ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

14 de fevereiro de 2018

Lançamento da Antologia de AMÉLIA DALOMBA - Luanda 22/02


Apresentação pelo Professor Francisco Soares

No dia 22 de Fevereiro de 2018 (5ª feira) será lançada no CAMÕES/CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS (Av. de Portugal nº 50), a  ANTOLOGIA de poesia da consagrada escritora e poetisa AMÉLIA DALOMBA

SOBRE A OBRA

Na ANTOLOGIA, que vai agora ser lançada, AMÉLIA DALOMBA reúne poesia publicada entre 1995 e 2005, dividida em sete capítulos. Cada capítulo  corresponde a uma obra publicada, ao  longo  daquele  período, numa sequência cronológica decrescente. “Senhor Há Poetas no Telhado, publicado em 2015.  “Sinal de Mãe nas Estrelas”,  publicado em 2008. “Aos Teus Pés Quando Baloiça o Vento”, publicado em 2006. “Noites Ditas à Chuva”,  publicado em 2005. “Espigas de Sahel”,  publicado em 2004. “Sacrossanto Refúgio”, publicado em 1996. “Ânsia”,  publicado em 1995.

Francisco Soares, que prefaciou e fará a apresentação da obra diz: “AMÉLIA DALOMBA tem desenvolvido uma vocação poética única no panorama literário da sua geração e, mesmo, no panorama literário angolano.

O percurso não é linear (uma progressão em linha recta), nem esférico (ou repetitivo, obsessivo), mas elíptico (evoluindo sem perder identidade). A figura da elipse dá bem conta de um caminho em espiral que tanto se nota, na evolução de livro para livro, quanto na estrutura de muitos dos poemas de cada obra. De maneira que os temas, tópicos, motivos vão sendo retomados mas, de cada vez que repega num deles o seu perfil muda, o tema  se relaciona com os tópicos e motivos actuais, construindo um assunto novo, ou reconvertendo, pela vivência presente, um assunto mais antigo.

(…) De um para outro livro, intensificou-se a contenção, a densidade e a sugestão, para além de ter apurado o sentido de beleza. Os poemas agradam pela magia, pela metaforização, que surpreende e apraz. Ao mesmo tempo vinculam-se a uma linha crítica incisiva, onde o feminino se afirma cada vez mais e onde a ironia se apura, sem se alhear do presente nem da veemência. Continua também a provocar a sensação de naturalidade com que  vive e sofre a sua África e a sua Cabinda, mas também a humanidade. A sua visão abre-se igualmente a paisagens externas e é muito significativa a imagem que nos dá de Madrid e do Prado. A enciclopédia cultural e poética está globalizada sem perda de autenticidade, nem do amor encantado feminino (materno até) que pulsa nesses versos”. 

Outros extractos   de comentários à  poesia de AMÉLIA DALOMBA

- Capítulo “A Teus Pés, Quando Baloiça o Vento”.  “Misturam-se os sentimentos, casam-se as palavras e nasce o terno e eterno poema novo de uma mulher que canta a vida, a dor, o amor e a saudade, e encanta o verso com a beleza da sua sensibilidade poética. Maestria de quem sabe estar aos pés  do  maior  e mais  belo  sentimento,  como também, do objecto dos eu amor, é a marca de Amélia Dalomba, que a cada feixo de poesia que nos brinda, enche-nos com a sua ternura, com a sua  beleza pessoal, e pelo honesto, belo e fecundo como observa vida, faz-nos sentir e pensar mais e mais sobre como, de facto, a vida é bela e generosa.” (Rogério de Almeida Freitas);

- Capítulo “Noites Ditas à Chuva”. “Numa poesia em que, a nível formal, se destaca a estética minimalista, as palavras jogam sedutoramente connosco, mostram-se e escondem-se, convidando-nos a tantas releituras quanto as necessárias para tornarmos também nossa a mensagem do eu lírico. (…) A reflexão sobre o estado da humanidade realiza-se pela palavra poética: substitui-se a palavra imediata e evidente pela palavra dissimulada e metafórica. Recorre-se à arte pictórica como motivo de eternização de uma poética Madrid sangrenta, evocam-se realidades já representadas para revelar  novos males, ou antes, novas actualizações de velhos males, como a fome, a morte, a ira, as situações de injustiça e nível mundial, a incompreensão, o abatimento, a desigualdade  abissal de riqueza entre os diversos mundos que constituem (ou que deveriam constituir…) a  humanidade.” (Ana Lúcia Sá)

- Capítulo “Espigas de Sahel”. “A chuva dos dedos faz surgir poemas de incomensurável  encanto. Na curva das folhas mora a sede de transfigurações várias. A voz da mente repica insistentemente  sobre nossa pureza mais íntima, esse lugar onde está congelado o desejo de estruturar uma poesia límpida como os pastos no orvalho das manhãs sibilinas” (Adriano Mixinge);

- Capítulo “Espigas de Sahel”. “A menina mayombina denuncia  certamente o desespero que vai na alma de tanto angolano desesperançado (os que vão abandonando as suas terras de origem, acossados pelas batalhas, os mutilados, as quitandeiras que não comem para venderem o pão com que tentam ganhar mais pão para tanto filho), personagens  que preocupam a poetisa  angolana, tais  como  as  crianças  de  rua. (…) E,  mais uma vez,

Dalomba se posiciona no real de quantos, mais que chorar, sugerem remédio para sarar as chagas sociais e físicas de todo um povo por demais sofrido” (Jorge Macedo);

