Do amendoim ao louro, conheça madeiras que transformam a cachaça brasileira
Uma bebida, dez madeiras, experiências completamente diferentes
A cachaça vai muito além da tradicional caipirinha. O tipo de madeira utilizado no armazenamento e envelhecimento do destilado brasileiro pode modificar significativamente a sua cor, os seus aromas, o sabor e a sensação no paladar.
Por ocasião do Dia Nacional da Cachaça, celebrado em 13 de setembro,Delfino Golfeto, cachacier e fundador da Água Doce Sabores do Brasil, apresenta 10 espécies de madeiras brasileiras utilizadas no envelhecimento da bebida e sugere combinações gastronómicas para cada perfil.
“A madeira tem papel importante no envelhecimento da cachaça, já que o contacto com a bebida pode influenciar a cor, o aroma e o sabor. O resultado varia de acordo com o tipo utilizado, o tempo de contacto, as condições de armazenamento, entre outros fatores.”
Segundo Delfino, uma mesma cachaça pode apresentar características bastante diferentes dependendo da madeira escolhida e do período de maturação.
Amendoim: equilíbrio e suavidade
Apesar do nome, o amendoim também designa uma madeira utilizada no envelhecimento da cachaça.
Considerada uma madeira neutra, contribui para diminuir a acidez e suavizar o destilado, sem alterar drasticamente a cor ou o sabor original da cana-de-açúcar. Por esse motivo, apresenta características interessantes para a coquetelaria.
O resultado é uma cachaça equilibrada e de perfil mais macio, que pode acompanhar frango assado, carne suína, castanhas, queijos semiduros e sobremesas à base de chocolate ou caramelo.
Grápia: suavidade com notas amadeiradas
Considerada uma madeira neutra a semineutra, a grápia altera pouco a cor da cachaça, contribuindo para um tom amarelo-palha muito claro.
Também ajuda a reduzir a acidez, preservando o sabor original da cana-de-açúcar e acrescentando notas suavemente adocicadas. Pode ainda contribuir para uma presença amadeirada discreta, sem tornar o perfil da bebida excessivamente intenso.
Na mesa, combina com carnes assadas, queijos semiduros e sobremesas com caramelo, mel ou frutas secas.
Peroba: uma madeira ainda pouco conhecida
Entre as espécies menos familiares do público, a peroba também é utilizada no armazenamento de cachaça.
A madeira confere uma coloração amarelada ao destilado e pode acrescentar um toque subtilmente amargo e seco. Ao mesmo tempo, ajuda a suavizar a bebida sem esconder as suas características originais.
Por apresentar um perfil menos explorado, pode ser uma opção interessante para degustações acompanhadas de petiscos, carnes brancas, queijos e pratos de intensidade média.
Louro: aromas florais e especiados
Mais conhecido como tempero indispensável em muitas cozinhas, o louro também pode aparecer como madeira utilizada no armazenamento da cachaça.
A sua influência pode acrescentar notas florais e de especiarias, com referências aromáticas ao cravo-da-índia e à canela, além de um fundo ligeiramente adstringente e medicinal.
É um perfil que pode acompanhar carnes de panela, pratos com ervas, feijão, preparações com molhos e receitas tradicionais brasileiras.
Amburana: para quem prefere aromas marcantes
A amburana está entre as madeiras mais conhecidas pelos apreciadores de cachaça.
A sua utilização pode conferir notas adocicadas e especiadas, reduzir a acidez e acrescentar um fundo floral, com aromas que lembram baunilha e canela.
Pelo seu perfil aromático, pode harmonizar com carne suína, costela com molho agridoce, queijos curados e sobremesas com doce de leite ou caramelo.
Bálsamo: intensidade e personalidade
O bálsamo pode proporcionar à cachaça características herbais e amadeiradas, além de notas de especiarias, como o cravo.
Também pode deixar uma sensação ligeiramente picante e adstringente no paladar, conferindo maior personalidade ao destilado.
Por isso, é uma opção que pode acompanhar carnes vermelhas, embutidos, queijos maturados e pratos com temperos mais intensos.
Jatobá: complexidade com identidade brasileira
Conhecido pela resistência da sua madeira, o jatobá também pode ser utilizado no envelhecimento de cachaças.
Por ser uma madeira densa, pode conferir à bebida uma coloração âmbar ou avermelhada intensa. No paladar, pode apresentar maior robustez, com notas que remetem a frutas secas, especiarias e um ligeiro toque amadeirado e resinoso.
A sua influência combina com carnes assadas, costelas, queijos de sabor intenso e chocolate amargo.
Jequitibá: equilíbrio para pratos delicados
Com uma influência mais discreta, o jequitibá é uma alternativa para quem prefere preservar e perceber com maior nitidez as características originais da cachaça.
Existem duas versões utilizadas no envelhecimento. O jequitibá-branco preserva as características originais da bebida e praticamente não altera a sua cor. Já o jequitibá-rosa proporciona uma coloração dourada subtil e sabores macios semelhantes aos associados ao carvalho.
Ambas as versões podem acompanhar peixes, aves, saladas, frutos do mar e queijos suaves.
