Flamenco, absurdo e fé numa travessia emocional de La Chachi
O flamenco torna-se montanha — e a montanha, metáfora de tudo o que se deseja e se perde
O flamenco serve de ponto de partida para uma busca que se reinventa a cada tropeço. Em Os Intransponíveis Alpes, à procura do Currito, a coreógrafa andaluza María del Mar Suárez, conhecida artisticamente por La Chachi, conduz o público por uma travessia entre o trágico e o cómico, o riso e o desespero, o corpo e o abismo.
No palco, o “Currito” é uma presença ausente — talvez um amor, talvez uma crença, talvez um sonho impossível de alcançar. À sua volta, ergue-se uma montanha metafórica, símbolo da fé, da perda e da persistência humana.
A peça funde o flamenco com linguagens urbanas e contemporâneas — do krump ao voguing — criando um corpo que dança como quem escala. Cada movimento é um ato de resistência. Cada gesto, uma tentativa de tocar o inalcançável. A música ao vivo, com guitarra, percussão e voz, ganha protagonismo e confunde as fronteiras entre concerto e performance, arrastando o público num crescendo intenso e hipnótico.
Em cena, La Chachi dança o que não pode ser dito. A sua fisicalidade transforma o palco num território de confrontos e silêncios, num caminho serpenteante onde a emoção é mais forte do que a lógica. É impossível não seguir o seu olhar — ou desviar o nosso.
Ficha Artística
Ideia original, direção e interpretação: María del Mar Suárez (La Chachi)
Canto: Lola Dolores
Guitarra: Francisco Martín
Percussão: Isaac García
Iluminação: Azael Ferrer
Som: Pablo Contreras
Texto: Cristian Alcaraz
Olhar externo: Alberto Cortés
Figurino: Nantú
Produção em digressão: Inés Lambisto
Financiamento: Universidad de Málaga, Junta de Andalucía, Fundación Nina Carasso
Audiovisual: 99páginas / Tandem759
Desenho gráfico: Tiquismiquis.club
Comunicação e gestão: Luisa Hedo
Datas e local:
Centro Cultural de Belém – Pequeno Auditório
21 e 22 de novembro
Sexta às 20h00 · Sábado às 17h00
Espetáculo em espanhol com legendas em português e inglês
Dia 22: conversa pós-espetáculo com María del Mar Suárez e Luísa Saraiva
Sobre La Chachi
Natural de Málaga, María del Mar Suárez é atriz, bailarina e criadora com um percurso que desafia convenções. Formada em teatro e dança, especializou-se em flamenco com La Lupi e trabalhou com nomes como Alberto Cortés, Belén Maya e Fernando López. A sua estreia La Gramática de los Mamíferos recebeu três Prémios PAD e o Prémio Lorca de Melhor Intérprete Feminina. Seguiram-se obras marcantes como La Espera, Merdellona, El Movimiento e El último acto de fe. Em 2022, conquistou o Prémio Godot de Melhor Espetáculo de Dança com Los inescalables Alpes…, agora apresentado no CCB. Em janeiro de 2025, estreou Las Alegrías, no Centro Conde Duque, em Madrid.
Nota do Editor – Portal Splish Splash:
María del Mar Suárez (La Chachi) é uma das vozes mais ousadas da nova cena andaluza. O seu trabalho mistura tradição e rebeldia, dança e filosofia, numa estética que parece nascer das entranhas do flamenco para o reinventar. O espetáculo no CCB é uma oportunidade rara de assistir a uma artista que faz do corpo uma montanha e do palco um lugar de fé.
Obter link
Facebook
X
Pinterest
Email
Outras aplicações
Enviar um comentário
Comentários
DIGITE PELO MENOS 3 CARACTERES
Close
🍪 Este site usa cookies para melhorar a sua experiência.
✖
Tem curiosidade sobre um tema, um nome? Encontre aqui.
Flamenco, absurdo e fé numa travessia emocional de La Chachi
Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
Comentários
Enviar um comentário
🌟Copie um emoji e cole no comentário: Clique aqui para ver os emojis