Aos sábados, com o meu livro (8)






Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com

CAPÍTLO VIII

O POSTAL DO BRASIL

Quando morrer, desejaria que a minha urna fosse coberta de folhas de jornais impressas, levando para o “outro lado da vida” (onde muitos dos amigos que aqui menciono me esperam), esse bichinho que, felizmente, continua bem mexido. Daí que, uma vez por outra, vou alinhavando escritos para serem publicados no matutino (na minha altura, vespertino) “A União”, o meu primeiro jornal da imprensa regional, e cuja ideia foi bem acolhida pelo editor João Rocha, um moço que, em boa hora, enveredou pelo jornalismo, apresentando sempre uma qualidade digna dos maiores encómios. Um grande valor. Conheci João Rocha como distribuidor de jornais, uma profissão como outra qualquer. Depois deu o salto. Um vulto que despontou.
Aqui deixo, em retrospectiva, duas dessas crónicas (genérico Postal do Brasil) que enviei, na oportunidade, para o jornal “A União”.

Stones, U2 e Carnaval, agitaram o Brasil no mês de Fevereiro

ANIVERSÁRIO AGITADO. O Partido Trabalhista, vulgo PT, conheceu mais um momento de agitação, desta feita no assinalar do seu vigésimo-sexto aniversário. Antes do início da festa, alguns militantes do partido manifestaram-se contra as presenças dos deputados com processos de cessação de mandato, os tais que estão envolvidos no “caso mensalão”. Mas, depois, com a intervenção de Lula da Silva os ânimos serenaram. Só não sabemos se houve beijos e abraços.

FERNANDO HENRIQUE LANÇA MAIS LIVROS. O ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, faz uma reestréia como escritor com o lançamento de três livros nos próximos meses. Os livros serão lançados nos Estados Unidos e no Brasil. Um desses livros, “a arte da política”, Fernando Henrique Cardoso, aqui mais analítico, fala de privatizações e brigas. Ainda em relação ao lançamento no Brasil  (seguir-se-á, daqui a dois meses, sensivelmente), são conselhos a um jovem que quer entrar na política e, segundo FH, é o mais simples de todos, uma colectânea de entrevistas. Fernando Henrique diz que foi presidente, mas que não deixou de ser sociólogo.
No seu primeiro livro de memórias, “the accidental presidente of Brazil”, a ser lançado nos Estados Unidos, entre as provas de texto, escrito durante suas temporadas como professor na Universidade de Brown, e a edição final, revisada no Brasil em clima de campanha.
Fernando Henrique diz “que não ataca Lula, a não ser no finalzinho, quando fala de corrupção e da decepção”. Um livro para ler só no finalzinho? (a ironia é nossa, óbvio).

ROLLING STONES E U2 NO BRASIL. Rivalidades entre estados, entre cidades, entre vilas, entre freguesias, há por todo o lado do universo. Aqui no Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro não fogem ao estigma da compita, por vezes exarcebada. Mas há casos em que essa rivalidade é salutar, como aconteceu agora com o rock. Rolling Stones estiveram em Copacabana (RJ) e os U2 em São Paulo. Apenas dois dias e 400 quilómetros separaram os dois maiores grupos em actividade no mundo, Rolling Stones e U2, que, assim, mediram forças no Brasil.
Uma coisa é certa: em lugar nenhum do mundo Rolling Stones e U2 com diferenças de dois dias, a 400 quilómetros de distância um do outro. Stones passaram por Copacabana e U2 pelo Morumbi. Stones e U2, qual deles o melhor? As opiniões divergem, inclusive as dos entendidos na matéria.
A verdade, porém, é que os dois espectáculos registaram inusitada afluência de público. Dizem que os Stones estão velhinhos, mas para Copacabana vieram 1250 autocarros (aqui  ônibus). E esta foi a terceira tourné dos Rolling Stones ao Brasil. Valeu. E os U2, discípulos de Stones? A magia da banda está, além da competência dos músicos, na riqueza das melodias e na variedade do repertório.
Voltando a Copacabana, há que dizer que viveu novo clima do reveillon no maior “show” da história da cidade do Rio de Janeiro.

O MELHOR CARNAVAL DO MUNDO. Quem pode duvidar que o carnaval brasileiro é o melhor do mundo? Pensamos que ninguém. De facto, e mais uma vez, o carnaval do Brasil primou por uma qualidade ímpar, principal incidência no desfile (concurso) das escolas de samba do Rio de Janeiro. O sambódromo registou mais uma impressionante adesão do público. É, para o brasileiro, a quadra mais desejada, preparada com alguns meses de antecedência. E quem venceu o concurso? Surpreendentemente, Vila Isabel, quando as previsões apontavam para o “tri” de Beija-Flor. Uma vitória comemorada com pompa e circunstância na airosa Vila Isabel.