Freijó: leveza para valorizar a cachaça
O freijó apresenta uma influência mais suave sobre a bebida, contribuindo para um perfil equilibrado.
Bastante utilizado nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, apresenta características semelhantes às do jequitibá-branco. Praticamente não transmite cor ou aromas fortes, concentrando a sua influência na redução da agressividade do álcool e no amaciamento do destilado.
Dessa forma, preserva as características da cana e pode acompanhar entradas, peixes, frutos do mar, queijos frescos e pratos leves.
Ipê: personalidade para carnes grelhadas
O ipê, tanto amarelo como roxo, também aparece entre as espécies brasileiras utilizadas no armazenamento de cachaça.
Pode transferir à bebida uma coloração dourada escura ou alaranjada e contribuir para suavizar consideravelmente o destilado. Entre as suas características estão notas de especiarias e aromas que lembram nozes e castanhas, acompanhados por um final de boca macio e aveludado.
Pela estrutura que pode conferir à bebida, combina com carnes grelhadas, linguiças, preparações defumadas e queijos curados.
E o carvalho? Continua a ser referência
Apesar da diversidade de madeiras brasileiras, o carvalho continua a ser a principal madeira utilizada no envelhecimento e armazenamento da cachaça.
Trata-se, contudo, de uma madeira importada, principalmente das variedades de carvalho americano e carvalho europeu. A sua utilização está relacionada com o facto de ser uma referência mundial na maturação de bebidas destiladas e por proporcionar notas muito apreciadas de baunilha, coco, mel e caramelo.
No Brasil, a castanheira é frequentemente chamada de “carvalho brasileiro”. A sua utilização pode proporcionar notas intensas de castanhas, chocolate e amêndoas.
Uma cachaça, diferentes experiências
A diversidade de madeiras utilizadas no envelhecimento mostra como o universo da cachaça é mais amplo do que pode parecer à primeira vista.
“A cachaça é um dos produtos que mais representam a nossa cultura e tem uma diversidade que muitas vezes não é conhecida pelo consumidor. Quando falamos das diferentes madeiras utilizadas em seu processo, mostramos que uma mesma bebida pode proporcionar experiências muito distintas”, afirma Delfino Golfeto.
Segundo o especialista, essa diversidade também cria novas possibilidades para a gastronomia, permitindo harmonizações que vão muito além da tradicional caipirinha.
Sobre a Água Doce
Os restaurantes da Água Doce são procurados por famílias e grupos de amigos que procuram transformar almoços, jantares, happy hours e confraternizações em momentos de entretenimento.
O cardápio reúne pratos da culinária brasileira servidos em fartas porções, além de um extenso menu de cachaças e drinques. A rede é também conhecida pelo seu Escondidinho, disponível nas versões tradicional, com carne de sol, camarão, frango e bacalhau, além das opções vegetarianas de palmito e brócolos. Com uma proposta de ambiente rústico e acolhedor, os restaurantes contam com música ao vivo e espaço infantil, conhecido como Doce Cantinho. Atualmente, a Água Doce possui 60 unidades distribuídas por seis estados brasileiros. A marca também trabalha com formatos mais compactos, como a Água Doce Express, direcionada para almoço, happy hour e jantar, e a Água Doce Delivery, dedicada a entregas ao domicílio e take away. Em todos os formatos da franquia, os franqueados podem ainda operar a marca exclusiva Rei do Escondidinho, especializada num dos produtos de maior sucesso da rede nos aplicativos de entrega.
[separador]
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
A cachaça é frequentemente associada à caipirinha, mas o universo deste destilado brasileiro é bastante mais vasto. A influência da madeira no envelhecimento demonstra como diferentes espécies podem alterar cor, aromas, sabores e até as possibilidades de harmonização gastronómica.
Do amendoim ao jatobá, passando pela amburana, pelo louro e pelo jequitibá, estas dez madeiras mostram uma diversidade que merece ser descoberta. E há aqui uma curiosidade particularmente interessante: embora o carvalho seja a referência internacional no envelhecimento de destilados, o Brasil dispõe de um verdadeiro património de madeiras capazes de imprimir identidade própria à sua cachaça.
Mais do que uma bebida para a caipirinha, a cachaça revela-se, assim, também um produto de cultura, tradição e gastronomia.
🔎 Quer explorar mais este tema?
Escreva uma palavra relacionada com o assunto e descubra outros artigos.
Do amendoim ao louro, conheça madeiras que transformam a cachaça brasileira
Amendoim: equilíbrio e suavidade
Grápia: suavidade com notas amadeiradas
Peroba: uma madeira ainda pouco conhecida
Louro: aromas florais e especiados
Amburana: para quem prefere aromas marcantes
Bálsamo: intensidade e personalidade
Jatobá: complexidade com identidade brasileira
Jequitibá: equilíbrio para pratos delicados
Freijó: leveza para valorizar a cachaça
Ipê: personalidade para carnes grelhadas
E o carvalho? Continua a ser referência
Uma cachaça, diferentes experiências
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
Comentários
Enviar um comentário
🌟COPIE UM EMOJI E COLE NO COMENTÁRIO: Clique aqui para ver os emojis