Brasil é o segundo país do mundo onde há mais falta de conhecimento sobre a realidade, aponta pesquisa Ipsos


Em ranking que compara opiniões com dados de realidade em 38 países, brasileiros só estão atrás dos sul-africanos

O quanto as pessoas conhecem sobre a realidade de seus países quando o assunto é homicídio, ataques terroristas, gravidez na adolescência, vacinas, Facebook e outros temas-chave do cotidiano? Para responder a essa questão, a Ipsos entrevistou 29,1 mil pessoas em 38 países, incluindo o Brasil, entre 28 de setembro e 19 de outubro, no estudo “Os Perigos da Percepção”. As informações coletadas foram comparadas com dados de fontes oficiais resultando no ranking “Índice da Percepção Equivocada, baseado nas distorções entre opiniões e realidade. O Brasil ficou em 2º lugar, atrás apenas da África no Sul (1º) e seguido por Filipinas (3º), Peru (4º) e Índia (5º).


Apenas 7% das pessoas entrevistadas no mundo pensam que a taxa de homicídio em seu país é menor do que em 2000. No entanto, ela é significativamente menor na maioria dos países. No Brasil, a taxa atual é igual a de 2000, mas 76% dos entrevistados acreditam ser maior. Quando o assunto é ataque terrorista, apenas 19% pensam que os índices de mortes são menores do que eram 15 anos antes, mas na verdade o índice caiu na maioria dos países e, em geral, está em metade do que era. As pessoas também superestimam a proporção de imigrantes que são prisioneiros em seus países: a suposição média é de 28%, quando na verdade é apenas 15% - no Brasil o número de imigrantes corresponde a somente 0,4% da população carcerária, e não 18% como acredita a população.

"A pesquisa global Ipsos Perils of Perceptions, realizada em 38 países em 2017, evidencia um problema massivo de falta de aprofundamento das questões sociais, o que é preocupante no mundo e no Brasil que lidera o índice das percepções equivocadas com a África do Sul e as Filipinas. Este desconhecimento pode amplificar alguns temas que não são os mais importantes para o Brasil e orientar o debate eleitoral em 2018 para prioridades erradas. Sabemos que notícias negativas chamam mais a atenção do que notícias positivas e que elas são processadas de maneira diferente pelo nosso sistema cerebral, provocando -muitas vezes- um alarmismo desnecessário. O mais preocupante com os resultados desta pesquisa é que percepções erradas geram diagnósticos errados dos problemas do país e , consequentemente, soluções inadequadas”, afirma Marcos Calliari, CEO da Ipsos no Brasil.

Todos os países acreditam que a gravidez na adolescência seja mais frequente do que é na realidade, especialmente na América Latina e África do Sul. Os brasileiros foram os que mais erraram essa questão. O dado oficial é 6,7%, mas os entrevistados pensavam que fosse 48% - mesmo assim, dos 38 países presentes no estudo, a taxa de adolescentes grávidas no Brasil é a maior. Embora seja amplamente divulgado que não há ligação entre algumas vacinas e o desencadeamento de autismo em crianças saudáveis, seis em cada dez pessoas em todos os países pesquisados disseram acreditar na correlação ou não ter certeza de que ela seja falsa. Divergindo da percepção geral, o Brasil foi bem nessa questão. Por aqui, 54% afirmaram não haver relação entre as duas coisas.

Os entrevistados têm uma percepção errada sobre o quanto as pessoas estão conectadas em redes sociais. A estimativa geral de todos os países é que 75% das pessoas têm uma conta do Facebook quando apenas 46% realmente têm. Os brasileiros achavam que 83% estavam conectados na rede de Mark Zuckerberg, mas são 47%.

A pesquisa “Perigos da Percepção” foi realizada em 38 países. A metodologia de painel online da Ipsos foi utilizada na: Alemanha, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Cingapura, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha, EUA, França, Filipinas, Grã-Bretanha, Hong Kong, Hungria, Índia, Indonésia, Israel, Itália, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Polônia, Rússia, Suécia e Turquia. Holanda, Montenegro, Noruega e Sérvia utilizaram metodologia online e entrevistas pessoais. As respostas sobre percepção foram comparadas com dados de diversas fontes, que estão disponíveis em https://perils.ipsos.com/index.html .

Sobre a Ipsos
A Ipsos é uma empresa independente global na área de pesquisa de mercado presente em 88 países. A companhia tem mais de 5 mil clientes e ocupa a terceira posição na indústria de pesquisa. Maior empresa de pesquisa eleitoral do mundo, a Ipsos atua ainda nas áreas de publicidade, fidelização de clientes, marketing, mídia, opinião pública e coleta de dados. Os pesquisadores da Ipsos avaliam o potencial do mercado e interpretam as tendências. Desenvolvem e constroem marcas, ajudam os clientes a construírem relacionamento de longo prazo com seus parceiros, testam publicidade e analisam audiência, medem a opinião pública ao redor do mundo. Para mais informações, acesse: www.ipsos.com.br, www.ipsos.com, https://youtu.be/QpajPPwN4oE, https://youtu.be/EWda5jAElZ0 e https://youtu.be/2KgINZxhTAU.

Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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