O nosso samba com Roberto à mistura





Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@bol.com.br
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Sempre ouvi dizer que o Brasil era conhecido pelo futebol e o samba, nomeadamente. Do futebol, ao qual estive ligado durante 40 anos como jornalista e treinador (não esquecendo as minhas passagens pela área técnica- administrativa de dois clubes do burgo angrense), sabia muita coisa, tendo adquirido maiores conhecimentos quando, em 1982, em Espanha, acompanhei a Seleção Canarinha que, infelizmente, nesse Mundial de 82, baqueou na meia-final ante a Itália do “carrasco” Paolo Rossi.
Chegado ao Brasil em 20 de agosto de 2004, a minha curiosidade passava por entrar na verdadeira essência do samba, tão badalado que é por esse mundo afora. Recordo, por exemplo, na minha derradeira reportagem aos Estados Unidos onde fiz a cobertura da célebre Maratona de New York, que no escritório de um amigo meu estavam trabalhando algumas brasileiras e, num dos dias em que por lá passei, pedi a uma delas, em jeito de brincadeira, que dançasse o samba. E a “brasuca” não esteve para meias-medidas, pediu autorização ao chefe e dançou mesmo com uma movimentação extraordinária dos pés à cabeça. Depois, perguntou-me se eu queria sambar com ela. Fiquei um pouco embaraçado e arranjei a desculpa que tinha um calo num dos dedos do pé direito. Eu a dançar o samba era o que me faltava...
Samba e mais samba. Com esta continuidade no Brasil há quase 13 anos, fui acompanhando o samba através dos grupos mais conhecidos. Confesso que me entusiasmei por esta coisa de sambar. E, curiosamente, em 2010 quando me desloquei à ilha Terceira por altura da quadra natalícia os meus amigos perguntavam se eu já sabia sambar? A resposta era sempre a mesma: vou arrastando com os pés.
Samba e que mais? Meu entusiasmo redobrou quando, em 2011, o percurso do rei Roberto Carlos foi o tema escolhido pela Beija – Flor. Fui para o sambódromo em representação do Portal Splish Splash. Porque somos pobrezinhos monetariamente falando, fui parar para um sector onde se encontrava a esmagadora maioria de prosélitos da conhecida escola de Nilópolis. Logo pensei: felizmente, estou em casa, no meu ambiente. Com bloco-notas na mão e esferográfica, começava a ser o alvo dos mirones mais curiosos. O desfile da “nossa escola” passava alegre e euforicamente. E eu, ali no meio de toda aquela gente, entusiasmado ao rubro, comecei a danças num curto espaço. Empurrão daqui, empurrão dali, era a Beija – Flor a caminho do título. E quando Roberto Carlos passou? Ora, vou registar aqui a última parte do meu trabalho que foi publicado no Splish Splash no dia 8 de março de 2011:
A noite em que Roberto Carlos esteve ao lado da Beija-Flor
Muita ansiedade pela hora da passagem pela Marquês de Sapucaí da Escola Beija-Flor. Mas, infelizmente, umas horas antes começou a chover, mas nem isso arrefeceu o clima de emoções que se vivia no Sambódromo. Já havia passado por isso quando, há dois anos atrás, assisti ao desfile das campeãs. Muita chuva e ninguém arredava pé.
Antes de entrar no âmago do desfile da Beija-Flor, não podia deixar de registar aqui um aceno de grande simpatia às escolas sinistradas do incêndio que há um mês atrás deflagrou nas instalações da Liesa. Tocou fundo a forma em como superaram as dificuldades para estarem presentes no Sambódromo, com muita alegria e lágrimas à mistura. E não era para menos.
Curiosamente, na hora marcada para a escola de Nilópolis entrar em cena parou de chover, apesar de o piso estar escorregadio.
