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12/13/2018

Dia Nacional do Deficiente Visual: dispositivo de inteligência artificial permite ao cego ler e reconhecer rostos e produtos

OrCam MyEye-Divulgação

O aparelho tem câmera intuitiva acoplada à armação dos óculos do usuário que fotografa, escaneia e transforma textos de qualquer superfície em áudio instantaneamente, além de reconhecer rostos e produtos; dispositivo já pode ser financiado em até 60 vezes pela linha de crédito do Governo Federal para tecnologias assistivas.

A Mais Autonomia Tecnologia Assistiva acaba de lançar a versão 2.0 do OrCamMyEye, tecnologia revolucionária que oferece independência às pessoas com deficiência visual, déficit de leitura, dislexia e síndrome de down. O aparelho fotografa, escaneia e transforma instantaneamente textos de qualquer superfície em áudio. Isto acontece com livros, jornais, revistas, placas de rua, cardápios de restaurantes, nomes de lojas, mensagens do celular, folhetos etc.

O potencial de pessoas que podem ser beneficiadas em todo o mundo supera 1 bilhão. Números da OMS (Organização Mundial da Saúde) revelam o potencial de pessoas que podem ser beneficiadas: 17% da população mundial têm dislexia e 5% sofrem de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Com relação à Síndrome de Down, a OMS aponta que a cada 1.100 crianças nascidas no mundo, uma possui a anomalia genética do cromossomo 21. São 300 mil famílias afetadas no Brasil e 250 mil nos Estados Unidos. Já o número de deficientes visuais no planeta atinge 380 milhões.

Capaz de detectar textos em português, inglês e espanhol, o dispositivo possui controle de velocidade, possibilitando a leitura de 100 a 250 palavras por minuto; permite escolher entre voz masculina e feminina; e tem comandos para pausar, adiantar ou retroceder a leitura. Tudo isso offline.

“Cerca de 80% das atividades que realizamos no dia a dia estão relacionadas à leitura. O OrCam MyEye proporciona, com o poder da visão artificial, a inclusão, ao oferecer acesso à informação disponível aonde a pessoa estiver. Com este dispositivo é possível ler até uma revista de bordo, a 10 mil metros de altura”, explica Doron Sadka, diretor da Mais Autonomia Tecnologia Assistiva, distribuidora exclusiva da OrCam no Brasil. 

Dotado de uma câmera inteligente intuitiva acoplada à armação dos óculos do usuário, o OrCam MyEye é a única tecnologia que reconhece até 200 produtos previamente cadastrados. Após o reconhecimento, retransmite a informação discretamente no ouvido do usuário.

O equipamento conta ainda com uma tecnologia avançada de reconhecimento de faces que auxilia o usuário a identificar as pessoas ao seu redor. É possível cadastrar até 150 rostos. Sempre que o usuário passar por uma pessoa cadastrada, o dispositivo reconhece o nome de maneira instantânea e automática, revelando quem está à sua frente. Além disso, detecta as pessoas por gênero quando não estão cadastradas.

O OrCam MyEye identifica produtos por meio de códigos de barra; reconhece cores com um simples toque; e, por ser dotado de leds, opera também no escuro. Possui reconhecimento automático de notas de dinheiro (Real e Dólar) e informa a hora e a data sempre que o usuário girar o punho, como se estivesse com um relógio. Sua bateria integrada tem duração contínua de 2 horas e necessita de apenas 20 minutos para o carregamento.

O OrCam My Eye pode ser financiado em até 60 vezes pela linha de crédito do Governo Federal para tecnologias assistivas, através do Banco do Brasil.

Exemplos de inclusão

“Com o OrCam My Eye, consegui pela primeira vez folhear livros em uma livraria. Difícil  descrever a sensação porque muitas vezes não valorizamos  nossa liberdade de escolha, que de tão simples, esquecemos de lembrar. Isso é inclusão. Poder escolher uma ou várias  formas para ter acesso a leitura”, afirma Marina Guimarães,  escrevente do tribunal de Justiça  e bailarina da associação Fernanda Bianchini - Ballet de cegos.

“Vai ajudar na escola porque eu não vou precisar mais de auxiliar – é só eu olhar para o livro, apontar ou apertar o play, que ele vai ler para mim”, comenta Giulia Rodrigues, 11 anos, filha do jogador Roger, do Corinthians.

"A tecnologia do OrCam é fantástica e eficaz.  A OrCam conseguiu juntar em um único equipamento tudo aquilo que a gente busca em vários aplicativos no celular", João Anadão, analista de sistemas do Banco Itaú.

"Um dos meus sonhos era sentar em um trem do metrô ou ônibus e abrir o meu livro ou revista para ler como qualquer um. Hoje, graças a Deus e a tecnologia da OrCam posso fazer isto”, relata Jucilene Braga, psicóloga e coaching.

A palavra dos especialistas

A oftalmologista Juliana Sallum, professora do Departamento de Oftalmologia da Unifesp e diretora do Instituto de Genética Ocular, diz que o OrCam MyEye é uma ferramenta excelente para melhorar o dia a dia dos pacientes. “Devolver a capacidade de leitura inclui na sociedade a pessoa com deficiência visual”.

“O OrCam MyEye tem um potencial de aplicação enorme, não só para deficientes visuais, mas também para pessoas com transtorno de desenvolvimento e com dificuldade no processo de leitura, seja por distúrbios cerebrais ou por problemas de aprendizagem. Leve, funcional e prático, o aparelho amplia a qualidade de vida das pessoas que tem necessidades específicas relacionadas a  dificuldade de decodificação visual”, relata Mauro Muszkat, coordenador responsável e criador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil Interdisciplinar (NANI) do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP.

Mais informações sobre o produto estão disponíveis no site www.maisautonomia.com.br.

Os fundadores

A OrCam foi fundada conjuntamente por Amnon Shashua, professor da Universidade de Jerusalém e pelo empreendedor Ziv Aviram, atual CEO da empresa. Em 1999, eles idealizaram um carro autônomo, que não causasse acidentes e garantisse segurança ao volante ao criarem a startup Mobileye. Referência no universo da inteligência artificial, a startup foi vendida no início de 2017 por 15,3 bilhões de dólares para a INTEL, valor mais alto já pago na história israelense para uma empresa de tecnologia.

Durante suas pesquisas, os sócios conseguiram desenvolver um algoritmo que possibilita a detecção de objetos no campo da visão de uma câmera. Em 2010, a tecnologia de inteligência artificial criada por eles foi aplicada para humanos com a criação da startupOrCam. A missão da OrCam é  aproveitar o poder da visão artificial e da tecnologia vestível para ajudar pessoas com deficiência visual. Com um valor de mercado de 1 bilhão de dólares, a OrCam pretende realizar IPO até o final de 2018.

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