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1/15/2019

BREXIT: incertezas e expectativas


Por: Francisco Américo Cassano*

Decorridos pouco mais de dois anos e meio do plebiscito de 23/06/2016, que resultou na ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa e a saída do Reino Unido da União Europeia – UE, nesta data ocorre um evento decisivo para que o BREXIT se concretize sob a forma acordada pela Primeira Ministra Theresa May com a liderança da UE.

Trata-se da votação do Parlamento britânico para aprovação da proposta de acordo apresentada por May. E, no entanto, permanece um clima de intensa expectativa sobre os desdobramentos que o resultado dessa votação provocará ao seu redor:

No caso do “sim” à votação do acordo, com pequena chance de ocorrer, passam a valer os termos acertados e a desvinculação seguirá os trâmites normais com desfecho em 29/03/19;

No caso do “não”, a oposição a May está confiante nessa possibilidade, diversas consequências poderão advir:

Saída do Reino Unido sem acordo com a UE: essa é a opção mais extremada, com ruptura imediata dos procedimentos comerciais e migratórios;

Início de uma renegociação dos termos de saída, sob a aprovação dos 27 Estados-membros da UE, com alteração do processo de saída e estabelecimento de nova data para isso (neste caso, seria necessária a extensão do prazo para saída);

Com um possível impasse na votação de hoje, May poderá convocar eleição geral para conquistar força política (caso seja vencedora) e obter aprovação imediata da sua proposta de acordo já negociada com a UE (também necessária a extensão do prazo de saída);

Oposição pode solicitar um voto de desconfiança e May deverá deixar a liderança do Governo (essa possibilidade já havia sido negociada, com o seu Partido, em relação a outro voto de desconfiança que May conseguiu superar).

Dessa forma, e diante da intensidade das expectativas, fica claro que o BREXIT não foi uma decisão planejada e avaliada em todo o seu conjunto de consequências, tanto para o Reino Unido como para a UE. Inclusive, não está descartada a possibilidade de realização de novo plebiscito sobre o tema.

Importante destacar que, seja qual for o resultado da votação de hoje (e das consequências derivadas do mesmo), haverá desdobramentos ainda imprevisíveis na economia mundial e, por extensão, na economia brasileira.

*Francisco Américo Cassano é doutor em Ciências Sociais e Relações Internacionais, professor pesquisador de Relações e Negócios Internacionais na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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