Apenas 10 minutos de corrida moderada já beneficiam o cérebro, diz estudo

Você já certamente ouviu falar que correr é um esporte maravilhoso para o coração e a circulação das pernas, além de trazer benefícios para a pele e até para o cérebro. Recentemente, um estudo da Universidade de Tsukuba (Japão) descobriu que não é preciso muito tempo de corrida para beneficiar a saúde mental: apenas 10 minutos de corrida de intensidade moderada aumentam o fluxo sanguíneo local no córtex pré-frontal bilateral

Os pesquisadores da Universidade de Tsukuba (Japão) descobriram que apenas 10 minutos de corrida de intensidade moderada podem beneficiar a saúde mental. Tanto o humor quanto as funções cognitivas melhoraram, em análises por meio de exames e avaliações subjetivas

São Paulo – Fevereiro/2022 - Você já certamente ouviu falar que correr é um esporte maravilhoso para o coração e a circulação das pernas, além de trazer benefícios para a pele e até para o cérebro. Recentemente, um estudo da Universidade de Tsukuba (Japão) descobriu que não é preciso muito tempo de corrida para beneficiar a saúde mental: apenas 10 minutos de corrida de intensidade moderada aumentam o fluxo sanguíneo local no córtex pré-frontal bilateral - a parte do cérebro que desempenha um papel importante no controle do humor e das funções executivas. Esses achados podem contribuir para o desenvolvimento de uma gama mais ampla de recomendações de tratamento para beneficiar a saúde mental. “O exercício melhora o fluxo sanguíneo e protege a memória; estimula mudanças químicas no cérebro que apuram o aprendizado, o humor e o pensamento. O exercício mantém suas habilidades de raciocínio afiadas. Além de aperfeiçoar a saúde do coração, exercícios regulares de resistência, como correr, nadar ou andar de bicicleta, também podem promover o crescimento de novas células cerebrais e preservar as células cerebrais existentes. A liberação de endorfina gera reações de euforia e bem-estar, que também ajudam a manter o humor”, diz o Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella*, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). O estudo foi publicado no final de novembro na Scientific Reports, publicação do periódico Nature.

Segundo o estudo, há evidências claras de que a atividade física traz muitos benefícios, como a capacidade de melhorar o humor, mas em trabalhos anteriores, o ciclismo costumava ser a forma de exercício estudada. Correr, no entanto, sempre desempenhou um papel importante no bem-estar dos humanos. “A forma e a eficiência únicas da corrida humana, que inclui a capacidade de sustentar esse esforço, estão intimamente ligados ao sucesso evolutivo dos humanos”, destaca o estudo. O neuro-oncologista concorda: “Correr pode criar novos neurônios, ajudando o organismo a envelhecer com saúde”, diz o Dr. Gabriel.

Apesar desse fato, os pesquisadores ainda não haviam examinado de perto os efeitos da corrida nas regiões do cérebro que controlam o humor e as funções executivas. Dada a extensão do controle executivo necessário para coordenar o equilíbrio, o movimento e a propulsão durante a corrida, o estudo destaca que é evidente que haveria um aumento da ativação neuronal no córtex pré-frontal e que outras funções nesta região se beneficiariam com este aumento nos recursos cerebrais. “Alguns estudos já identificaram que os efeitos benéficos do treinamento físico são parcialmente impulsionados por adaptações no músculo. O exercício remodela a atividade intensificadora no músculo que está ligada às habilidades cognitivas, o que permite a identificação de fatores musculares secretados pelo treinamento de exercício e direcionados ao cérebro”, conta o geneticista Dr. Marcelo Sady*, Pós-Doutor em Genética e diretor geral Multigene.

Para testar a hipótese, a equipe de pesquisa coletou dados sobre as alterações hemodinâmicas associadas à atividade cerebral enquanto os participantes estavam envolvidos em cada tarefa. Na tarefa Stroop Color-Word Test, informações incongruentes são mostradas, ou seja, a palavra ‘vermelho’ é escrita em verde e o participante deve nomear a cor em vez de ler a palavra. Para fazer isso, o cérebro deve processar os dois conjuntos de informações e inibir as informações estranhas. O efeito de interferência do Stroop foi quantificado pela diferença nos tempos de resposta para esta tarefa e aqueles para uma versão mais simples da tarefa - indicando os nomes das amostras de cores.

Os resultados demonstraram que, após 10 minutos de corrida de intensidade moderada, houve uma redução significativa no tempo de efeito de interferência do Stroop. Além disso, a ativação pré-frontal bilateral aumentou significativamente durante a tarefa de Stroop. Após a corrida, os participantes relataram estar de melhor humor. “Isso foi apoiado por descobertas de ativações coincidentes nas regiões corticais pré-frontais envolvidas na regulação do humor", conclui o estudo. Dado que muitas características do córtex pré-frontal humano são exclusivamente humanas, este estudo não apenas lança luz sobre os benefícios atuais da corrida, mas também sobre o possível papel que esses benefícios podem ter desempenhado no passado evolutivo dos humanos.

*DR. GABRIEL NOVAES DE REZENDE BATISTELLA: Médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).*DR. MARCELO SADY: Pós-doutor em genética com foco em genética toxicológica e humana pela UNESP- Botucatu, o Dr. Marcelo Sady possui mais de 20 anos de experiência na área. Speaker, diretor Geral e Consultor Científico da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem, o especialista é professor, orientador e palestrante. Autor de diversos artigos e trabalhos científicos publicados em periódicos especializados, o Dr. Marcelo Sady fez parte do Grupo de Pesquisa Toxigenômica e Nutrigenômica da FMB – Botucatu, além de coordenar e ministrar 19 cursos da Multigene nas áreas de genética toxicológica, genômica, biologia molecular, farmacogenômica e nutrigenômica. 
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