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ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

1/13/2009

WOODY ALLEN - O arquétipo do real


Por: Armindo Guimarães

Quando nos anos 70 vi pela primeira vez Take the Money and Run, traduzido em Portugal para “O Inimigo público”, e no Brasil “O assaltante bem trapalhão”, fiquei desde então um admirador de Woody Allen, naquele que foi o seu primeiro filme como actor e realizador.


Trata-se da história do ladrão de bancos Virgil Starkwell (Woody Allen) que rouba chicletes com sucesso quando criança, mas que quando resolve evoluir nada lhe corre de feição. Tímido e inteligente, tenta vencer as suas frustrações tornando-se assaltante profissional a quem o azar sempre persegue por motivos inesperadamente ridículos e impensáveis (1) pese embora a sua inteligência que não deixa esconder a sua ingenuidade latente, os princípios morais com que foi educado e as suas modestas ambições contra as quais todo o mundo parece conjurar.

Incapaz de se adaptar ao sistema social institucionalizado, Virgil trava uma luta constante contra a corrente. Mas numa sociedade baseada nos ideais de sucesso, como pode viver um Virgil tipicamente fracassado e ainda por cima com coração de menino, um coração que, no fundo, existe sempre em cada um de nós? E o que impressiona na história de Virgil, que nos é contada através de uma série de “gags” perspicazes, é que nos podemos rever a nós próprios ainda que intimamente não o admitamos.

Virgil tenta roubar uma jovem descuidada mas mais uma vez no momento crucial a sorte não esteve pelo seu lado (2). Os dois combinam um jantar para esse mesmo dia. Em casa, Virgil prepara-se vestindo o seu melhor fato para tão significativo encontro. Barbeia-se, penteia-se e, ainda ao espelho, encena as melhores expressões faciais e corporais para se apresentar perante Louise. Ao sair de casa bate a porta mas logo a reabre pois tinha-se esquecido de vestir as calças (3). Já na rua em direcção ao restaurante, força uma máquina de drops da qual despeja para os seus bolsos uma grande quantidade de moedas. No restaurante, depois do jantar edílico com a sua Louise, Virgil pede a conta e à saída, sem que Louise se aperceba, despeja dezenas de moedas na bandeja do barman que se desequilibra com o peso das moedas ao mesmo tempo que fica pregado ao chão sob o efeito da surpresa.

Em casa o frio é muito e Louise lamenta a falta do vidro na janela. Sem dinheiro para comprar um vidro, Virgil dirige-se à vitrina de uma ourivesaria onde estão expostas jóias de valor incalculável. Munido de um corta-vidro, Virgil risca um rectângulo perfeito que retira com a ajuda de uma ventosa. E quando todo mundo espera que Virgil retire da vitrina todas aquelas jóias que iriam melhorar substancialmente o seu orçamento familiar, Virgil limita-se a fugir com o rectângulo de vidro debaixo do braço. Afinal era apenas dum simples vidro que precisava para a janela da sua casa.

Num dos seus fracassados assaltos a bancos, Virgil é traído pela sua própria caligrafia que o caixa não entende (4).

Várias vezes preso, Virgil decide idealizar a sua fuga construindo para o efeito uma pistola de sabão. De “pistola” em punho, consegue manietar o guarda da prisão e a fuga seria um sucesso não fosse entretanto a “pistola” dissolver-se na chuva (5).

Finalmente, mais uma vez na prisão, Virgil dá uma entrevista a um canal televisivo e ao entrevistador faz a pergunta da sua vida: “Sabe se chove lá fora?” (vídeo 6).

O melhor mesmo, é ver e/ou reler o filme. Seguem-se vídeos com alguns dos "gags" aqui referidos, sendo que o que está sempre presente na minha mente e que raramente é salientado é aquele em que Virgil encena as melhores expressões faciais e corporais para se apresentar perante Louise.

Woody Allen: o arquétipo do real.





Ke the Money and Run

Estados Unidos – 1969 – cor – 85 min
Realização: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Janet Margolin, Louise Lasser, Marcel Hillaire, Jackson Beck. 
Género: Comédia


Sobre Woody Allen
http://www.woodyallen.com/

Vídeos

1 – Assalto a carrinha de valores
2 – Tentativa de assalto a Louise
3 - Ensaiando as melhores expressões faciais e corporais
4 – Assalto a banco comprometido pela caligrafia
5 – Fuga da prisão com pistola de sabão

6 – A pergunta da sua vida

12 comentários:

  1. Oi Armindo!

    Woody Allen é um artista bom em tudo que faz, mas coitado no papel de Virgil, só se deu mal...
    Amei os vídeos, mas tive pena também do menino Virgil. Judiado e humilhado pelos "amigos", não poderia virar grande coisa.