Muita confiança na Beija-Flor em função do piso que, na verdade, não estava nas melhores condições. Uma Beija-Flor cheia de estrelas, com muitos artistas que cantaram Roberto Carlos. E não faltaram a Hebbe Camargo, Wanderléia, Fafá de Belém, Roberta Miranda, Paula Fernandes, Alcione, o Zico (que afirmou que a Beija-Flor ficou na “cara do golo”) e tantas outras gradas figuras do meio artístico brasileiro. Enfim, o Sambódromo aos pés do Rei Roberto Carlos. O Rei feliz, emocionado com tudo o que estava à sua volta. E milhares de rosas foram distribuídas pela Beija-Flor.
Às 5H10 Neguinho da Beija-Flor dá o pontapé-de-saída. Arrancou em grande a Beija-Flor de Nilópolis. Era, ao cabo, o princípio das muitas EMOÇÕES que se seguiriam. Desfilar com garra, o lema da Beija-Flor, isto tendo em conta o óleo que estava na pista.
Com uma entrada de rompante, a Beija-Flor, às 5H20, acordou todo o Brasil e fez delirar os sessenta mil que estavam no Sambódromo. E qual foi o meu pensamento de imediato? Vamos conquistar o décimo-segundo título. Foi mesmo de arrepiar. Fui levado pelas ondas das EMOÇÕES. Era difícil contê-las.
Um enredo especial, um enredo histórico. O Rei merecia esta enorme manifestação popular, para juntar a tantas outras da sua longa carreira. E aquele rádio? Parecia o meu quando comecei a ouvir Roberto Carlos através dos discos pedidos. Que recordações, que momentos de ternura. E ninguém arredava pé. E que movimentações de alegria nas arquibancadas. Indescritível. É caso para se voltar à carga: “Vive Le Roi”, rodeado de grandes personalidades e milhares de populares que o veneram.
Que bonitinho estava o Erasmo Carlos no carro da Jovem Guarda, que com ele conviveram no início da sua carreira, convivência essa que se prolongou até aos dias de hoje.
E com isto, o que dizer? Isto mesmo: Roberto Carlos a simplicidade de um Rei. Todo o seu percurso foi retratado neste desfile. O menino que foi apelidado de Zunga. Dunga não, este também nunca chegaria a Rei.
E não faltou o Splish Splash para alegrar a malta. O nosso Splish Splash foi na carona da Globo. Não deixamos de estar presentes. Quanto ao resto...
Roberto Carlos considerou uma emoção infinita antes de entrar na pista num carro especial. E quando ele acenou para a multidão, foi o grande momento de clímax. Que emoção, que coisa linda. Não há mais palavras. Aperta coração, aperta.
Em suma: com figurantes e espectadores, cerca de 70 mil cantaram Roberto Carlos.
“Vive Le Roi”!!
E aqui neste Portal Splish Splash nas últimas horas muito se tem postado sobre o samba. E tanto que eu gostaria de ver o nosso time dançar o samba num salão. E quem melhor seria para comandar este timaço? Eu, o Bottari, o Frota, o “Zé da Pipa” ou alguma das senhoras que melhor dançassem? O melhor mesmo seria entrarmos numa votação. E tenho a certeza que a maioria dos votos recaia no administrador Armindo Gonçalves Guimarães, mágico, tocador de castanholas e entre nós conhecido pelo gajo do carago. E se ele, no Porto, em abril próximo, no camarim do Roberto dançasse o samba? O rei ia gostar, por certo.
Exaltasamba e o Rei Roberto Carlos

Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Atualmente com site próprio (http://jornalistacarlosalbertoalves.blogspot.com) e contribuidor diário no Portal Splish Splash e no site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. jornalistaalves@bol.com.br

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    Comentários

2 comentários :

  1. Seria sensacional ver o nosso Patrãozinho Armindo Guimarães a dançar o samba, com certeza o NMQT iria acompanhá-lo.
    Nossa, esses dois Gajos sambando levariam a malta ao delírio!

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  2. eheheheh Em bril o NMQT vem a Portugal e se eu tiver a sorte de estar com ele, vou-lhe dizer:
    - Ó Roberto, sabes a última, pá?
    - Como sei se você ainda não disse, mora!
    - Ó pá, a malta lá no Portal Splish Splash querem que eu e tu dancemos o Samba.
    - Bicho, e eu a pensar que só você era maluco! Se lembram de cada uma, mora!!!

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