ROGÉRIO CENI, FINALMENTE. Sim, finalmente, Rogério Ceni, goleiro do São Paulo, foi convocado por Parreira para a Selecção do Brasil no amistoso com a Rússia. Foi titular e correspondeu inteiramente. No São Paulo, de bola parada, Rogério Ceni marca muitos golos. Na época passada, apontou 15. E no jogo São Paulo – Liverpool, Rogério foi a grande figura do São Paulo. Rogério Ceni na Alemanha? Pensamos que será um dos três goleiros que Parreira convocará para a Copa do Mundo.

Este Brasil... brasileiro

Muitos apontam o dedo a Lula, face à tão badalada corrupção que grassou no seio do seu governo, mas o que é certo é que as previsões apontam Lula como vencedor do primeiro turno das eleições.
Fui sempre, em Portugal, um regular leitor da coluna, em “A Bola”, do Dr. Duda Guennes, o genérico “Meu Brasil, Brasileiro”. Hoje, porém, invertendo situações, encimei este apontamento com... Este Brasil...brasileiro. E porquê? Este Brasil tem, de facto, coisas maravilhosas, muitas delas fascinantes, servindo de paradigma o paisagismo, sobretudo no sul do país, apenas para citar este exemplo sulista. Poderia ainda falar das orlas marítimas, particular incidência para a Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro. Mas este Brasil, convenhamos por amor à verdade, tem, numa maioria percentual, um povo inculto, apesar da sua bondade e inequívoca hospitalidade. É pena que isso aconteça. Mas, pelo que temos auscultado, desde que aqui chegamos há dois anos a esta parte, este  o problema que mais afecta este país. Será daí que advém tanta violência? Em parte, e numa opinião meramente pessoal, pensamos que sim, adicionando, também, o factor pobreza que não deixa de ser assustador.
Ora, desde que a bomba rebentou, muitos apontam o dedo a Lula, face à tão badalada corrupção que grassou no seio do seu governo, mas o que é certo, porém, é que as previsões apontam o actual presidente como vencedor do primeiro turno, ele (Lula) que se recandidatou e que já se assume como vencedor. Afinal, pergunta-se: onde estão os milhares de brasileiros que já crucificaram Lula e o seu partido em função do processo “mensalão” que fez correr muita tinta e que, inclusive, transbordou para os países estrangeiros onde pululam emigrantes oriundos deste Brasil. Há, pois, este Brasil...brasileiro.
Sei, e já escrevi, que o brasileiro tem semelhanças com o português, conquanto o brasileiro se possa “ufanar” de ser mais divertido. É indesmentível. Mas, seguindo a linguagem deles (ainda sou bem português), existe um porém, este: o povo português tem mais raízes culturais, tem mais vivência política e tem-se revelado mais forte quando depara com falcatruas governamentais. Os brasileiros falam, falam, mas não se mostram capazes de “pegar o toiro pelos cornos” (esta é uma expressão “made in Portugal”) e, daí, acreditar que, face a tudo o que tem acontecido em termos de corrupção, Luís Inácio Lula da Silva possa sair vencedor de mais este acto eleitoral. Parafraseando o nosso saudoso Fernando Pessa, e esta, hein!!  

Cintra símbolo do meu patriotismo

Há alguns anos atrás, acompanhei, em Angra do Heroísmo, ao serviço do jornal “Record”, José de Sousa Cintra, então presidente do Sporting Club de Portugal. Com ele, o meu querido amigo Mário Goulart Lino, que mereceu a confiança de Sintra no Sporting. Recorde-se que Mário Lino foi, como treinador, campeão pelo Sporting e vencedor de uma Taça de Portugal, na época em que o argentino Yazalde se notabilizou no clube.
Claro que José de Sousa Cintra, sempre mereceu da minha parte uma enorme simpatia, pela sua simplicidade e, sobretudo, por ter presidido aos destinos do “meu” Sporting. Nunca neguei que era sportinguista.
Ora, quando vim para o Brasil comecei, desde logo, a beber a cerveja Cintra, cujo sucesso, nestas paragens,  tem sido notório. Aliás, José de Sousa Cintra, como é seu timbre, revelou-se uma pessoa com enorme visão com a implantação da sua cerveja no Brasil.
Numa das praias que frequento, peço sempre cerveja Cintra. Um dia, alguém que estava ao meu lado, perto de mim, me apelidou de exagerado patriotista, na medida em que só bebo Cintra que, bem vistas as coisas, é o símbolo desse mesmo patriotismo. Que me perdoem os brasileiros, mas a Cintra é a melhor cerveja em terras de Vera Cruz. E vai mais uma, à saúde do senhor Zé, que um dia gostaria que voltasse à presidência do Sporting. Um homem de pequena estatura, mas de alma muito grande. Digamos um empresário que soube chegar ao desejado patamar do sucesso.
Cintra que gostosa esta cerveja. Aqui no meu livro posso fazer publicidade porque não é proibido.

A seguir Capítulo IX

Para conferir os capítulos anteriores, clique aqui.
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