer sua missão.
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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