    Parabéns, patrão, se saiu muito bem!

    Um beijo,
    Carmen Augusta

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  2. Olá, Guta!

    É mesmo como dizes: o Virgil é um azarado do carago!

    Quanto a judiado, lembro-te que o Woody Allen é judeu.

    Abração

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  3. Olá Armindo!

    Eu nunca vi um filme de Woody Allen. Não sei porquê, mas sempre achei que não fossem filmes, que eu gostaria de ver. Mas ao ver esses vídeos, deu-me vontade de ver esse filme.

    No papel de Vírgil,coitado...um azarado, trapalhão...

    Beijos

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  4. Oi amigo querido!

    Armindo,desculpe se entendeu mal o termo que usei ali, e talvez mal usado, mas o quis dizer foi maus tratos.
    Então digo: Virgil, mal tratado e humilhado pelos "amigos"....
    Certo?

    Um beijo,
    Carmen Augusta

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  5. Ola Mindo tudo porreiro? Olha pà nao sou muito admirador do Woody mas reconheço que com o seu tipo de humor judei New-yorkes em alguns filmes tambem me ri bastante.éssa da pistola de sabao entre outras esta boa.Grande abraço deste teu amigo que sempre te apreciarà!

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  6. Olá, Dina!

    Então, é chegado o momento de veres alguns filmes dele.

    Além disso, Woody Allen também é autor de vários livros.

    Estou até a pensar em propor ao Allen uma co-produção e realização do livro que eu nunca escrevi "A vingança da mulher dos tremoços", e, quem sabe, também aquele outro meu livro que só existe em título "Há dias de manhã que um indivíduo à tarde nunca deve sair de casa à noite". Grande título!!!

    eheheheheh

    Abraços

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  7. Olá, Guta!

    Eu entendi bem. Simplesmente eu aproveitei a palavra "judiado", para jogar com a palavra. Foi com “judiado” como podia ser com outra qualquer.

    Por isso, não tens que pedir desculpas e manter o que muito bem escreveste. Além disso, de ti nunca há má intenção. Eu sei.

    A gente também não pode levar tudo a peito, senão estamos tramados.

    Abração

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  8. Olá, Manuel!

    Pois eu gosto dele à brava. E no que ao "Inimigo público" se refere não sei quantas vezes fui um Virgil. Tem vezes que o sou.

    Nesse filme acho que o Woody Allen não encontraria melhor actor para desempenhar o papel de Virgil tão bem como ele desempenha. Corpo franzino, cara de palerma e ainda por cima com uns óculos demasiado pesados, não podia ser melhor.

    eheheheheh

    Grande abraço, pá!

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  9. Grande postagem do Armindo!

    Essa mostragem de filme de gênero comédia, faz realmente o seu estilo e que pelo relato feito por ele e pelas cenas vistas nos vídeos, deu pra perceber o grande ator que é Woody Allen.

    também nunca assisti um filme desse ator, mas deve ser um espetáculo!

    Excelente comediante com seus tejeitos fisionômicos, já nos faz mostrar um jeito cômico, mas que ao mesmo tempo sentimos a tristeza, pelo problema vivido até hoje pela sociedade, e que fica difícil de haver uma mundança nesse quadro da humanidade.

    Parabéns e valeu pelos vídeos que melhor explicitou o que foi aqui tão bem relatado.

    Um abraço.

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  10. Olá, Mazé!

    Na verdade, este filme do Woody Allen, sendo cómico, convida à reflexão sobre o comportamento humano.

    Aquele que aparentemente se mostra descontraído em qualquer situação, consciente ou inconscientemente apenas tenta esconder complexos de inferioridade.

    Um beijo e um xi

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  11. Ah ganda Armindo! :D e "Para acabar de vez com a cultura" quem melhor que esse ganda maluco ehehehehe

    Já vi alguns filme e li o tal livro e gosto e pronto! ;)

    Abraço :)

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  12. Olá, Tá-se bem!

    Tás bem?

    Olha! Sabes quem me telefonou hoje? A Dona Isaurinha da Areosa! Está chateada contigo. Disse-me ela que o Senhor Nebes do "Blogatadas" está-lhe a deber uma musiquinha nos "Discos Pe(r)didos". Vê se fazes a vontade à senhora senão estou lixado que vou ter que andar sempre a ouvi-le por tua causa!

    Abraços

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