- Capítulo “Ânsia”. “Amélia revela nestes versos uma quase obsessiva intenção de não perder a ligação entre a palavra e o ritmo que possibilite uma umbilicalidade entre a poesia e a música (…). No sentir, o laboratório dos sentidos para a escrita, percebe-se à primeira vista, que é mesmo feminino” (Manuel Rui).   
Questionada sobre traços identificadores de uma literatura angolana feminina, Amélia Dalomba considera que “Traços que versam a maternidade, por exemplo, serão um deles. Mas, noutro caso, a paternidade também. Daí considerar que a literatura estritamente feminina poderá ser vista como uma espécie de guetização pouco concordante com o mundo actual, em que a mulher se afirma cada vez mais capaz. A literatura é um espaço de liberdade (ou deveria ser) , em que a criação é independente de amarras de qualquer ordem para existir. A literatura  é assexuada. Ela é independente do sexo de quem a produz. Destrinçá-la por esses factores é um contra-senso”.

Do capítulo “Senhor Há Poetas no Telhado”

Pelo Deserto

“Toquei o deserto com as mãos
Criei as miragens
Proclamei súbditos aos Céus e brotou chuva no chão
A poesia tem o condão de virar o mundo às avessas”
(Amélia Daloma)

SOBRE A AUTORA

Amélia Dalomba, nascida em Cabinda, Angola, em Novembro de 1961.
Ambientalista, poetisa, escritora, artista plástica, compositora, intérprete e declamadora.
Tem formação em Economia política, Jornalismo, Psicologia, Gestão de Empresas, Ambiente e Desenvolvimento. 
Ativista política.
Foi locutora, redatora, repórter do então Emissor Regional de Cabinda, bem como, do Jornal “A Célula”, Boletim de Informação Interna, em Luanda.
Colaboradora da Rádio Romântica- Angola
Membro de várias Associações, designadamente :
- Liga Africana - Angola
- Associação de Amizade Angola-Cabo-Verde
- União dos Escritores Angolanos
- União dos artistas e compositores
- Assistente de Direção da Ueca- - União de Estudos Espirituais Cristãos de Angola;   
- Jopad - Jornalistas Pelo Ambiente e Desenvolvimento;
- Movimento Poetas Del mundo” Movimento (Chile)
- Miradas de Artistas Plásticas (Equador)
- Membro da Academia Estudantil de Arte Contemporânea (AEAC) Rio de Janeiro.

Livros publicados:

“Ânsia” -Poesia-UEA-1995
“Sacrossanto Refúgio” - Poesia, Edipress-1996
“Espigas do Sahel” - Poesia, Kilombelombe-2004
“Noites Ditas à Chuva” - Poesia,Uea-2005-Angola
“Aos teus Pés, Quanto Baloiça o Vento” - Poesia, Zian Editora-São Paulo-Brasil
“Sinal de Mãe nas Estrelas”- Poesia, Zian editora-2007.S. Paulo Brasil
“Nsinga, O mar No Signo do Laço” - Infanto Juvenil- Editora Mayamba-2011
“Senhor, Há Poetas no Telhado” - Poesia, Editora Uea - 2015
Nem se Chamava Francisco - Romance (no prelo)
CD de Música Instrumental “Verso, Prece e Canto” Amélia da Lomba e Valpai- Editora Ngola Música-2008
Antologia- Amélia Dalomba-2018
Participação no documentário “Ambiente Somos Nós”- do Ministério do Ambiente de Angola, com poema e música infantil.

Publicações em Colectâneas e  Antologias

- “Meu Céu, Céu de Todos, Céu de Cada Um”-Zian Editora-2007- S. Paulo Brasil
- “Antologia da Poesia Feminina dos Palop” -Xosé Lois Garcia- 1998-Barcelona Espanha
- “Antologia do mar na Poesia Africana de língua Portuguesa do século XX”  Carmén Lúcia Tindó- Editora Kilombelombe-2000
-“Cacimbo 2000”- Francês-Português-Alliance Française de Luanda- Editora  Patrick Houdin- 2000
-“Poesia Lírica Angolana “- (I Fikontradets Skugga) Sueco - Fabians Forlag -
- “Oversattning Arne Lundgren”- Suécia- 2008
- “Caderno Sol”- Colectânea de Poetas e Poesia de Angola-João Abel-Editora Chá de caxinde-2002
- “O Amor Tem Asas de Ouro”- Antologia da União dos escritores angolanos-2006
-“Antologia da Moderna Poesia Angolana “, de Botelho de Vasconcelos-UEA-2006
- “Antologia de Poesia Erótica”,  de António Panguila - UEA, 2015
- Galardoada com a Medalha Língua Portuguesa pela Academia Estudantil de Arte Contemporânea (AEAC)
- Comenda Infanto-Juvenil Professor Joadélio Codeço- (AEAC)
- Galardoada Com a medalha Ordem do Vulcão de Primeiro Grau pela Republica de Cabo verde         
- Publicações em jornais, revistas, sites, blogs e páginas na net
Armindo Guimarães

Sobre o autor

Armindo Guimarães - Doutorado em Robertologia Aplicada e Ciências Afins e Escriva das coisas da Vida e da Alma. Administrador, Editor e Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre o autor...

Sem comentários:

Enviar um comentário

OS NOSSOS REDATORES PERMANENTES

OS NOSSOS REDATORES PERMANENTES
clique na imagem para ver os perfis