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domingo, abril 04, 2021

Não comprei o fato, mas ainda guardo o botão

Hoje fui confrontado com uma foto no Facebook que muito me surpreendeu e gostaria de a partilhar com os meus amigos, mas antes, para melhor compreenderem a foto e a minha surpresa, vamos recuar no tempo, mais precisamente ao século XVI, para vos falar do Rei D. Sebastião


Por: Armindo Guimarães

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Hoje fui confrontado com uma foto no Facebook que muito me surpreendeu e gostaria de a partilhar com os meus amigos, mas antes, para melhor compreenderem a foto e a minha surpresa, vamos recuar no tempo, mais precisamente ao século XVI, para vos falar do Rei D. Sebastião, que reinou em Portugal de 1557 até ao seu desaparecimento em 1578, durante a chamada Batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos, uma batalha que se deveu à sua ideia de reviver as glórias da Reconquista Cristã e que lhe foi cara porque Portugal foi derrotado nessa batalha, sendo que de D. Sebastião, não havendo nada que provasse a sua morte durante a batalha, o povo ainda hoje aguarda a sua chegada a terras lusitanas, numa manhã envolta em nevoeiro, ficando para a História com o cognome de "O Desejado".


Depois desta pequena introdução histórica, posso agora prosseguir acerca da foto que hoje vi no Facebook e que muito me surpreendeu: 


Sebastião, é o nome do meu padrinho que tinha 10 aninhos quando assumiu tão importante desígnio. Por essa altura, quem dava o nome aos filhos eram os respetivos padrinhos, sendo que era usual darem ao batizado os seus próprios nomes e os pais só rezavam para que os padrinhos tivessem bom senso na escolha do nome.


Alguém na família sugeriu que o meu nome fosse Sebastião Armindo, mas o meu padrinho logo se insurgiu contra a ideia, dizendo que Desejado estava ele ali e chegava, sugerindo Isolino, já que o seu nome era (e ainda é e há de ser ainda por muitos anos), Sebastião Isolino. Sendo Arminda o nome da minha madrinha, eu seria, então, Isolino Armindo, mas como não soava nada bem, os padrinhos acordaram em Armindo Isolino e ficou o assunto arrumado.


Entretanto, à medida que os anos foram passando, fui-me apercebendo que, de facto, o meu padrinho, já com 20 anos e eu com 10, era, qual D. Sebastião, desejado pelas garotas que por ele passavam, em especial por aquelas que trabalhavam na Fábrica Nogueira, lá na rua, e que quando viam o James Dean português, ficavam ali feitas palermas à entrada da fábrica, sem saberem se estava na hora de saída ou de entrada.


Por essa altura eu ainda cumpria aquele ritual anual do Dia de Ramos, indo a casa do meu padrinho entregar-lhe o ramo de flores que ele retribua com uns pacotes de amêndoas tipo francês e uma prenda surpresa, até que num ano, esqueceu-se das amêndoas e para compensar, sabem qual foi a prenda surpresa? Um envelope fechado que quando cheguei a casa logo o abri, vendo no seu interior um botão preto e uma carta que dizia: "Meu afilhado querido, este ano, como não tive tempo de comprar as habituais amêndoas, primei para que a prenda surpresa fosse melhor do que as anteriores, ajudando-te na compra de um fato."


Não comprei o fato, mas ainda guardo o botão.


Com o passar dos anos, deixou de haver ramo e amêndoas pela Páscoa, mas a amizade continua a mesma e acho que ele faz mesmo questão disso pois hoje, Dia de Páscoa, colocou como foto de capa da sua página no Facebook aquela foto com ele em grande estilo e por cima dele, em letras garrafais, aparece escrito: O PADRINHO, como que a lembrar-me que ainda o é.


Há coisas do carago!

Homenagem a El-Rei D. Sebastião de Portugal

Um comentário:

  1. Que belas lembranças menino Armindo, imagino como deves ter ficado quando viste um "botão preto" dentro do envelope, para ajudar-te na compra de um "fato" (convém dizer aos brasucas, que a palavra "fato", em Portugal, significa o conjunto de duas, ou mais, peças de vestuário) eheheheheheh...teu padrinho Sebastião te deu uma bela de uma surpresa, né?
    Gostei de assistir o vídeo contando a história do Rei D. Sebastião.
    Beijinhos 😍😘💙

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