Sinfonia Fantástica de Berlioz no CCB com estreia absoluta

A OCP e a JOP interpretam a Sinfonia Fantástica de Berlioz no CCB, com estreia absoluta de obra de Francisco Fontes, a 18 de janeiro.
Cartaz alusivo ao concerto Sinfonia Fantástica de Berlioz no CCB com a OCP e JOP-

OCP e JOP celebram Berlioz e revelam nova obra de Francisco Fontes

Uma sinfonia que é confissão, delírio e génio em estado puro

No dia 18 de janeiro, domingo, às 17h00, o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém recebe um concerto que cruza património absoluto da música sinfónica com criação contemporânea portuguesa. A Orquestra de Câmara Portuguesa volta a unir forças com a Jovem Orquestra Portuguesa para uma celebração de grande fôlego: a Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz, obra fundadora do romantismo musical, arrebatadora, excessiva e visceral.

Antes de mergulhar no universo febril de Berlioz, o público é convidado a escutar a estreia absoluta de “Luz crua, ao longe”, uma encomenda do CCB ao jovem compositor bracarense Francisco Fontes, nascido em 1993. A obra surge assumidamente em diálogo com as forças épicas da Sinfonia Fantástica, funcionando como porta de entrada para um concerto onde a intensidade não pede licença.

A Sinfonia Fantástica, Op. 14, é muito mais do que uma peça orquestral: é um autorretrato musical. Berlioz expõe-se sem filtros, narrando a paixão obsessiva de um artista por uma mulher idealizada, conduzindo o ouvinte por sonhos, êxtases, alucinações e pelo abismo final. Cada andamento é um capítulo dessa viagem emocional extrema, do lirismo inquieto de “Rêveries – Passions” ao pesadelo grotesco de “Songe d’une nuit de sabbat”.

A direção musical está a cargo de Pedro Carneiro, figura central neste encontro entre gerações, com Bruno Vicente como maestro assistente. A cumplicidade entre a experiência da OCP e a energia da JOP volta a provar que estas formações, quando juntas, não somam apenas músicos: multiplicam impacto artístico.

Antes do concerto, o público poderá ainda assistir a uma conversa pré-concerto conduzida por Pedro Carneiro e Cesário Costa, oferecendo contexto, pistas de escuta e chaves de leitura para uma obra que continua, quase dois séculos depois, a soar perigosamente moderna.

Depois de interpretações marcantes de títulos como A Sagração da Primavera, a Sinfonia Heroica, a Nona de Mahler ou a Nona de Bruckner, esta nova colaboração confirma uma linha artística clara: ambição, risco e música dita sem rodeios. Um concerto intenso, sem anestesia emocional, daqueles que lembram porque é que a música ao vivo continua a ser insubstituível.

*Nota do Editor – Portal Splish Splash*
Berlioz escreveu a Sinfonia Fantástica como quem abre o peito em plena praça pública. Não é música para ouvir distraído, nem concerto para sair indiferente. Com a estreia de Francisco Fontes e a força conjunta da OCP e da JOP, este programa promete exatamente isso: emoção sem rede. E ainda bem.
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