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sábado, março 20, 2021

CANECÃO – Um marco na carreira de ROBERTO CARLOS



“Aqui se escreve a história da música popular brasileira” 

(Ronaldo Bôscoli, compositor, produtor musical e jornalista)



Por: Carlos Marley*



Canecão foi uma tradicional casa de espetáculos, localizada entre a Avenida Venceslau Braz e a Rua Lauro Mulller em Botafogo, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro. O seu fundador foi o empresário paulista Mario Priolli, falecido em 2018. Originalmente foi criada como uma grande cervejaria, daí o nome Canecão.


Inaugurada no ano de 1967, tornou-se uma das grandes referências nacionais para espetáculos de médio e grande porte.


Durante a sua existência (1967 – 2010) passaram pelo o seu palco os mais consagrados artistas nacionais e internacionais dos mais variados gêneros.

 

O primeiro evento sediado pelo Canecão foi a Feira da Providência, apresentada pela atriz e cantora Bibi Ferreira.


Dois anos depois (1969) estreou como lugar de shows com o espetáculo de Maysa com o título “Canecão apresenta Maysa”, dirigido pela atriz e cantora Bibi Ferreira.


No ano de 1970, a conceituada dupla Miéle e Bôscoli, que já tinha sido responsável pela direção de Elis Regina, produziu o primeiro grande show de Roberto Carlos no Canecão. O show se chamou “A 200 km por hora”, nome inspirado na paixão de Roberto Carlos por carros. A estreia ocorreu no dia 3 de setembro e permaneceu em cartaz até 29 de novembro de 1970. Neste show, o rei foi acompanhado pela primeira vez por uma orquestra, tendo como regente o maestro Chiquinho de Moraes. O cenário temático apresentou  enormes conta giros, painel de carros e contou também com a presença de um carro de Fórmula 1 no palco. Roncos de motores foram utilizados como efeitos especiais.


Foi um momento histórico no Canecão e um marco na carreira de Roberto Carlos, que se apresentou com uma calça de veludo vermelha e um colete   preto com franjas em tiras, deixando a mostra o grande medalhão pendente no peito. Complementando o visual usou um cinto de couro enfeitado com pequenos detalhes.


Foi no Canecão que Roberto Carlos estreou outras temporadas históricas. Confira abaixo alguns desses shows e a respectiva data da estreia:


“Além da Velocidade” no dia 14 de novembro de 1973 (Elis Regina e Wilson Simonal subiram ao palco e cantaram com Roberto Carlos no último dia da temporada);

“Roberto Carlos” no dia 25 de novembro de 1975;

“Roberto Carlos” (conhecido como o “Show do “Palhaço)” no dia 29 de

novembro de 1978 (estreia de Eduardo Lages como maestro do rei);

“Emoções” no dia 11 de dezembro de 1981;

“Detalhes” no dia 21de janeiro 1987;

“Coração” no dia 22 de fevereiro de 1991.


Em junho de 2007, o Canecão completava 40 anos de fundação e Roberto Carlos voltava a seu palco para uma nova temporada, após um longo hiato. A estreia ocorreu no Dia dos Namorados (12). Foi o primeiro show depois da polêmica provocada pela biografia não-autorizada “Roberto Carlos em Detalhes”.


Durante o show do dia 22 de junho, Roberto Carlos fala da  importância do Canecão na sua vida. No início da sua fala ele se engana ao citar o mês do show como sendo agosto, provocando risos da plateia. Bem humorado faz a correção e comenta, fazendo uma insinuação a  polêmica da censura à biografia não-autorizada: “No dia que eu escrever meu livro”. Com sorrisos do público ele continua: “No dia que eu escrever a minha biografia, isso se eu autorizar”. Depois de novas risadas observa: “Só uma brincadeira, não poderia perder essa bola quicando. Certamente, vou dedicar algumas páginas ao Canecão, pela importância que o Canecão tem na minha vida. Foi aqui que Miéle e Bôscoli produziram quase todos, quase todos não, todos os shows que eu fiz aqui e com certeza foi aqui que eu via a primeira oportunidade de fazer um show com uma grande produção, com uma grande orquestra que ainda não tinha feito”, declarou.



