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11/12/2020

Parceria viabiliza projeto para qualificar a educação infantil no Brasil

Segundo dados do IBGE, o Brasil possui 20,6 milhões de crianças de 0 a 6 anos, sendo que 1 em cada 3  vive na pobreza ou extrema pobreza, sem as condições básicas para atingir seu pleno potencial


Segundo dados do IBGE, o Brasil possui 20,6 milhões de crianças de 0 a 6 anos, sendo que 1 em cada 3  vive na pobreza ou extrema pobreza, sem as condições básicas para atingir seu pleno potencial. É sabido que uma das estratégias mais eficazes para romper o ciclo intergeracional da pobreza é investir em educação infantil de qualidade. Por isso, o Movimento Bem Maior, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e o Itaú Social se uniram para investir em sistemas de avaliação da qualidade de creches e pré-escolas no país


A ciência aponta que uma das fases mais relevantes para o desenvolvimento de um ser humano é a primeira infância, período que vai do nascimento aos 6 anos. Ela costuma ser chamada de janela de oportunidades, quando o cérebro trabalha a uma velocidade incrível – são mais de um milhão de novas conexões por segundo. Para se ter uma ideia, 90% do cérebro está formado até essa idade. Portanto, as experiências vividas nesse momento terão  impacto durante todo o processo de desenvolvimento. Então, elas devem ser o mais ricas e positivas possível.

 

Cientes disso, o Movimento Bem Maior, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e o Itaú Social se uniram com o propósito de viabilizar a implementação de um estudo nacional de avaliação da educação infantil. Inspirada em uma iniciativa liderada pela UNESCO, com participação do UNICEF, Brookings Institution e Banco Mundial, a ação visa monitorar a qualidade da aprendizagem em creches e pré-escolas por meio do instrumento MELE (Measuring Early Learning Environment), que observa o ambiente das instituições de educação infantil e os processos pedagógicos. O parceiro técnico responsável pelo estudo será o Lepes (Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social) da Universidade de São Paulo. 


O Brasil avançou nos últimos anos no acesso à educação infantil, mas deve haver a garantia de que as crianças estejam recebendo um serviço de qualidade. Sabemos que profissionais qualificados, práticas pedagógicas enriquecidas, espaços físicos e materiais apropriados são essenciais, mas para investir na melhoria do serviço, antes, é preciso saber em que aspectos ele precisa ser aprimorado. Nesse ponto, o caminho é a avaliação.

 

O estudo será aplicado em 12 municípios brasileiros, com o objetivo de implementar essa metodologia em todas as regiões do país, de modo a contemplar qualitativamente a diversidade de contextos do Brasil. Serão avaliadas 1.005 escolas e  4.020 turmas de 2 a 5 anos de idade. Espera-se que os resultados sirvam de norteador para inspirar o aprimoramento da educação infantil no país.

 

“Temos que investir na primeira infância e ampliar o direito à educação a todas as crianças pequenas, desde seu nascimento, pois isso representa uma conquista importante para a sociedade brasileira. Um estudo do economista norte americano James Heckman, prêmio Nobel de Economia de 2000, mostra que cada dólar investido nessa fase da vida traz um retorno de até 13% ao ano para a sociedade. Segundo suas pesquisas, as crianças de famílias pobres que têm acesso à educação infantil de qualidade conquistam salários, em média, 25% maiores na vida adulta em relação àquelas que não tiveram essa oportunidade. O Movimento Bem Maior acredita nisso e temos certeza que essa parceria pode acelerar o ritmo das mudanças educacionais no Brasil", conta Carola Matarazzo, Diretora Executiva do Movimento Bem Maior.

 

Segundo Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, melhorar a qualidade da educação infantil abre caminho para um futuro com mais perspectivas e um país com mais equidade. “O que não se pode medir, não se pdoe melhorar. Portanto, é com muita satisfação que iniciamos essa parceria. Investir em educação infantil de qualdiade é uma das estratégicas mais eficazes na diminuição das desigualdades e na quebra do ciclo intergeracional da pobreza”, diz. 


Para Patrícia Mota Guedes, gerente de pesquisa e desenvolvimento do Itaú Social, é importante evidenciar este recorte da educação como prioritário. “Experiências e ambientes estimulantes na primeira infância são fundamentais para garantir o potencial de desenvolvimento que toda criança tem e que sustentará toda sua trajetória educacional com maior sucesso. Identificar e promover essas melhores experiências são essenciais para o desenho de ações que apoiem os tomadores de decisões”.

 

Biênio da Infância


Até o ano que vem, uma série de medidas serão colocadas em prática para promover o desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida. A Lei 13.960 instituiu o Biênio da Primeira Infância do Brasil no período de 2020 a 2021, com o objetivo fomentar a parceria entre iniciativas do poder público e entidades médicas, organizações da sociedade civil e universidades para a criação de conteúdos que sensibilizem e informem sobre a importância do investimento nas crianças pequenas. 


Entre as atividades do Biênio estão seminários com especialistas brasileiros e estrangeiros, audiências com famílias e organizações da sociedade civil e o desenvolvimento de políticas públicas intersetoriais.

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