Retrospecto – Roberto Carlos (19)



Por: Carlos Alberto Alves
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A cidade de dois-mais-um

Carlos Alberto Alves

Com o tempo, com os contatos, vamos descobrindo coisas interessantes sobre o King e, também, em relação ao maestro Eduardo Lages. A amizade entre os dois começou em Niterói, a cidade que eu “amei-à-primeira-vista”, tendo lá permanecido por um período de oito anos, dos dez em que me encontro no Brasil. Eduardo Lages tem família em Niterói e também é do meu conhecimento que o Roberto Carlos tem um carinho muito especial por Niterói, daí que hoje publico este artigo que tem a ver com a cidade de dois-mais-um:

Para um terceirense/lisboeta, nascido e criado no centro de uma cidade antiga e pacata, de ruas estreitas, casario antigo, com tendas de sapateiro, barbeiro, marceneiros e latoeiros em vários sítios da velha cidade de Angra do Heroísmo, onde se via, “vizinhas a solicitar a outras”, por empréstimo, um “raminho de sal¬¬¬sa ou uma ce¬bola” – quando, hoje, nos grandes centros, e nos prédios existentes, com diversos apartamentos, os inúmeros moradores, pouco se conhecem e convivem entre si – passar a viver num universo fantástico de construções modernas, avenidas, ruas largas e espaços verdes, é asilar-se da sua substância. Na periferia das antigas cidades foram construídos blocos modernos de apartamentos, onde, embora bem acabados, só há solidões, vazios, silêncios sepulcrais, ventanias enregelantes, “autênticos dormitórios”, contrariando a tradicional forma de viver das velhas cidades como, por exemplo, Angra do Heroísmo, onde me nasceram os dentes, sentindo, por isso, estar fora de mim. Apesar de se contemplar o mar, não é a cidade conhecida universalmente. Mas era uma cidade (ao menos para mim), com ruas, com lojas, cafés, tascos, quiosques. Passeios com gentes a cruzar-se, saudar-se e conversar. Aromas, cheiros e ruídos das lojas. Falares e vozeares na partilha dos espaços comuns. Homens de profissões típicas, cauteleiros, vendedores ambulantes e até penduras. Pedintes existem em minoria. Uma cidade são varandas com flores, granitos lavados, anúncios, letreiros, cartazes, trânsito. Tudo isso existe. Como diria o poeta, “tudo isto existe, tudo isto é fado”. Falo apenas por conhecimento de outras cidades próximas desta onde me encontro neste Brasil, uma vez que tive a sorte de passar a viver numa cidade moderna, é certo, mas com todos os condimentos desejados – virada para o mar – grande, florida (Icaraí, exemplo), moderna, populosa, com jardins, praças bem traçadas, redes de autocarros para diversos sítios, embora sem metrô. Centro Comercial (Plaza) e diversos Hipermercados. Inúmeras pessoas a circularem nas ruas durante todas as horas do dia. Comércio florescente e volumoso. Niterói é, na verdade, uma cidade onde vale a pena viver. Por ser grande, possui na sua periferia vários dos já falados “espaços fantasmas”. E, na escala do Brasil, consta que é a quarta colocada em termos de qualidade de vida.

Nota final – Nos meus contatos com pessoas amigas, sempre fui descobrindo que também em Niterói existiam muitos fãs do Rei Roberto Carlos. E outra coisa não era de esperar. Em cada cidade brasileira – e não só – se espalha o perfume do nosso King.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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