Como a broa, a padeira Genoveva e uma lavradeira minhota reescrevem a história da arte
Entre Avintes, Viana e Setúbal, a arte ganha sabor, ouro e um olhar e sorriso enigmáticos
"Quando a imaginação fermenta, até a arte renascentista muda de terra natal." Vímara Porto
Por: Armindo Guimarães
Há mistérios que desafiam a Humanidade há séculos. Quem construiu as pirâmides? Onde estará o Santo Graal? Existirá vida inteligente noutros planetas?
Mas nenhuma destas questões se compara a outra, muito mais relevante para a cultura portuguesa: qual foi a verdadeira influência da broa de Avintes na obra de Leonardo de Avintes?
Para alguns leitores, este texto poderá parecer, à partida, estranho e até inverosímil. Tal sensação não é surpreendente, uma vez que já aconteceu com outros textos publicados sobre a vida e obra de Leonardo de Avintes (ou d’Avintes), conhecido no mundo como Leonardo da Vinci.
Durante anos, os historiadores ignoraram factos que hoje parecem evidentes. Concentraram-se em pinturas, manuscritos e invenções, esquecendo aquilo que realmente alimenta o génio humano: uma boa mesa.
Conta a tradição popular — cuja fiabilidade ninguém ousa questionar após o segundo copo de verde tinto — que Leonardo de Avintes, ainda jovem, percorria as ruas da sua terra natal com um caderno de apontamentos numa mão e um naco de broa na outra.
Foi nesse ambiente de inspiração e aroma a pão acabado de cozer que terá conhecido a lendária padeira Genoveva, figura maior da cultura avintense e guardiã dos segredos ancestrais da broa.
Segundo documentos cuja existência continua por confirmar, Genoveva terá aconselhado o jovem Leonardo a observar atentamente o mundo à sua volta:
"Repara bem nas formas da massa, rapaz. A arte está em toda a parte."
Leonardo levou o conselho a sério.
Uns dizem que estudou o voo dos pássaros. Outros afirmam que, inspirado pela padeira Genoveva, terá tentado experimentar a própria massa dela, que, corada pelo calor do forno, se esquivou perante tal reação. Há ainda quem defenda que Leonardo, perante tal recusa, passou a observar os cursos dos rios como mãos que abraçam os vales. Mas os investigadores mais atentos sustentam que muitas das suas ideias nasceram enquanto contemplava a geometria perfeita de uma broa acabada de sair do forno.
Décadas mais tarde, já em Itália, Leonardo da Vinci, como então passou a ser conhecido, alcançou fama universal. Contudo, a saudade de Avintes nunca o abandonou.
Há quem afirme que a célebre Mona Lisa não seria mais do que a padeira Genoveva de Avintes que o acompanhou na emigração para Itália. Para além do sorriso enigmático, esconderia também o mistério da paisagem de fundo, cuja origem muitos ainda tentam decifrar.
Até hoje, diz-se. Porque, finalmente, a verdade terá vindo ao de cima.
Foi recentemente encontrada no norte de Portugal, no Arquivo Distrital de Viana do Castelo — instituição que preserva fotografias, fundos fílmicos da Romaria d’Agonia e documentos sobre usos e costumes do Alto Minho — uma moldura em perfeito estado de conservação, contendo uma pintura a óleo sobre tela (ver foto de topo) em moldes muito semelhantes aos da Mona Lisa, mas com diferenças assinaláveis:
A mulher aparenta ser mais jovem do que a padeira;
Veste traje típico usado pelas vianenses de antanho e ainda hoje recriado por grupos folclóricos;
Sobre o peito, ostenta peças de ouro, entre elas os característicos corações minhotos;
Destacam-se também os brincos, ex-líbris da região;
As mãos revelam marcas de uma vida ligada ao trabalho da terra, contrastando com a delicadeza atribuída à Mona Lisa;
A paisagem de fundo representa Viana do Castelo vista do monte de Santa Luzia, onde se encontra o santuário homónimo.
