O Baú do Carlos Alves (67)





Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com

Sempre chorava pelo seu “amor blue”

(Artigo guardado no próprio Baú, sem ter sido publicado)

Não posso nem devo esconder que “A Bola”, durante os 20 anos que por lá permaneci, constituiu uma ponte significativa da minha carreira que se encaminha para o seu términus, embora ainda faltando dois anos para atingir o objetivo a que me propus. Hoje confesso que já não acredito que, após o 10 de março de 2014 (se lá chegar com vida e saúde), mantenha este espírito de continuidade. Já começo, pelo que por aqui tenho passado, a ter fortes dúvidas, mas isso não me preocupa. O que quero isso sim é atingir os 50 anos de carreira nesse referido 10 de março de 2014 que já se aproxima a passos largos.


Tive o privilégio de contatar com muitos dirigentes de clubes e associações, sobretudo quando representava o jornal A Bola, na altura sempre respeitado por todos por ser o OCS de maior expansão e aquele que, na globalidade dos jornais portugueses, registava sempre o maior número de vendas, obviamente pela sua qualidade e pelas referências que passaram por algumas importantes gerações de jornalistas.

Durante o período em que esteve como Diretor Regional do Desporto, o professor Eduardo Monteiro trouxe aos Açores várias figuras do desporto nacional para contatos com agentes açorianos ligados ao fenómeno desportivo. Foi também, através da DREFD, que se realizou na Região Açores (neste caso na ilha Terceira) o primeiro curso de treinadores de futebol (nível 1), com participantes de quase todas as ilhas, curso esse que reuniu um bom naipe de preletores e que teve como diretor do mesmo o nosso bom amigo DR. Joseph Wilson, homem da confiança de Eduardo Monteiro.
Posteriormente, e na sequência deste ciclo de intercâmbios, uma jornada para dirigentes, jornada essa que teve início em São Miguel, seguindo-se Terceira, Pico e Faial. Uma equipa de preletores que primou pela homogeneidade nas suas intervenções. Drs. Joseph Wilson, Manuel Sérgio, Eduardo Saraiva, Acácio Rosa, Homero Serpa (este por motivos profissionais regressou a Lisboa após a sua presença na ilha Terceira) e, claro, o próprio Eduardo Monteiro. Acompanhei-os desde São Miguel ao Faial em representação do jornal “A Bola”.

Hoje se fala muito no carisma de alguns dirigentes ainda no ativo. Não vamos colocar em dúvida a capacidade e o empenho dos mesmos, mas creio que nenhum deles já chorou sistemática e publicamente pelo seu clube. Ora, isso aconteceu por sistema com o decano dirigente Acácio Rosa, já falecido, quando comentava a crise que se instalara no seu clube do coração, o Clube de Futebol “Os Belenenses”. Ali estava o verdadeiro amor ao clube que sempre representou. E não é por mero acaso que Acácio Rosa foi apontado como um dos (poucos) dirigentes de eleição. Parte da sua vida “entregou-a” ao emblema da Cruz de Cristo. E todas as vezes que o vimos chorar pelo “seu” Belenenses, essas lágrimas traziam consigo o enorme sentimento de quem desinteressadamente muito deu ao clube.
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