Cantora portuguesa Ana Moura apresenta seu fado moderno no Rio


Fenômeno da música lusitana, ela já dividiu o palco com Rolling Stones e Prince

RIO - Atração que encerra a segunda edição carioca da Festa dos Santos Populares Portugueses, domingo, no Armazém da Utopia, a cantora Ana Moura, de 37 anos, é um fenômeno da música lusitana. Além de já ter dividido o palco com Rolling Stones e Prince, ela coleciona números admiráveis: seu quinto álbum, “Desfado” ( 2012), é o mais vendido de um artista de seu país nos últimos dez anos, enquanto o mais recente, “Moura” (2015), liderou as paradas no ano passado. O suficiente para fazer da fadista a recordista de vendas do gênero no século XXI, com mais de 1 milhão de cópias comercializadas. Aos 38 anos, Ana Moura é a 15ª artista que mais vendeu na história da música portuguesa.

Ela é comumente creditada como responsável por renovar o gênero criado nos idos do século XIX e marcado pela poesia e pelo arranjos para voz, violão e guitarra portuguesa. Em “Desfado”, produzido por Larry Klein (de trabalhos com Joni Mitchell e Herbie Hancock), a cantora resolveu, como o nome sugere, desconstruir tal formato, utilizando bateria, percussão e teclado.

A recepção positiva lhe permitiu uma liberdade criativa ainda maior. Para “Moura”, o disco em que participou mais ativamente da produção (capitaneado, mais uma vez, por Klein), a portuguesa de Santarém explorou, por exemplo, um tratamento elétrico, com pedais, para a guitarra portuguesa, plugando-a no amplificador da guitarra elétrica.

             

A embalagem pop trouxe louros, claro, mas também desconfiança: vertentes mais tradicionais questionam se a cantora ainda poderia ser rotulada como fadista.

— Minha essência enquanto intérprete é fadista e está presente em tudo o que eu faço — garante Ana, em papo por telefone. — Há muitas discussões sobre o que é ou não fado. Eu não quero estar a rotular a minha música, não é uma coisa que me interessa. Já houve época em que Amália Rodrigues (1920-1999, artista portuguesa mais popular em todos os tempos, com cerca de 30 milhões de discosvendidos) cantou letras de poetas menos populares, e disseram que não era fado. Hoje, são considerados clássicos. Vou deixar a questão para os livros.

Ana, porém, evita citar sua música como uma evolução do fado tradicional:

— É uma palavra perigosa, mas todo estilo tem uma mutação, visto que os artistas que nos influenciam vão mudando. A parte lírica, por exemplo, mudou muito no fado. É um gênero que conta histórias do nosso dia a dia. A mulher há uns anos tinha um papel muito submisso na sociedade, o que vem mudando. Hoje, as letras cantadas por mulheres fadistas são muito mais libertadoras, afirmativas.

            

Ana pode não ser tão conhecida no Brasil como é a também fadista Carminho, mas nutre relação intensa com o país: por influência do pai, cresceu escutando Chico Buarque, Caetano e Gil — com quem teve primeiro contato ao ouvi-lo na abertura de “Sítio do Pica-Pau Amarelo” — e já dividiu palco com o próprio Gil e com Criolo. Uma das faixas de “Moura” se chama “O meu amor foi para o Brasil”, e seu mais recente single, “Manto de água”, uma parceria com o rapper e produtor português Agir, nasceu de um período de descanso em Paraty.

A faixa traz um instrumental ainda mais identificado com a música pop, com bateria eletrônica e samples. O que não significa que esse será o caminho a ser seguido por Ana em um próximo trabalho.

— Adoro cruzar minha música com outros gêneros. Gostaria de trabalhar com música angolana, com o semba. Sei cantar em alguns dialetos de lá, como umbundo e quimbundo, e pretendo explorar isso um dia — revela.

 Com início nesta sexta, a Festa dos Santos Populares Portugueses receberá também shows de Alceu Valença, Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz, entre outros.

Programação - Festa dos Santos Populares Portugueses

Sexta-feira (dia 9)

17h - Abertura
19h30 - Show: Maria Alcina
20h30 - Show: Nicolas Krassik + Marcelo Caldi
22h - Show: Alceu Valença
23h30 - DJ Rúben da Cruz

Sábado, dia 10 de junho

12h - Abertura
14h30 - Workshop de culinária
15h30 - Quadrilha
17h30 - Show: Letícia Persiles + Geraldo Junior
19h30 - Show: Deixem o Pimba em Paz
21h30 - Show: Felipe Cordeiro
23h - DJ Rúben da Cruz

Domingo, dia 11 de junho

12h - Abertura
15h - Debate sobre o humor com Bruno Nogueira (PT) e Gregório Duvivier (BR)
16h - Desfile de trajes do Minho
17h30 - Show Natasha Llerena com part. Rita Dias
19h - Show Tulipa Ruiz + Marcelo Jeneci
21h - Show: Ana Moura

Onde: Armazém da Utopia — Avenida Rodrigues Alves, Armazém 6, Santo Cristo (2516-4857). Quando: Quanto: R$ 30. Classificação: Livre.

in-http://oglobo.globo.com

Licenciada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora militante do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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