ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

5/04/2011

Alguns episódios das minhas viagens



Por: Carlos Alberto Alves
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Qualquer que seja o jornalista sente-se mais motivado quando é indicado e/ou convidado para fazer reportagens no estrangeiro. Não fui excepção à regra e devo dizer, antes de mais, que as minhas deslocações foram enriquecedoras, nomeadamente no que diz respeito às grandes reportagens. Comecei por, em 1982, estar presente na Copa do Mundo, em Espanha, seguindo a Selecção do

Brasil (Sócrates, Zico, Falcão, Júnior, para citar apenas estes) e que, infelizmente, não logrou o almejado desiderato, quedando-se pela meia-final onde perdeu com a Itália (aquele “malandro” do Paolo Rossi, marcou três) por 3-2. Na noite do jogo, melhor dizendo, após o seu termo, deparei com centenas de brasileiros chorando pelas ruas, pesando os efeitos da derrota que impossibilitou o “escrete” de chegar à tão ambicionada final. Uma noite desconsolada para os brasileiros, para nós também que torcemos pelo Brasil, interiormente, é claro, porque nos relatos que fiz, primei pela isenção, como, aliás, foi sempre meu timbre. Quando vi alguns brasileiros em Madrid, sentados no chão, derramando lágrimas, não as contive, ou seja, chorei com eles. Por outro lado, foi importante ter conhecido muita gente que emanou do país-irmão para apoiar a sua selecção, uma prática muito usual em todas as Copas do Mundo.

Aos Estados Unidos da América do Norte registo oito presenças e cinco ao Canadá. Diziam os amigos e conhecidos que eu já era um “frequentador”. Realmente, estava em casa com tantos emigrantes portugueses à minha volta. Acompanhei as equipas do Lusitânia e do Angrense, depois os veteranos do Lusitânia ao Canadá. Mas sempre aproveitei para conhecer situações (factos, casos, etc.) diferentes e trazê-las até junto do leitor, servindo de paradigma a “Cadeira Eléctrica” (toquei com a mão na parede exterior do edifício, para ter a sensação de que lá estava), edifício das Nações Unidas (lá encontrei Carlos Cruz na embaixada de Portugal com o estatuto de relações públicas), Bolsa de Nova Iorque (que belo dia a ver subir e descer as cotações, num amplíssimo auditório), para citar apenas estes exemplos. Uma sensação diferente, escrevendo aspectos interessantes, inclusive quando, no ano de 2000, acompanhei os atletas portugueses (cerca de uma vintena) que participaram na famosa corrida pedestre de Nova Iorque. Que grande evento, que grande elo de amizade entre povos de diversos países. Simplesmente, impressionante!

Numa dessas viagens aos Estados Unidos, rodeei-me de antigos futebolistas que, cada qual com o seu jeito peculiar, falaram das suas carreiras e da sua vivência (emigrantes) no país do dólar. Desenvolvi muitas reportagens, focando, nalguns casos, o reviver velhas amizades. É que parte dos meus amigos e conhecidos foram para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida.

No Canadá, verificou-se o mesmo, mas fiquei satisfeito (e, quiçá, impressionado) quando, em 1999, a televisão portuguesa (o canal 20) me aguardava no aeroporto de Toronto, representada pelo meu bom amigo Alexandre Franco, também director do “Stadium” para quem colaborei em 1991 e 1992. Importante foi, também, o directo que fiz no Canal 20, em New Bedford, USA, com Afonso Costa, jornalista do “Portuguese Times”, que já havia conhecido em 1984 num jantar, em Fall River, com o estadual Tom Norton. Cheguei nesse dia a Boston e fui directo ao Restaurante Clipper (uma hora de carro), acompanhado por Nelson Paiva, um dos grandes apoiantes que sempre contei nestas deslocações.

E que mais fiz eu? Nas Canárias, por duas vezes, nos Jogos do Atlântico, primeiro em Santa Cruz de Tenerife e, depois, em Las Palmas. Deu para comer muito peixe porque tiravam todas as espinhas. Peixe com espinhas, não é comigo.

A Europa latina foi, alternadamente, ponto de passagem, o mesmo dizendo relativamente ao parlamento europeu, em Estrasburgo, tendo, para o efeito, sido convidado pelo deputado português, Dr. Artur da Cunha Oliveira, que foi meu director quando, em 1971, entrei para o jornal “A União”. Nessa altura, Cunha de Oliveira ainda era sacerdote, o que quer dizer que, alguns anos depois, deixou de o ser, tendo inclusivamente contraído matrimónio.

As minhas relações com o general Vasco Rocha Vieira merecem aqui ser enaltecidas. Sempre apoiei Rocha Vieira aquando da sua investidura como Ministro da República. Reconheceu e, antes de partir para Macau, me agradeceu todo esse apoio. Fi-lo por inteira justiça. Mais tarde, na qualidade de governador de Macau (sucedeu ao tão polémico Melancia), fez questão que eu visitasse aquela colónia portuguesa que, mais tarde, passou para território chinês. Como tal, Rocha Vieira foi o último governador português em Macau, tendo ali desenvolvido um trabalho a todos os títulos meritório.
Pelo respeito que o momento me mereceu, passo ao lado da minha ida à Grécia, na última semana dos Jogos Olímpicos.

Conheci Immensatd, uma cidade ao sul da Baviera (Alemanha) com dezasseis mil habitantes. Convidado pelo 1860 TV Clube, e pelo meu querido amigo Carlos Borba (único português naquela zona, mas com uma obra notável), lá estive por três vezes para reportar sobre o “FESTAND” (modalidade de atletismo). Na última, tive o grato prazer de acompanhar a campeoníssima mundial da maratona e olímpica, Rosa Mota, que apadrinhou o “FESTAND”. Dias inolvidáveis com Rosa Mota que deixou em Immenstad a sua verdadeira performance: sempre alegre, sempre colaborante, e sempre carinhosa com as crianças. Mais: até se revelou uma óptima contadora de anedotas. Não me lembro se contou alguma sobre brasileiros. É possível que sim...

Nota final – E já que falei de brasileiros, ainda puxei pela memória no epílogo deste artigo. É que, em Toronto, em casa de um velho amigo, passei uma tarde inteirinha a ouvir Roberto Carlos. Esse amigo também é um incondicional fã do Rei. Bebemos e comemos até dizer basta. E, pelo Rei, fizemos uma saúde quando escutávamos o Calhambeque. Uma música mexidinha para desgastarmos a comida e a bebida. Nessa tarde, foi mesmo de ingerir avultadas doses de ”água da Escócia”. É uma “água” saborosa e que não está ao alcance de todas as bolsas.

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