Crise brasileira inverte fluxo migratório para Portugal

Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, em São Paulo

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
DE SÃO PAULO

Nos anos de crise em Portugal, cresceu o número de arquitetos e engenheiros portugueses que vinham ao Brasil para trabalhar. Agora que a economia portuguesa voltou a crescer, e o PIB brasileiro deve encolher mais de 3,5%, o fluxo se inverteu.

Há cada vez mais brasileiros em busca de oportunidades em Portugal. O número dos que requerem cidadania no consulado português em São Paulo passou de cerca de 600 a 700 por mês em 2012, quando o cônsul Paulo Lopes Lourenço chegou ao país, para 870 em 2016.

No ano passado, 5.716 brasileiros receberam títulos de residência em Portugal, o que que lhes permite trabalhar, estudar ou fazer pesquisas —crescimento de 2,8% em relação a 2014.

Já o número de autorizações de trabalho para portugueses no Brasil caiu 32% entre 2014 e 2015 (de 1.921 para 1.294), segundo dados do Ministério do Trabalho.

No primeiro trimestre de 2016, a queda foi de 52% em relação ao mesmo período no ano passado (306 para 160).

BARRADOS

Com o aumento do fluxo, o número de brasileiros barrados na Europa também cresceu: no primeiro semestre de 2015, foram 1.398; em igual período deste ano, foram 1.796, alta de 30%.

Em Portugal, o número de brasileiros barrados subiu 56% de 2014 para 2015 —de 324 para 506. Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, houve alta na "pressão migratória em termos de imigração ilegal, justificada pela inversão das tendências econômicas de alguns dos países tradicionais de imigração (Brasil e Angola)".

Segundo o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, mudou o perfil dos portugueses que vêm para o Brasil. "Até dois anos atrás, chegava um grande número de altos executivos de grandes empresas, acompanhados de suas famílias. Hoje, há um novo fluxo com um perfil mais jovem, de 35 a 45 anos, menos responsabilidades, com competências em tecnologia, economia e gestão, e que não vêm com famílias."

Os brasileiros se mantêm como a maior comunidade estrangeira em Portugal (82 mil em 2015). Nos últimos três anos, segundo Carneiro, houve um grande fluxo de brasileiros que entraram em Portugal por meio do "visto gold", as autorizações de residência para investidores.

Desde 2012, quando se iniciou o programa, 220 brasileiros ganharam as autorizações ao comprar imóveis ou abrir empresas. Os chineses conseguiram o maior número de autorizações, 2.879, seguidos de brasileiros, com 220, e russos, com 136. Até dois anos atrás, os russos estavam em segundo lugar.

O turismo também cresce. Portugal recebeu 19,2 milhões de turistas em 2015, 10,9% a mais que em 2014 —dos quais 598 mil foram brasileiros.
Em 2016, deve crescer mais de 10%. O Brasil, em 2015, recebeu 6,3 milhões de turistas.

"O crescimento do turismo em Portugal tem a ver com a estabilidade social do país, que contrasta com a convulsões sociais, políticas ou atentados que ocorreram em alguns países do Mediterrâneo", diz Carneiro.

Segundo ele, não há mudança na política em relação à entrada de brasileiros na UE. "Mas o maior fluxo de brasileiros leva a aumento de verificações na entrada", afirma o secretário. 

Foto: Gabriel Cabral/Folhapress

In:http://www1.folha.uol.com.br
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