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quarta-feira, janeiro 20, 2021

Conceituado mágico português enfrenta Covid-19 e dá cartas com o seu testemunho

Depoimento do conhecido mágico português Mário Daniel, que tendo sido infetado pelo Covid-19, decidiu, depois de restabelecido, apresentar o seu testemunho acerca da sua experiência enquanto infetado e os perigos que todos corremos se negligenciarmos ou desvalorizarmos as devidas precauções pondo em perigo a nossa sobrevivência e a de quem nos rodeia.


"Precisamos de nos UNIR para que MAGIA aconteça e possamos vencer este vírus e assim poupar vidas. Será que seremos capazes de o fazer novamente?” 


Por: Armindo Guimarães
 
Em Portugal e no Mundo, lutar contra o Covid-19 é ao mesmo tempo uma corrida contra o tempo, já que nos hospitais dia para dia se multiplicam o número de internados e de mortos, pese embora os confinamentos decretados pelos governos que muitos teimam em não cumprir e, pior ainda, desvalorizar com o ridículo argumento que tudo não passa de uma conspiração a nível mundial para nos obrigar a ficar em casa quietinhos sem podermos ir para a rua exercer o direito à manifestação, piores do que São Tomé que nem vendo nas TVs acreditam.

Daí que campanhas de sensibilização para a realidade são sempre bem-vindas, diria mesmo, necessárias. Por exemplo, é estranho que as TVs e as rádios (salvo raras exceções), não apresentem testemunhos de quem foi infetado pelo malfadado vírus e o que sofreu até à recuperação. Afinal, tal sensibilização é usada, recordo, nos maços de cigarro, com imagens chocantes, frases de alerta e o número do telefone do serviço de Saúde que disponibiliza ajuda para deixar de fumar, alertando os fumadores para os malefícios do tabaco.

Acontece que hoje fui surpreendido nas redes sociais, designadamente no Facebook, pelo depoimento do conhecido mágico português Mário Daniel, que tendo sido infetado pelo Covid-19, decidiu, depois de restabelecido, apresentar o seu testemunho acerca da sua experiência enquanto infetado e os perigos que todos corremos se negligenciarmos ou desvalorizarmos as devidas precauções pondo em perigo a nossa sobrevivência e a de quem nos rodeia.

Com a devida vénia, abaixo transcrevo na totalidade o testemunho de Mário Daniel, publicado no Facebook em 18-01-2021.


“Há cerca de um mês, apanhei COVID. Nos dois dias que anteciparam os primeiros sintomas, contaminei 2 das cerca de 8 pessoas com quem lidei por motivos de trabalho.

Felizmente e de forma quase inexplicável, a minha mulher - que está grávida e que esteve sempre comigo ao longo desses dois dias - não apanhou. Isolei-me mal senti sintomas e avisei toda a gente com quem estive. As pessoas a quem transmiti foram (à exceção da minha mulher) aquelas com quem comi na mesma mesa.

Felizmente para mim e para os “meus”, os nossos sintomas foram claros, mas pouco severos. Mas nunca (só para esclarecer) que dessem para confundir com os de uma gripe. E não digo que não tenha já tido gripes mais severas, mas posso garantir que é, realmente, muito diferente.

Recentemente, tenho lido demasiados comentários negacionistas relativos à doença e/ou à sua gravidade e até me tenho envolvido em trocas de mensagens, provavelmente inglórias, mas sempre com aquela réstia de esperança de que se possa mudar uma outra mentalidade... E bom, confesso que, às vezes, só para lhes responder à letra. Apesar de mágico, sou humano.

Tivemos uma primeira vaga pouco severa quando comparada à dos nossos países vizinhos, não só porque as medidas foram adequadas, mas também porque ficámos cheios de medo e diminuímos os comportamentos de risco. Funcionámos como uma equipa em que todos lutam pelo mesmo objetivo - até ao nível político tivemos esse comportamento, o que se revelou fundamental.

Como esses números foram baixos, lá surgiram os grupos que desacreditaram a doença, políticos que a subestimaram e que arrastaram (e arrastam) milhares para um negacionismo parvo. Que negam o problema e a solução.

O SNS chegou ao ponto de ruptura, o que faz com que a doença acabe por matar mesmo quem, supostamente, não morreria dela. Faz com que outras patologias não sejam tratadas porque já não há “espaço” físico nem recursos humanos para as tratar. E a culpa não é do governo. A culpa é NOSSA. Já há muito que entendemos as “regras do jogo”, mas, muitas vezes, não somos capazes de as cumprir. Uns mais do que outros.

Costumo descrever MAGIA como uma emoção, um estado de alma, que não se explica, sente-se. Por vezes, quando consigo UNIR os meus truques à história certa, à música certa e no contexto certo, tenho eu próprio essa sensação de que a magia existe mesmo e que a transmito a quem está na plateia.

Precisamos de nos UNIR para que MAGIA aconteça e possamos vencer este vírus e assim poupar vidas. Será que seremos capazes de o fazer novamente?” 

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