Uma educação fragilizadora

Adulto de 28 anos de idade não consegue se decidir por uma faculdade (1) por não saber o que quer; (2) querer algo pelo que esteja apaixonado todos os dias; (3) querer se esforçar pouco; (4) achar que não será capaz de cumprir com as exigências da faculdade; (5) ter claro que continuará sendo cuidado pelos pais mesmo que decida por nada e/ou (6) culpando a todos, menos a si, pelas indecisões, inseguranças e falta de comportamentos férteis para com a própria vida.


Por: Dr. Bayard Galvão*

Situação:
Adulto de 28 anos de idade não consegue se decidir por uma faculdade (1) por não saber o que quer; (2) querer algo pelo que esteja apaixonado todos os dias; (3) querer se esforçar pouco; (4) achar que não será capaz de cumprir com as exigências da faculdade; (5) ter claro que continuará sendo cuidado pelos pais mesmo que decida por nada e/ou (6) culpando a todos, menos a si, pelas indecisões, inseguranças e falta de comportamentos férteis para com a própria vida.

Reflexões:
Não se faz uma bomba apenas com 1 ingrediente, mas sim com uma série deles e colocados no mesmo recipiente.

Ingredientes potencialmente perigosos que facilitam a formação de um “adulto” com essas posturas:

1- Receber elogios em excesso;
2- Quase não receber críticas;
3- Ser pouco exigido;
4- Ter uma mãe ou pai que resolve (quase) todos os problemas pela própria criança, principalmente aqueles que ela poderia aprender a resolver por ela mesma e/ou já saiba;
5- Propor uma formação orientada pelo “primeiro o prazer, depois o prazer e depois o dever”;
6- Tentar motivar a criança apenas pelo prazer, sem frustrações ou castigos (sendo um dos mais eficientes apenas tirar o que a “criança” gosta, até que faça por merecer);
7- Fazer as lições com os filhos, quando o ideal seria as crianças fazerem as lições sozinhas, e apenas após tentarem elas mesmas suficientemente, pedirem ajuda aos pais, e quando os mesmos recebessem o pedido de ajuda dos filhos, que ensinem à “pescar” e não “dar o peixe”.

São inúmeras as razões comuns para essas posturas dos pais:

1- A divulgação na mídia de uma psicologia ou pedagogia que defende, de uma ou outra maneira, essas ideias;
2- Pai ou mãe com medo de não ser amado pelos filhos, sendo que para evitar isso, a coisa é fazer tudo que deixa o filho ou filha feliz agora, ou seja, fazer o que eles quiserem, facilitando "pequenas" ditaduras e ditadores, presentes e futuros;
3- Não querer se indispor com o filho ou filha por culpa de não ter tempo para ficarem juntos;
4- Tentar dar uma “educação moderna” onde as crianças são felizes o tempo inteiro;
5- A divulgação da bandeira de que “sem tesão não há solução”, quando a verdade está mais para “sem garra não há solução”;
6- Estarem cansados por terem acordado cedo, trabalhado o dia inteiro e não conseguirem ter a energia para ensinar o que seria necessário;
7- Imaturidade dos próprios pais.

Certamente, uma das comuns tarefas na vida, cada vez mais complexas, é educar filhos.

Toda educação precisaria consistir de 3 perguntas constantemente feitas e questionadas:

(a) O quê formar num filho?
(b) Como formar esse conteúdo nele?
(c) Qual o meu limite com relação à quanto eu posso influenciar o meu filho ou filha? Sabendo que esse limite se altera ao longo da vida.

Para ser um bom pai ou mãe, é preciso acertar mais do que errar; para ser muito bom, é preciso acertar muito mais do que errar; e para ser excelente, é preciso acertar mais, mas muito mais do que errar. Porém, o erro sempre existirá e a perfeição, principalmente nesse ponto, é um perigoso conto de fadas.

Resumindo:

Que a criança (1) faça por si o que souber; (2) o que não souber, mas conseguir aprender a fazer, que aprenda; e (3) aquilo que sair do poder delas, que os pais façam. Até é razoável os pais mimarem os seus filhos, fazendo o que os pequenos souberem, mas estão com preguiça. Contudo, errar no excesso de mimo tende a impedir garras de crescerem e dentes de se fortalecerem.

Um conselho:

Apesar de todo excesso ser complicado, é mais fácil pedir para alguém que está acostumado a correr, começar a caminhar, do que pedir para alguém que está acostumado a ficar deitado e receber tudo no colo, começar a correr. Então, se precisar errar pelo excesso, que seja da exigência e não pela falta dela.

*BAYARD GALVÃO é Psicólogo Clínico formado pela PUC-SP, Hipnoterapeuta, autor de cinco livros e Presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo www.hipnoterapia.com.br 

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