Brasil e Santa Sé celebram 200 anos de relações diplomáticas

Exposição virtual celebra 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, com documentos históricos do acervo da Biblioteca Nacional.
Banner oficial da exposição virtual Brasil e Santa Sé 200 anos de relações diplomáticas no Vaticano

Exposição virtual revisita 200 anos de história e diplomacia entre o Brasil e o Vaticano


Do primeiro encontro diplomático em 1826 ao mundo contemporâneo, a história fala através de documentos raros


Exposição virtual assinala o bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, evocando dois séculos de diálogo político, religioso e cultural entre Brasília e o Vaticano. Intitulada “Brasil e Santa Sé: 200 anos de relações diplomáticas”, a mostra pode ser visitada gratuitamente no site da Fundação Biblioteca Nacional, permitindo ao público um percurso histórico sustentado em documentos raros, obras simbólicas e testemunhos visuais de grande valor patrimonial.

O marco inaugural destas relações remonta a 23 de janeiro de 1826, data em que o Papa Leão XII recebeu, oficialmente, as credenciais de Dom Francisco Corrêa Vidigal, primeiro representante diplomático do Brasil junto da Santa Sé. Esse gesto formalizou uma ligação que atravessou impérios, repúblicas, crises e reconstruções, acompanhando de perto os grandes momentos da história brasileira.

Para assinalar o bicentenário, a Fundação Biblioteca Nacional, vinculada ao Ministério da Cultura do Brasil, uniu esforços com a Embaixada do Brasil junto da Santa Sé, o Instituto Guimarães Rosa e a Pontificia Università Gregoriana, lançando a exposição virtual a 20 de janeiro. O lançamento coincide com a realização do seminário internacional “Brasil e Santa Sé: 200 anos de relações diplomáticas”, em Roma, com transmissão em direto no YouTube, alargando o alcance do evento a um público global.

Com curadoria de Marco Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, e cocuradoria de Mônica Carneiro, coordenadora de Acervos Especiais da instituição, a exposição reúne 115 peças do acervo da Biblioteca Nacional, cuidadosamente selecionadas para ilustrar a profundidade e a diversidade desta relação histórica. A organização temática distribui-se por onze módulos, que vão do período das navegações e da construção do imaginário do Novo Mundo, passando pela formação do Império do Brasil, a questão da escravidão, os conflitos entre Igreja e Estado, até às expressões de devoção popular e aos desafios contemporâneos.

A proposta curatorial sublinha a presença constante da Igreja Católica nos momentos decisivos da história do Brasil, não apenas como força religiosa, mas também como agente cultural, social e diplomático. Para além do enfoque institucional, a exposição valoriza a dimensão cultural dessas relações, revelando santos, ordens religiosas, figuras marcantes da Igreja no Brasil — como o Cardeal Arcoverde, primeiro cardeal latino-americano — e as primeiras grandes igrejas erguidas no território brasileiro.

Entre os destaques encontram-se mapas das navegações, relatos ilustrados sobre o Novo Mundo, documentos sobre as missões jesuíticas, a Constituição brasileira de 1824 e verdadeiras joias bibliográficas, como a Bíblia de Mogúncia, considerada o primeiro livro impresso em massa no Ocidente, bem como bulas papais de Alexandre VI e Inocêncio X. Um conjunto que confirma o papel da Biblioteca Nacional como guardiã de uma memória que ultrapassa fronteiras e séculos.

Nota do Editor – Portal Splish Splash
Num tempo em que a memória histórica é frequentemente resumida a datas soltas ou slogans fáceis, esta exposição virtual merece ser visitada com tempo e atenção. É um convite à leitura lenta da História, à compreensão das ligações profundas entre cultura, fé e diplomacia, e à valorização de acervos públicos que preservam, silenciosamente, a identidade de povos inteiros. 
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