Entre conflitos, recomeços e silêncio emocional, muitas mães vivem a data longe do ideal
Há mães que celebram sobrevivendo, não sorrindo
Enquanto campanhas publicitárias insistem em retratar uma maternidade perfeita, um número crescente de brasileiras vive uma realidade bem diferente — e silenciosa. Com mais de 11 milhões de mães solo no país, segundo o IBGE, o Dia das Mães tem sido, para muitas, um período de tensão emocional, disputas familiares e recomeços difíceis.
Longe das celebrações idealizadas, essas mulheres enfrentam desafios profundos que envolvem guarda dos filhos, alienação parental e rupturas recentes. Em vez de alegria, a data frequentemente desperta sentimentos de frustração, luto emocional e sobrecarga. São experiências que raramente ganham visibilidade — mas que marcam intensamente a vida de milhares de mães.
De acordo com a advogada Caroline Serbaro*, especialista em Direito de Família, esse cenário é mais comum do que se imagina. Ela destaca que o fim da família idealizada gera um tipo de luto ainda pouco reconhecido socialmente, mas com impactos profundos. “O Dia das Mães pode se tornar um gatilho emocional para mulheres que estão lidando com essas perdas simbólicas”, explica.
Além do impacto emocional, há também questões legais relevantes. Muitas dessas mães contam com direitos assegurados, como prioridade no recebimento do Bolsa Família, licença-maternidade de 120 dias, acesso facilitado a programas habitacionais, proteção contra demissão arbitrária e prioridade em vagas de creche. Ainda assim, a busca por pensão alimentícia e a resolução de conflitos judiciais seguem sendo caminhos desgastantes.
O aumento dos divórcios no Brasil contribui para o surgimento de novas dinâmicas familiares, muitas vezes marcadas por disputas prolongadas e decisões difíceis. Nesse contexto, a forma como os conflitos são conduzidos pode fazer toda a diferença. Segundo Dra. Caroline, processos que ignoram o aspecto emocional tendem a se arrastar e gerar ainda mais desgaste. Por isso, ela defende a integração entre Direito, escuta ativa, mediação e inteligência emocional.
Essas tensões não afetam apenas os adultos. A relação entre mães e filhos também sofre impactos diretos. Conflitos constantes podem fragilizar vínculos, gerar insegurança emocional e transformar datas simbólicas em momentos de dor.
Para enfrentar esse cenário, a especialista propõe uma abordagem mais humanizada do Direito, que vá além da resolução técnica dos processos. “Não se trata apenas de encerrar um caso, mas de preservar relações que continuam existindo depois dele. O Direito precisa evoluir para acompanhar a complexidade das relações humanas”, afirma.
Uma realidade que precisa ser vista
O crescimento no número de famílias chefiadas por mulheres e o aumento dos divórcios reforçam a urgência de ampliar o debate sobre os desafios enfrentados por essas mães — especialmente em datas carregadas de simbolismo como o Dia das Mães.
Trazer esse olhar à tona é também reconhecer que a maternidade real é múltipla, complexa e, muitas vezes, invisibilizada. Dar voz a essas experiências é um passo essencial para promover acolhimento e empatia. Porque, para muitas mulheres, mais do que homenagens, o que se deseja nessa data é estabilidade, respeito e paz. Como resume Dra. Caroline: “Benditos sejam aqueles que, mesmo vivendo situações difíceis, escolhem permanecer gentis”.
*Dra. Caroline Serbaro
Caroline Oehlerick Serbaro é advogada especialista em Direito de Família e Sucessões, com atuação focada na resolução estratégica e humanizada de conflitos familiares.
Com abordagem interdisciplinar, integra o Direito à Psicanálise e à Solução de Conflitos, aliando técnica jurídica e inteligência emocional na condução de casos sensíveis, como divórcios, mediação e reorganização familiar.
É criadora do conceito “Advocacia Beleza da Alma”, que propõe uma atuação jurídica mais consciente, baseada em escuta qualificada, responsabilidade emocional e decisões alinhadas à realidade de cada cliente.
Seu trabalho é direcionado especialmente a mulheres em processos de ruptura e transição, oferecendo suporte jurídico estruturado para promover autonomia, clareza e segurança em momentos decisivos.
Parte do princípio de que conflitos familiares não são apenas questões jurídicas, mas também emocionais e, por isso, devem ser conduzidos com estratégia, consciência e visão sistêmica.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O Dia das Mães precisa ir além da estética da perfeição e abraçar a verdade das experiências reais, reconhecendo as dores invisíveis e valorizando a força de quem materna mesmo em meio ao caos.
Entre conflitos, recomeços e silêncio emocional, muitas mães vivem a data longe do ideal
Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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