Exposição de Ciro Palomino transforma pesadelos globais em arte e consciência
Quando o mundo parece à beira do abismo, a arte acorda
"Nem todo pesadelo termina no escuro — alguns começam aí."
Carmen Augusta
O artista peruano Ciro Palomino apresenta a exposição “Morfeu: Pesadelos e Despertares”, no Centro Cultural Correios RJ, propondo uma travessia simbólica pelos sonhos sombrios do deus Morfeu — aqui não como figura mitológica distante, mas como espelho inquietante da humanidade. Guerra, autodestruição, mudanças climáticas, desigualdade: os conflitos que nos cercam são matéria-prima de uma obra que recusa a indiferença.
Com curadoria de Carlos Bertão e projeto expográfico de Alê Teixeira, e apoio do Consulado Geral do Peru no Rio de Janeiro, a mostra articula arte e consciência social num percurso visual que provoca, inquieta e, sobretudo, sugere um despertar possível. Se há pesadelos nas telas, há também frestas de luz. E isso não é detalhe — é posição.
Desde 2016, após receber um prêmio da ONU, Palomino intensificou sua produção voltada para temas sociais. O seu percurso inclui o PROJETO CONSCIÊNCIA, que percorreu cidades como Nova York, São Paulo, Rio de Janeiro e Coreia, levando ao público reflexões visuais sobre guerra, suas consequências devastadoras, igualdade de gênero e crise climática. Não se trata de panfleto, mas de linguagem artística com densidade ética.
“Temos sonhos e pesadelos”, afirma o artista. Seu trabalho social permitiu-lhe expressar sentimentos universais diante de um mundo “estranho e tumultuado, cheio de medos e orações, perdão e culpa; um mundo que anseia por despertar”. A exposição traduz exatamente isso: uma humanidade suspensa entre culpa e redenção, medo e esperança.
Formado pela Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP) e consultor da ONU no Brasil, Ciro Palomino recebeu distinções da ONU e da UNESCO em concursos internacionais. O projeto “Conciencia” teve sua primeira exposição em 2017, na sede da ONU em Nova York, e entre 2019 e 2022 foi visto por mais de 200 mil pessoas no Brasil. O artista também participou de mostras coletivas em países como Suíça, China, Irã e Turquia, consolidando um percurso internacional marcado pela reflexão social e ambiental.
A exposição pode ser visitada de 25 de março a 9 de maio de 2026, de terça a domingo, das 12h às 19h, no Centro Cultural Correios RJ, no Centro do Rio de Janeiro. A entrada é franca, a classificação é livre e o espaço é adaptado para pessoas cadeirantes. O acesso é facilitado por metrô (estação Uruguaiana), ônibus, barcas (Praça XV), VLT e trem (Central com integração VLT). Ou seja: não há desculpa logística para não ir — apenas a decisão de querer ver.
Sobre a curadoria, Carlos Bertão traz uma trajetória singular. Advogado formado pela UERJ, com mestrado em Direito Internacional Comparado pela Universidade de Nova Iorque, trabalhou no Rio de Janeiro, São Paulo e Nova Iorque antes de integrar o Banco Mundial, em Washington, onde permaneceu por quase vinte anos. De volta ao Brasil, dedicou-se à produção e curadoria de exposições, além de consolidar uma coleção de cerca de 350 obras. Já atuou em instituições como Centro Cultural Correios, CCBB Brasília, Caixa Cultural São Paulo e MARCO (MS), e foi curador da exposição CONSCIÊNCIA, também de Palomino, visitada por 143.524 pessoas.
Alê Teixeira, responsável pelo projeto expográfico, é paranaense, odontólogo de formação e atua há duas décadas com design e iluminação de exposições. Trabalhou em diversas instituições culturais no Rio, Niterói, Brasília, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Participou do projeto IMERSÕES MS e foi igualmente responsável pelo design e iluminação da exposição CONSCIÊNCIA. Junto com Carlos Bertão, criou a ENTREARTE, prestando consultoria a artistas visuais.
“Morfeu: Pesadelos e Despertares” não é apenas uma exposição. É um convite incômodo — e necessário — para acordar.
Nota do Editor – Portal Splish Splash
A arte que confronta é a que permanece. Ao transformar inquietações globais em imagens simbólicas e densas, Ciro Palomino lembra-nos que o verdadeiro despertar começa na consciência individual. E essa, felizmente, ainda não pode ser silenciada.
Exposição de Ciro Palomino transforma pesadelos globais em arte e consciência
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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