Como a saúde mental transformou o Brasil no líder em afastamentos no trabalho
O sorriso brasileiro esconde uma crise silenciosa.
"Empresas que ignoram a mente perdem mais do que colaboradores."
Carmen Augusta
O Brasil, conhecido mundialmente por seu Carnaval, hospitalidade e resiliência do famoso “jeitinho brasileiro”, enfrenta hoje uma realidade preocupante: tornou-se o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo da América Latina. Em sua palestra online no dia 03 de março, às 10h, na ABERJ, a psicóloga social e do trabalho Eliana Sorrini abordará como essa crise afeta o comportamento das pessoas, tanto no ambiente corporativo quanto na vida pessoal.
O historiador Sérgio Buarque de Holanda definiu o brasileiro como o “homem cordial”, movido por afeto e emoção. Essa cordialidade, que permeia relações pessoais e profissionais, hoje é pressionada por uma “tirania da positividade”: trabalhadores se veem obrigados a exibir uma felicidade superficial enquanto lidam com metas agressivas e hiperconectividade, criando uma dissociação que drena energia antes mesmo do fim do dia.
Nos últimos 30 anos, o foco das doenças mudou: se em 1994 a preocupação era com lesões físicas, hoje adoecemos a alma. Pesquisas da Unifesp apontam que precarização das relações de trabalho e falta de suporte social corroem a resiliência individual. O burnout, reconhecido pela OMS como fenômeno ocupacional, evidencia falhas na gestão que ignora riscos psicossociais. Um afastamento mental não é apenas cansaço; é um alerta de que a cultura organizacional falhou em proteger seu capital humano.
Saúde mental não é custo, é sustentabilidade. Medidas superficiais como ginástica laboral ou frutas na copa não resolvem problemas estruturais. Gestão efetiva exige identificar riscos como estresse excessivo, assédio moral e falta de autonomia. Cada afastamento mental custa, em média, três vezes o salário do colaborador, prejudicando lucros e clima organizacional. Empresas saudáveis são mais lucrativas e duradouras.
Segundo Eliana Sorrini,“precisamos resgatar nossa alegria, mas ela deve ser genuína, baseada em segurança psicológica e respeito aos limites humanos. É hora de parar de mascarar sintomas e tratar causas. Convido gestores, líderes de RH e tomadores de decisão a mergulhar nas evidências clínicas e dados da ARTMED para construir um novo caminho para o trabalho em nosso país”.
Sobre Eliana Sorrini: Talent Senior, cofundadora do Programa EMONUTRI, consultora estratégica e palestrante, com MBA em Gestão de Negócios e formação em Desenvolvimento e Geração de Projetos. Especializada em Psicologia Social e do Trabalho, atua na prevenção e promoção da saúde mental, desenvolvimento de líderes e equipes, e valorização de profissionais 50+. Instagram: @eliana_sorrini
Nota do Editor - Portal Splish Splash
O Brasil sempre foi sinônimo de alegria, mas a realidade mostra que a saúde mental precisa ser prioridade. Este evento evidencia a urgência de transformar ambientes de trabalho e resgatar o bem-estar de todos, unindo conhecimento, gestão estratégica e empatia.
Como a saúde mental transformou o Brasil no líder em afastamentos no trabalho
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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