Roberto Carlos já foi palhaço, hippie e caminhoneiro em especial da Globo

O 'Rei' Roberto Carlos vestido de Carlitos em seu especial de fim de ano de 1982 na Globo
FERNANDA LOPES

Desde que começou a ser exibido, em 1974, o Especial Roberto Carlos só não foi ao ar em 1999, por causa da morte da mulher do cantor, Maria Rita. Em todos os outros anos, ao longo de quatro décadas, o "Rei" apresentou na Globo uma coletânea de sucessos, muitas vezes empacotados com temas como a ecologia e com personagens _de hippie a palhaço.

Entre os anos 1970 e 1990, Roberto era engajado na defesa do meio ambiente _e cantou para as baleias e para a floresta amazônica. Em sua primeira "produção cinematográfica", abriu a apresentação vestido de Carlitos, personagem de Charles Chaplin (1889-1977).

Já nas duas últimas décadas, Roberto Carlos variou seu show com homenagens e celebridades na plateia e no palco. O especial deste ano, no ar na próxima sexta (23) terá Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte e Zeca Pagodinho. Relembre momentos marcantes dos 42 anos de história do musical:

O cantor viveu um caminhoneiro ao lado de Pedro (Antonio Fagundes) e Bino (Stênio Garcia)

Roberto personagem

Nas primeiras décadas do Especial Roberto Carlos, o anfitrião era mais ousado e aberto a experimentações. Em 1982, por exemplo, o show teve a temática de Charles Chaplin, com o "Rei" fantasiado de Carlitos. Mulheres de colant e homens de sungas mínimas dançavam em volta dele.

Ele também divertiu a plateia em 1987 ao vestir roupas (próprias) das décadas de 1960 e 1970. Roberto Carlos ainda se arriscou como ator: em 2004, ele interpretou um caminhoneiro com Stênio Garcia e Antonio Fagundes em uma representação da série Carga Pesada. Ele também participou de esquetes de humor com Os Trapalhões, Jô Soares e Chico Anysio.

Roberto Carlos com visual hippie em seu especial voltado ao meio ambiente, no ano de 1989
Roberto ativista

As causas sociais tiveram grande espaço nas duas primeiras décadas do Especial Roberto Carlos. Em 1978, o show fez parte do lançamento da campanha Ano Internacional da Criança, e em 1981, lançou o Ano Internacional do Deficiente. Dez anos depois, o cantor gravou dois especiais, um de tarde e outro de noite. O vespertino foi dedicado às crianças e aos idosos.

Engajado em questões ambientais, Roberto sempre defendeu a natureza em suas apresentações. Em 1989, o show se chamou Roberto Carlos Especial – Amazônia, com direito a cenas do "Rei", de cabelão hippie, no meio da floresta. Já em 1990, o título foi apenas Verde É Vida, e o programa apresentou reportagens e ações ecológicas realizadas no Brasil. No dia do show, atores da Globo distribuíram 400 mil mudas de árvores pelo país.

Roberto Carlos joga flores para a plateia no show que fez na praia em Copacabana, em 2010

Roberto ao ar livre

A partir dos anos 1980, a Globo passou a investir em superproduções para os shows de Roberto Carlos. Alguns foram gravados ou transmitidos ao vivo de locais ao ar livre. Em 1983, o "Rei" cantou para seus fãs no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Em 2010, o show foi transmitido diretamente das areias de Copacabana, no Rio de Janeiro. Até para fora do Brasil o Especial Roberto Carlos já foi: em 2011, o show foi gravado em Jerusalém, Israel.

Camila Pitanga cantou Como É Grande o Meu Amor por Você com Roberto Carlos em 2007

Roberto e as celebridades

O elenco da Globo sempre comparece em peso aos especiais de Roberto Carlos, e alguns artistas têm o privilégio de interagir com cantor. Em 1985, seus convidados ilustres foram Lima Duarte e Regina Duarte, que faziam sucesso em Roque Santeiro. Também já passaram pelo palco famosos como Claudia Raia, Ayrton Senna e Camila Pitanga.

Mais recentemente, ele cantou com Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond, que faziam as empreguetes em Cheias de Charme (2012); com Sophie Charlotte, que havia cantado uma música sua em O Rebu (2014), e até arriscou um funk com Anitta em 2013.

Erasmo Carlos fala sobre o amigo Roberto no especial dos 40 anos de carreira dele, em 1998

Roberto homenageado

Ao longo de 42 anos, o "Rei" comemorou muitos aniversários e foi muito homenageado em seus especiais. Em seus 40 anos de carreira, comemorados em 1998, o público votou no Domingão do Faustão para escolher as músicas que queria ouvir. Seu amigo Erasmo Carlos contou histórias dos dois em um cenário que lembrava uma sala de estar.

Os 30 anos da Jovem Guarda também receberam atenção especial: em 1995, o palco ficou lotado de cantores que fizeram sucesso nos anos 1960. Já na comemoração dos 50 anos da Bossa Nova, em 2008, Roberto Carlos e Caetano Veloso sentaram em banquinhos e cantaram músicas marcantes do gênero, como Chega de Saudade.

Fotos:JULIANA COUTINHO/TV GLOBO
ROGÉRIO DOMINGUES/






Administradora e Redatora do Portal Splish Splash. Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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