De acordo com estudos realizados por especialistas, tanto a tela como a moldura datariam de 1495, oito anos antes da célebre obra hoje exposta no Museu do Louvre, em Paris.
As investigações prosseguem, mas já permitem algumas conclusões:
O quadro da Mona Lisa seria posterior ao achado;
O achado reforçaria a ideia, há muito defendida por alguns, de que Leonardo de Avintes era português;
Leonardo de Avintes teria sido não só pintor, mas também "pintor de construção civil", já que, na época, poucos artistas viviam exclusivamente da arte, podendo ter aproveitado intervenções na região minhota para realizar algumas obras e estudos;
A paisagem de fundo, ao contrário da Mona Lisa, não conteria qualquer enigma, sendo claramente identificável;
Em termos de beleza, a lavradeira de Viana não ficaria atrás da padeira de Avintes — antes pelo contrário — mantendo também um olhar e um sorriso carregados de mistério, tão ao gosto do autor, não apenas para dar impacto às obras, mas para alimentar interpretações e leituras diversas.
Interrogados sobre a identidade da lavradeira retratada por Leonardo de Avintes, alguns investigadores afirmam que ainda decorrem estudos. No entanto, os dados recolhidos até ao momento sugerem tratar-se de uma jovem com origem na região sadina, mais concretamente em Setúbal, aparentada com o ramo dos Barbosa l’Hedois du Bocage, família da qual descendeu o poeta António Maria du Bocage, figura maior do arcadismo português.
Quanto aos especialistas de Avintes, defendem que este achado apenas reforça a convicção popular de que deveria ser erguida uma estátua de Leonardo junto à da padeira Genoveva (Mona Lisa), já existente no centro da vila, na Praça Escultor Henrique Moreira, obra inaugurada em abril de 1974.
Teme-se, contudo, que Viana do Castelo possa avançar antes com uma iniciativa semelhante.
Entretanto, a padeira avintense permanece firme no imaginário popular e no centro da sua terra natal, observando o passar do tempo e aguardando que a História lhe faça justiça.
Talvez um dia surja, ao seu lado, uma estátua de Leonardo de Avintes. Não para reescrever a História, mas para recordar que os povos vivem tanto das suas verdades como das suas histórias bem contadas.
E se alguém duvidar desta narrativa, basta responder com serenidade:
Há coisas que não podem ser provadas. Mas também não podem ser completamente desmentidas.
Sobretudo quando envolvem broa, tradição e alguma dose de imaginação.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
No Portal Splish Splash celebramos as histórias que desafiam a lógica, brincam com a tradição e iluminam o imaginário popular. Este texto recupera, com humor e engenho, a figura lendária de Leonardo de Avintes e a sua ligação à broa, às gentes e aos mistérios do Norte. Entre factos, quase‑factos e deliciosas invenções, convidamos o leitor a saborear esta narrativa como quem parte uma broa quente: com curiosidade, prazer e um sorriso cúmplice.
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Como a broa, a padeira Genoveva e uma lavradeira minhota reescrevem a história da arte
Vímara Porto
Por: Armindo Guimarães
Mas nenhuma destas questões se compara a outra, muito mais relevante para a cultura portuguesa: qual foi a verdadeira influência da broa de Avintes na obra de Leonardo de Avintes?
Para alguns leitores, este texto poderá parecer, à partida, estranho e até inverosímil. Tal sensação não é surpreendente, uma vez que já aconteceu com outros textos publicados sobre a vida e obra de Leonardo de Avintes (ou d’Avintes), conhecido no mundo como Leonardo da Vinci.
Durante anos, os historiadores ignoraram factos que hoje parecem evidentes. Concentraram-se em pinturas, manuscritos e invenções, esquecendo aquilo que realmente alimenta o génio humano: uma boa mesa.
Conta a tradição popular — cuja fiabilidade ninguém ousa questionar após o segundo copo de verde tinto — que Leonardo de Avintes, ainda jovem, percorria as ruas da sua terra natal com um caderno de apontamentos numa mão e um naco de broa na outra.
