Se 'Você também quer sair dessa vida sem sentido', venha visitar 'Paisagens invisíveis'

Exposição sonora e instalação na área externa fazem parte da 
programação do Museu Brasileiro da Escultura em janeiro
Foto Luís Arguello/MuBELuís Arguello/MuBE

Museu Brasileiro da Escultura apresenta duas exposições gratuitas em janeiro

Camila Boehm

Uma exposição sonora e uma instalação na área externa ocupam o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), em São Paulo, até 29 de janeiro e têm entrada gratuita.

“Paisagens invisíveis” traz 11 autores que ativam os espaços de exposição do museu com ondas sonoras. Elas ecoam no concreto e exploram sensações de volume e localização espacial.

O público é convidado a percorrer o museu, seguindo luzes e sons que indicam o trajeto, com o objetivo de aguçar sua percepção em relação ao entorno e contribuir para expandir a noção de escultura. O aparelho auditivo, responsável por um dos sentidos que geralmente não é o protagonista das exposições de arte, está no centro dessa experiência, que tem curadoria de Cauê Alves e Floriano Romano.

“A parte externa do prédio do MuBE, vista da Avenida Europa, é uma praça que está plenamente integrada com a paisagem de um bairro que é um jardim. Mas o espaço interno, no subsolo, é inacessível ao olhar de quem passa na rua. Paisagens Invisíveis chama a atenção para aspectos de imagens que vão além da visibilidade. A área expositiva interna está completamente vazia de objetos, mas ocupada por sons”, explicam os curadores.


A exposição conta com três núcleos que formam a sua estrutura: Ruídos e Natureza, que traz sons produzidos a partir de elementos naturais e vibrações irregulares; Paisagens narrativas, com monólogos e diálogos captados na cidade; e Paisagens eletrônicas, com sons de amplitudes e frequências diversas, produzidos digitalmente, por computadores ou traquitanas artificiais.

“Você também quer sair dessa vida sem sentido?” é uma instalação exposta na parte externa do museu, com curadoria de Cauê Alves, com peças de Antônio Ewbank, Chico Togni e Edu Marin. Uma grande pedra, feita predominantemente de materiais orgânicos, madeira e papel, é uma área de descanso e repouso. Localizada no jardim, para o curador a pedra está relacionada à montanha, um lugar de meditação e abertura da mente e do corpo para outros estados e condições espirituais.

No topo da pedra está armazenada a água que alimenta os chuveiros sobre os deques. Em pleno verão paulistano, os visitantes podem refrescar seus corpos, relaxar e contemplar a paisagem. Uma grande arquibancada também compõe o conjunto das peças.

“O título do trabalho, em vez de buscar uma resposta universal, formula uma pergunta. Ele aborda o sentido da vida, questionamento que tanto a filosofia quanto a religião, ao longo de toda a existência humana, se colocam. Sem pretender criar algum dogma ou se aproximar da autoajuda, o trabalho constrói um espaço para uma reflexão que não é só da mente, mas também do corpo em relação ao espaço, à arquitetura e à paisagem urbana”, disse o curador.

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agenciabrasil

Licenciada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora militante do Portal Splish Splash e Administradora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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