ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

15 de setembro de 2018

Materiais descartados viram arte em exposição no Rio de Janeiro

Exposição Histórias Extraordinárias, de Alexander Pinhel, no Centro Cultural Light, centro do Rio. A mostra reúne peças compostas por materiais descartados e resíduos (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Jornal do Brasil

Materias descartados e resíduos são a matéria-prima do artista plástico Alexandre Pinhel na exposição Histórias Extraordinárias.

Em entrevista à Agência Brasil, ele afirma que começou a transformar coisas sem utilidade em arte há cerca de 20 anos. “Coisas quebradas que as pessoas não querem mais, alguma coisa da família que foi jogada fora” se transformam, na mão do artista, em peças únicas com “uma pegada” de sustentabilidade.

O grande desafio aos visitantes é identificar o que é aquela obra, de qual matéria-prima ela é feita. Segundo ele, o material recolhido é completamente desconfigurado antes de ser trabalhado. “Eu consigo com isso um resultado estético que, normalmente, o material reciclado não consegue”.

Surpresa


A proposta da mostra é conseguir agradar o espectador, pelo caráter decorativo de muitas peças e provocar surpresa quando os visitantes desobrem qual material serviu de base àquela obra. “A graça que eu vejo é descaracterizar [o material descartado] e causar uma surpresa. As pessoas ficam mais interessadas”, disse Pinhel.

Uma das peças mais intrigantes na mostra é Oceano em Fúria. Confeccionada com sacos plásticos derretidos, a obra retrata o busto de um homem que, ao mesmo tempo, é uma onda. “E esse busto tem uma fisionomia de assustar”. Oceano é um personagem da mitologia grega, rei dos mares. “E ele está em fúria porque o oceano está cheio de plástico; e ele pretende revidar”, afirmou Alexandre Pinhel.

Arte e literatura


Exposição Histórias Extraordinárias, de Alexander Pinhel, no Centro Cultural Light, centro do Rio. A mostra reúne peças compostas por materiais descartados e resíduos (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O artista disse que o mais interessante na mostra é propiciar que o visitante, diante das figuras estranhas e dos lugares ali representados, possa escrever sobre o que aquela peça o faz lembrar ou o que vê. Formulários estão disponíveis no local com essa finalidade.

“A gente está querendo fazer uma conexão de arte com literatura. Cada peça daquelas é como se fosse um conto tridimensional. Cada visitante vai enxergar de uma maneira diferente.”

As melhores histórias ganharão troféus, que poderão ser confeccionados por Pinhel, a partir também de materiais recicláveis. As crianças também serão desafiadas a dizer o que exergam nas obras.

A exposição Histórias Extraordinárias pode ser vista no Centro Cultural Light até o dia 11 de outubro. A entrada é gratuita.

Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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