Conheça a Seleção Brasileira que vai disputar a Olimpíada Internacional de Matemática, em julho


Escolhidos pelo IMPA e a SBM para representar o país na maior competição da área, seis estudantes foram apresentados nesta terça-feira no anúncio oficial do Biênio da Matemática

 
Alba Bittencourt
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A equipe que vai representar o Brasil na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, em inglês) foi apresentada na manhã desta terça-feira, durante o anúncio oficial do Biênio da Matemática Brasil 2017-2018, no Teatro do Espaço Cultural BNDES. Pela primeira vez, a IMO será disputada no Brasil, de 17 a 23 de julho, no Rio de Janeiro.

Os seis craques da Seleção Brasileira têm entre 16 e 19 anos, vêm de quatro estados (São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Pernambuco) e são multimedalhistas em competições nacionais e internacionais de Matemática. João César Campos Vargas, Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, George Lucas Diniz Alencar, André Yuji Hisatsuga, Bruno Brasil Meinhart e Davi Cavalcanti Sena serão os representantes do Brasil na IMO. Três deles já ganharam medalhas na IMO. Desta vez, todos têm o desafio inédito de participar em casa da mais destacada competição científica de Matemática no mundo.

Os estudantes foram selecionados pelo IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e pela SBM (Sociedade Brasileira de Matemática) de um grupo de 30 alunos do Ensino Médio que vem recebendo treinamento intensivo desde 2016. De 1979, quando iniciou a sua participação na IMO, até hoje, o Brasil ganhou 122 medalhas e 29 menções-honrosas. Anunciados um a um, os seis integrantes da equipe olímpica foram aplaudidos ao subir ao palco e tiveram a companhia da Aramat, a arara matemática símbolo do Biênio da Matemática.

Em sua 58º edição, a IMO acontecerá pela primeira vez no Brasil, de 17 a 23 de julho, com a organização do IMPA e da SBM. Estudantes de mais de 100 países virão ao Rio de Janeiro solucionar problemas matemáticos e trocar experiências. Em 2016, o país obteve a melhor colocação na história da competição, o 15ª lugar na pontuação por equipes, com cinco medalhas de prata e uma de bronze.

Biênio preenche lacuna entre dois mundos da Matemática, diz diretor do BNDES

O diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, afirmou que o Biênio tem como meta mostrar a importância da Matemática na vida de todos. Ele anunciou ainda uma iniciativa inédita do Brasil para reduzir barreiras ao acesso à disciplina. Por sugestão do IMPA, um troféu vai reconhecer a contribuição feminina para suas equipes na competição. “Será concedido o Troféu IMPA Meninas Olímpicas, atribuído em função da contribuição que as alunas deem para a pontuação das respectivas equipes”, disse Viana.

Diretor de Planejamento e Pesquisa do BNDES, Vinícius Carrasco – que representou o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro – afirmou que o Biênio da Matemática vem “preencher uma lacuna entre os dois mundos da Matemática no Brasil: o da formação precária de professores, dos resultados aquém do desejado e o mundo da fronteira, que é o mundo do IMPA, de abertura à competição, do recrutamento de talentos”.

Segundo o secretário de Educação Superior substituto do MEC, Mauro Luiz Rabello, “serão dois anos respirando Matemática”. “Há duas coisas que só andam juntas: aprendizagem e motivação.” Diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológica da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), Wanderley de Souza complementou que os eventos do Biênio são importantes “para mostrar à sociedade e às autoridades no Congresso e no Poder Executivo a importância da Ciência para o desenvolvimento nacional”.

A cerimônia contou ainda com a participação do presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovitch; do deputado federal Alex Canziani, autor da Lei do Biênio da Matemática Brasil 2017-2018; e do presidente da SBM, Hilário Alencar.

Ao sediar a IMO e o Congresso Internacional de Matemáticos 2018, o Brasil chama a atenção para a disciplina. As iniciativas ganharam ainda mais força com a lei do Biênio da Matemática tem o apoio dos ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e da Educação, e patrocínio do BNDES. É celebrado com uma série de ações destinadas a incentivar a popularização da matéria.Biênio, de novembro de 2016. O

Já foram realizados a Bienal da Matemática e o Festival da Matemática, que reuniu, em quatro dias, 18 mil pessoas de todas as idades no Rio e mostrou como a disciplina pode ser acessível e divertida. Ao longo do Biênio, a Matemática será ainda tema de eventos como a Semana Nacional da Ciência e Tecnologia, em outubro, e o III Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática. O ano de 2018 também será intenso, com o Congresso Internacional de Matemáticos (ICM, em inglês), o Encontro Mundial de Mulheres Matemáticas e mais uma edição do Festival da Matemática, entre outros destaques.

