Já falou mal do Brasil hoje?



                                                                                                                                   
Alda Jesus
Portal Splish Splash

 Alvaro Fernando*

Falar mal do Brasil virou esporte nacional. Lamentavelmente, é assunto presente em todas as rodas por todos os estados. Mais uma vez, podemos rivalizar com os argentinos, que são experts em falar mal da Argentina. E precisaremos de muito treino para superá-los - mas estamos evoluindo bem.

Se olharmos com um pouco de cautela, logo perceberemos que os indianos também falam mal da Índia o tempo todo e, assim como nós, vivem procurando um culpado para tudo de ruim que acontece por lá. Os Italianos adoram “parlare male di”, e, no ano passado, ao participar de um congresso em Denver, nos EUA, nunca ouvi um povo andar tão decepcionado com um país quanto o americano de hoje.

Os americanos estão numa situação bastante complicada. Pioneiros que são em tantas áreas, enfrentam as distorções geradas pela selvageria do “tudo pelo dinheiro” e do “valor humano, para quê?”. Mais do que qualquer povo, estão imersos no processo de desgoverno digital e da evolução da internet, o paraíso da subversão.

Entre as enxurradas de números e estatísticas, muitas vezes piores que os do Brasil, me chama a atenção a junção de dois índices que eu denomino a “regra do um terço”: os EUA possuem um terço da população carcerária do planeta e, quando o assunto é saúde pública, apresentam o aterrorizante número de um terço da população tomando antidepressivo – o que, infelizmente, inclui as crianças.

O consumo de antidepressivo aumentou por lá - acredite se quiser - 400% nos últimos 20 anos. Provavelmente, esta é a porcentagem em que devem ter aumentado as multas de trânsito na cidade de São Paulo, onde, assim como os calmantes nos EUA, multar também virou um negócio.

A questão dos 2,2 milhões de presidiários norte-americanos é tão assustadora quanto isso, pois a pior das piores atividades do Estado é encarcerar seu povo nessas proporções. Reflita a fundo sobre isso e verá a distorção do caráter do Estado. Aí vem um amigo meu e diz: “Que bom! Pelo menos lá as pessoas são presas...”

Guarde a sua energia para pensar na China, no crescimento da China, que tantos invejam. Mas pense também nesse país onde “persistem as longas jornadas de trabalho, o trabalho não remunerado, as medidas de segurança precárias e as condições de vida desprezíveis", como indicou o informe de uma ONG que audita as organizações do trabalho.

Ainda ouço com certa paciência as críticas sobre o Estado brasileiro, mas quando o ataque é ao nosso povo, dizendo que somos desonestos e que trabalhamos pouco, costumo perguntar à pessoa: “Ah, é? E quem é o mais sem vergonha de todos? Este garçom que serve seu chope? A caixa do supermercado que te atende? Ou o motorista do seu Uber?”. Essa turma que leva a vida no mole e não se esforça para nada, não é mesmo? Vamos falar mal deles, né?

*Alvaro Fernando é um premiado compositor de trilhas sonoras, vencedor de três leões em Cannes, duas medalhas no New York Festival e três estatuetas no London Festival. Por mais de 25 anos atuou com os principais anunciantes dentro e fora do país. É também autor do livro “Comunicação e Persuasão – O Poder do Diálogo”, no qual demonstra a importância comunicacional de virtudes como propósito de vida, altruísmo e sinceridade. Desde 2013, é um dos palestrantes mais bem avaliados do Brasil, tratando da comunicação entre pessoas. Mais informações em

Licenciada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora militante do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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