Espetáculo do Núcleo Pele revela cotidiano e ancestralidade nas periferias do sul paulistano
Um mergulho sensível no Brasil invisível
O espetáculo “Na Beira da Imensidão – Histórias Sul-Realistas”, do Núcleo Pele, chega à Galeria Olido, no centro de São Paulo, para uma apresentação que promete atravessar o público com narrativas profundas sobre vida, território e pertencimento. A obra, que será apresentada no dia 21 de abril, propõe um olhar sensível sobre o cotidiano das periferias do extremo sul da capital, tendo como pano de fundo a relação dos moradores com a imensidão das águas da Represa Billings.
Sob direção de Débora Marçal e dramaturgia de Rafael Cristiano, o espetáculo mergulha nas vivências do Grajaú, território onde o cotidiano é atravessado por afetos, espiritualidade e resistência. A narrativa se constrói a partir de referências às cosmogonias afro-brasileiras e indígenas, revelando uma cena que transita entre o real e o encantado, onde memória e ancestralidade ecoam no presente.
A dramaturgia se organiza em fragmentos de histórias e encontros que traduzem a riqueza humana da periferia: amizades que salvam, solidões que encontram beleza no invisível, espelhos que revelam identidades e ruas que vibram com afetos e confidências. São retratos que rompem estereótipos e revelam camadas pouco exploradas da vida nas margens da cidade.
A encenação aposta em uma linguagem híbrida, combinando realismo cotidiano com elementos simbólicos ligados às águas e à espiritualidade. O resultado é uma experiência cênica que dialoga com o teatro narrativo, a musicalidade e a oralidade popular, valorizando histórias que muitas vezes permanecem fora dos grandes centros de visibilidade.
Este trabalho dá continuidade à pesquisa do Núcleo Pele sobre teatralidade periférica e marginal, construída a partir do próprio território. Durante o processo criativo, o grupo promoveu encontros, oficinas e rodas de conversa por meio da iniciativa “Investigação Coletiva de um Teatro Periférico e Marginal”, ampliando reflexões sobre arte, território e modos de criação nas periferias.
O espetáculo também carrega em sua essência relatos e experiências reais de moradores da região da Billings, como o pescador Reinaldo, além de contribuições de agentes culturais como Luciana Beco e Laís Guimarães, fortalecendo o vínculo entre arte e comunidade.
A apresentação integra o Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI II – edição 22, 2025/2026) e marca a expansão da circulação da obra, que teve suas primeiras apresentações em 2024 no Cantinho do Céu, território de origem do coletivo.
Mais do que uma encenação, “Na Beira da Imensidão” surge como um gesto de memória e reflexão, especialmente no momento em que a Represa Billings completa um século. O espetáculo convida o público a reconhecer a importância ambiental, econômica e afetiva desse território e das comunidades que vivem em seu entorno.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Uma obra que transforma o invisível em presença, “Na Beira da Imensidão” reafirma a potência da arte periférica como espaço de escuta, memória e encantamento, ampliando o olhar sobre realidades que insistem em resistir e florescer à margem dos centros tradicionais.
Espetáculo do Núcleo Pele revela cotidiano e ancestralidade nas periferias do sul paulistano
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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