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quarta-feira, dezembro 02, 2020

Estudo diz que toxina botulínica pode ser usada para tratamento de depressão

Figurando entre os procedimentos estéticos não cirúrgicos mais realizados no Brasil e no mundo, a toxina botulínica é uma das principais opções para a correção de rugas e marcas de expressão


Pesquisa publicada na revista médica Scientific Reports apontou que pacientes que se submeteram à aplicação da toxina botulínica para diversas finalidades apresentaram quadros depressivos com menor frequência.


São Paulo – 01/12/2020 - Figurando entre os procedimentos estéticos não cirúrgicos mais realizados no Brasil e no mundo, a toxina botulínica é uma das principais opções para a correção de rugas e marcas de expressão, visto que, se aplicada corretamente, a substância é capaz de paralisar a musculatura, eliminando, consequentemente, as rugas da região. Mas se engana quem acredita que esta é a única funcionalidade da toxina. “Inicialmente, a toxina botulínica era utilizada pela oftalmologia, para o tratamento de blefaroespasmo, passando em seguida a ser usada no tratamento de espasmos musculares em pacientes neurológicos. Só muito tempo depois a substância passou a ser aplicada para o tratamento de rugas e hoje pode ser utilizada para diversos fins, desde tratamento de enxaqueca até melhora de cicatrizes”, explica o cirurgião plástico, Dr. Mário Farinazzo, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). E, com o avanço das pesquisas médicas, cada vez mais funcionalidades da toxina botulínica são descobertas. Por exemplo, um estudo publicado em julho desse ano na revista médica Scientific Reports apontou que a substância também pode ser utilizada no tratamento de quadros depressivos.


Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram um banco de dados de cerca de 40 mil pessoas que se submeteram à aplicação de toxina botulínica para verificar o que esses pacientes experenciaram após o tratamento. A partir dessa avaliação, os estudiosos observaram que pessoas que receberam injeções da substância em seis diferentes locais relataram depressão com frequência de 40 a 80% menor do que pacientes submetidos a tratamentos diferentes para as mesmas condições. “A relação entre depressão e toxina botulínica já é conhecida há algum tempo, visto que muitos cirurgiões notam uma melhora nos quadros depressivos após o tratamento. Mas até então acreditava-se que esse efeito estava ligado à amenização das linhas na testa, o que impede certas expressões que reforçam emoções negativas. No entanto, o presente estudo apontou que essa relação ocorre não importando onde a toxina é aplicada”, destaca o Dr Mário.


Dessa forma, o estudo mostra-se de grande relevância por apresentar uma nova alternativa de tratamento para uma doença extremamente comum e perigosa. No entanto, ainda é preciso mais pesquisas para entender realmente o mecanismo por trás do impacto da toxina botulínica em quadros depressivos. De acordo com os autores do estudo, algumas possibilidades incluem o transporte da substância para regiões do sistema nervoso central envolvidas no controle das emoções ou a ação terapêutica da toxina sobre condições que podem contribuir e agravar quadros depressivos. “É importante ressaltar que o estudo possui algumas limitações, visto que, apesar dos estudiosos terem excluído relatos de pessoas que tomavam antidepressivos, é possível que alguns indivíduos tenham ingerido medicamentos dessa classe sem notificarem. Logo, mais estudos são fundamentais antes que a toxina botulínica seja incluída na lista de tratamentos para depressão”, completa o cirurgião.


Outras indicações – Enquanto a ação da toxina botulínica em quadros de depressão ainda está em estudo, outras indicações da substância já são comprovadas cientificamente e amplamente utilizadas. Por exemplo, em casos de paralisia facial, a toxina botulínica pode ser utilizada para melhorar a assimetria da face causada pela contração dos músculos, melhorando assim a harmonia do rosto. Além disso, a substância pode ser utilizada na melhora de cicatrizes hipertróficas e queloides. “A toxina botulínica pode ajudar para que a cicatrização ocorra de forma adequada, sendo usada preventivamente, já no dia da cirurgia, quando há necessidade de reduzir a tensão local para dar pontos na pele, evitando assim a formação de cicatrizes espessas e inestéticas”, completa o especialista.


Doenças de pele, como a acne e a rosácea, também podem ser tratadas com a toxina botulínica, bem como a sudorese excessiva. Porém, é fundamental utilizar a toxina com cuidado e apenas sob orientação médica, já que o uso indiscriminado da substância, em grandes doses ou em um espaço de tempo muito curto, pode levar a uma tolerância à toxina, que não fará mais efeito.  “Por isso, o mais importante é que você consulte um médico antes de realizar qualquer procedimento. Apenas ele poderá realizar uma avaliação e indicar o melhor tratamento para seu caso”, finaliza o Dr Mário Farinazzo.


FONTE: DR. MÁRIO FARINAZZO - Cirurgião plástico, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Chefe do Setor de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Formado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o médico é especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Professor de Trauma da Face e Rinoplastia da UNIFESP e Cirurgião Instrutor do Dallas Rinoplasthy™ e Dallas Cosmetic Surgery and Medicine™ Annual Meetings. Opera nos Hospitais Sírio, Einstein, São Luiz, Oswaldo Cruz, entre outros. www.mariofarinazzo.com.br


Estudo: https://www.nature.com/articles/s41598-020-69773-7

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