Confira as fotos da apresentação da seleção brasileira de Matemática para a IMO e do Biênio da Matemática: www.flickr.com/photos/impaoficial

ATLETAS DO BRASIL NA OLIMPÍADA INTERNACIONAL DE MATEMÁTICA

João César Campos Vargas

João César Campos Vargas, 19 anos, coleciona medalhas desde que, meninote ainda, participou de sua primeira Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) como aluno de escola pública da pequena Passa Tempo (MG). Heptacampeão na competição, conquistou ouro também nas duas últimas edições da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e garantiu em edições anteriores da IMO uma medalha de bronze (2015) e uma de prata (2016) para o Brasil. João César quer seguir carreira em Matemática e, este ano, foi selecionado para ir para a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Ele sonha com o ouro no Rio, mas não se diz ansioso com isso: “Essa suposta pressão geralmente se reverte em apoio. Somos muito capacitados, mas competições como a IMO premiam também quem pensa nas resoluções de forma diferente da usual.”

Pedro Henrique Sacramento de Oliveira

A emoção de ser premiado na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), o paulista Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, 17 anos, conhece muito bem. Vivenciou a experiência nos últimos dois anos, quando trouxe para o Brasil medalhas de prata. O caminho trilhado até o topo das competições de Matemática foi construído com muita dedicação e resultou em mais de 50 prêmios em torneios de conhecimento. Em 2016, além de ter integrado a equipe que garantiu ao Brasil a melhor colocação histórica na IMO – 15ª no ranking geral –, o estudante foi o primeiro lugar geral na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) 2016. Pedro deseja estudar Matemática e Informática na graduação. Sobre a IMO, diz que não ter o ouro como meta. “Prefiro continuar melhorando em vez de ter um objetivo fixo. Se colocasse isso como meu objetivo e conseguisse, acabaria qualquer motivação para a Matemática. Prefiro me desafiar.”

George Lucas Diniz Alencar

Pelo segundo ano consecutivo, o cearense George Lucas Diniz Alencar, 18 anos, vai encarar o desafio de encontrar soluções para problemas matemáticos de alto nível em uma prova da IMO. Na última edição da maior competição estudantil da área, em Hong Kong, ele ganhou um bronze. O ano de 2016 foi de muitas vitórias para o estudante. Além do ótimo desempenho na IMO, conseguiu a segunda nota em todo o país no nível 3 (alunos do Ensino Médio) da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Garantiu ainda uma medalha de prata na 31ª Olimpíada Ibero-americana de Matemática (OIM), no Chile, quando o Brasil disputou com 22 países e ficou em primeiro lugar na pontuação geral. Sobre o desafio de julho de 2017, diz: “Quero participar de mais uma IMO para dar o meu melhor de novo.”

André Yuji Hisatsuga

Estreante na mais disputada competição internacional de Matemática, o paulistano André Yuji Hisatsuga, 17 anos, dizia, na fase de treinamentos para IMO, que integrar o time brasileiro já seria uma grande realização. Sonho alcançado, agora mira em uma medalha para o Brasil. Desde que passou a se dedicar aos torneios na área, André acumula prêmios. André há quatro anos é medalhista de ouro da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), no nível 3 (Ensino Médio). Em competições internacionais, ganhou medalha de prata na Olimpíada de Matemática do Cone Sul (2015) e ouro na Olimpíada de Matemática dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa (2014). Para ele, “Olimpíadas são ambientes que inspiram o estudante”.

Bruno Brasil Meinhart

Após três anos consecutivos de medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) – ouro (2014), bronze (2015) e prata (2016) –, o cearense Bruno Brasil Meinhart, 16 anos, vai integrar a equipe olímpica do Brasil na IMO. Experiência em outras competições internacionais de Matemática ele já tem, com resultados muito positivos. Em 2016, ganhou medalha de bronze na Olimpíada Rioplatense de Matemática e, em 2015, alcançou o 5º lugar geral na Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Cabo Verde. Bruno estreou em olimpíadas do conhecimento na 5ªsérie. É um aficionado por Ciências da Computação e diz que os conhecimentos adquiridos nos torneios em Matemática serão essenciais para o bom desempenho na área.

Davi Cavalcanti Sena

O pernambucano Davi Cavalcanti Sena, 16 anos, estreou nas competições de Matemática em 2012. Fez a prova da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), despretensiosamente, sem estudar, e conseguiu uma menção honrosa. A partir de então, não parou mais de competir. Por três anos consecutivos, foi medalhista da OBM, com um ouro (2014), uma prata (2016) e um bronze (2015). Em 2013, o aluno de escola particular de Caruaru, no agreste pernambucano, ganhou uma medalha de bronze na Olimpíada Internacional de Matemática de Mayo e repetiu o feito em 2015. No ano passado, conquistou um bronze na Olimpíada Iraniana de Geometria Avançada e, este ano, trouxe um ouro na Olimpíada de Matemática da Ásia e Pacífico. Davi se vê desafiado pela criatividade das provas aplicadas nos torneios.
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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