Foi nesse ambiente de inspiração e aroma a pão acabado de cozer que terá conhecido a lendária padeira Genoveva, figura maior da cultura avintense e guardiã dos segredos ancestrais da broa.
Segundo documentos cuja existência continua por confirmar, Genoveva terá aconselhado o jovem Leonardo a observar atentamente o mundo à sua volta:
"Repara bem nas formas da massa, rapaz. A arte está em toda a parte."
Leonardo levou o conselho a sério.
Uns dizem que estudou o voo dos pássaros. Outros afirmam que, inspirado pela padeira Genoveva, terá tentado experimentar a própria massa dela, que, corada pelo calor do forno, se esquivou perante tal reação. Há ainda quem defenda que Leonardo, perante tal recusa, passou a observar os cursos dos rios como mãos que abraçam os vales. Mas os investigadores mais atentos sustentam que muitas das suas ideias nasceram enquanto contemplava a geometria perfeita de uma broa acabada de sair do forno.
Décadas mais tarde, já em Itália, Leonardo da Vinci, como então passou a ser conhecido, alcançou fama universal. Contudo, a saudade de Avintes nunca o abandonou.
Há quem afirme que a célebre Mona Lisa não seria mais do que a padeira Genoveva de Avintes que o acompanhou na emigração para Itália. Para além do sorriso enigmático, esconderia também o mistério da paisagem de fundo, cuja origem muitos ainda tentam decifrar.
Até hoje, diz-se. Porque, finalmente, a verdade terá vindo ao de cima.
Foi recentemente encontrada no norte de Portugal, no Arquivo Distrital de Viana do Castelo — instituição que preserva fotografias, fundos fílmicos da Romaria d’Agonia e documentos sobre usos e costumes do Alto Minho — uma moldura em perfeito estado de conservação, contendo uma pintura a óleo sobre tela (ver foto de topo) em moldes muito semelhantes aos da Mona Lisa, mas com diferenças assinaláveis:
De acordo com estudos realizados por especialistas, tanto a tela como a moldura datariam de 1495, oito anos antes da célebre obra hoje exposta no Museu do Louvre, em Paris.
As investigações prosseguem, mas já permitem algumas conclusões:
Interrogados sobre a identidade da lavradeira retratada por Leonardo de Avintes, alguns investigadores afirmam que ainda decorrem estudos. No entanto, os dados recolhidos até ao momento sugerem tratar-se de uma jovem com origem na região sadina, mais concretamente em Setúbal, aparentada com o ramo dos Barbosa l’Hedois du Bocage, família da qual descendeu o poeta António Maria du Bocage, figura maior do arcadismo português.
Quanto aos especialistas de Avintes, defendem que este achado apenas reforça a convicção popular de que deveria ser erguida uma estátua de Leonardo junto à da padeira Genoveva (Mona Lisa), já existente no centro da vila, na Praça Escultor Henrique Moreira, obra inaugurada em abril de 1974.
Teme-se, contudo, que Viana do Castelo possa avançar antes com uma iniciativa semelhante.
Entretanto, a padeira avintense permanece firme no imaginário popular e no centro da sua terra natal, observando o passar do tempo e aguardando que a História lhe faça justiça.
Talvez um dia surja, ao seu lado, uma estátua de Leonardo de Avintes. Não para reescrever a História, mas para recordar que os povos vivem tanto das suas verdades como das suas histórias bem contadas.
E se alguém duvidar desta narrativa, basta responder com serenidade:
Há coisas que não podem ser provadas. Mas também não podem ser completamente desmentidas.
Sobretudo quando envolvem broa, tradição e alguma dose de imaginação.
Escriba das coisas da vida e da alma. Admin., Editor e Redator do blog luso-brasileiro Portal Splish Splash. Máxima favorita: "Andamos sempre a aprender e morremos sem saber". VER PERFIL
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