O palco do Canecão também serviu de cenário para capa do LP/CD “Roberto Carlos” lançado em 1970. Este primeiro registro fotográfico do Canecão na discografia do rei foi feito pela fotógrafa baiana Thereza Eugênia. Foi a sua estreia no mundo musical e quase deu errado, pois ela só tinha trabalhos amadores quando foi chamada para registrar o show de Roberto Carlos no Canecão. Não tinha uma câmera profissional. Pediu uma máquina emprestada ao gerente do Canecão. “As imagens ficaram escuras, mas o Roberto adorou e escolheu uma delas para ser usada na capa de seu disco de 1970”. Disse Thereza Eugênia.


Muitos shows realizados no Canecão foram gravados e eternizados em disco. Entre eles o álbum “Roberto Carlos ao Vivo”, lançado em 1988, que contou com a participação de Gabriela na canção “Imagine”. 


Entre os discos gravados por outros artistas no Canecão, selecionamos quatro deles para trazer as curiosidades relacionadas a Roberto Carlos.  

 

Capas dos álbuns:  


    

1 – “Canecão apresenta Maysa” –Show da temporada de 1969. Neste álbum Maysa interpreta “Se você pensa” da dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos;

2 – “Amália no Canecão (Rio de Janeiro)” – Gravado em 1972. Entre as canções do álbum estão três do repertório de Roberto Carlos: “Nem as paredes confesso”, “Coimbra” e “Canzone per te”;

3 – “Tom * Vinicius * Toquinho * Miúcha” - Gravado em 1977, durante um memorável show. Sobre a temporada deste show Toquinho comentou na sua página: “Houve momentos de “canjas” antológicas. Uma noite, sem que ninguém soubesse, Roberto Carlos entrou cantando “Lygia”, desde a coxia, e foi cantá-la junto com oTom”;

4 – “Martinho da Vila – 3.0 Turbinado” – Gravado em 1998. Neste álbum Martinho canta “Cama e mesa” de Roberto e Erasmo Carlos em ritmo de samba.


Outro momento de Roberto Carlos no Canecão foi no VII Baile Oficial da Cidade, que abriu o carnaval de 1982. O rei fantasiado com uma vestimenta árabe caiu na folia acompanhado da então mulher Myrian Rios.



Depois de 43 anos e de uma grande batalha judicial o Canecão fechou as suas portas no dia 16 de outubro de 2010. Bibi Ferreira, que havia comandado a festa de abertura da então cervejaria em 1967, fez o último show da casa de espetáculos que tinha como título “De Pixinguinha a Noel, passando por Gardel”.


O fechamento do Canecão deixou uma grande lacuna no mundo do entretenimento na cidade do Rio de Janeiro, como também encerrou um capítulo da história da música popular brasileira. 


Se no futuro o Canecão voltar a funcionar como casa de espetáculos, a frase de Ronaldo Bôscoli estampada há anos na sua fachada vai ter que mudar o tempo do verbo.



*Carlos Marley, nasceu na cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará – Brasil, onde reside. Formado em Ciências Contábeis, pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Auditoria. Auditor Fiscal aposentado da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará. Leia mais sobre o autor... 


Roberto Carlos no Canecão - 1979
Armindo Guimarães

Sobre o autor

Armindo Guimarães - Escriva das coisas da Vida e da Alma. Administrador, Editor e Redator do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Leia Mais sobre o autor...

8 comentários:

  1. Alguem sabe porque o Canecão foi fechado?

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    1. Caro Janderson, como disse o amigo Marley no maravilhoso texto, "Depois de uma grande batalha judicial o Canecão fechou as suas portas no dia 16 de outubro de 2010."
      E o motivo foi uma guerra de liminares, envolvendo a Universidade Federal do Rio de Janeiro, proprietária do terreno, e o antigo inquilino, o empresário Mário Priolli. A batalha na Justiça teve fim, a UFRJ saiu vitoriosa e retomou a posse da propriedade.

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  2. Uma matéria sensacional amigo Marley!
    Parabéns!

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  3. Excelente artigo. Parabéns, amigo Marley. Abraço Robertocarlistico!

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  4. Nobres colegas Janderson, Alba,Armindo e Fabiano deixo aqui os meus agradecimentos por deixarem os seus comentários.

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  5. Obrigado pela sensacional matéria sobre a origem do Canecão e a importância dele no cenário nacional, agradeço também por ter usado um dos videos postados do meu Canal AAT pra complementar essa reportagem.

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  6. Nobre colega Sassan, agradeço o seu comentário. O vídeo foi uma sugestão do administrador do portal e abrilhantou o texto.

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