Underground Jazz: talento brasileiro nos EUA

Felipe Brito cria série Underground Jazz nos EUA, reunindo grandes músicos e promovendo intercâmbio cultural entre Brasil e Estados Unidos.
Cartaz criado por IA para série Underground Jazz com temática musical contemporânea

Série de concertos cruza fronteiras e revitaliza o jazz contemporâneo


O jazz não morreu — reinventou-se, e com sotaque brasileiro


O trombonista brasileiro Felipe Brito está a fazer mais do que tocar jazz nos Estados Unidos — está a criar um verdadeiro movimento cultural. Cofundador e diretor musical da série “Underground Jazz”, Brito transformou uma ideia numa referência mensal de concertos na Scout Hall, em Cape Girardeau, Missouri.

Desde fevereiro de 2024, o projeto tem reunido músicos de topo vindos de várias cidades norte-americanas e também do Brasil. A estreia contou com Andre Hayward, ligado à Jazz at Lincoln Center Orchestra e à Duke Ellington Orchestra — um cartão de visita nada modesto. E a fasquia manteve-se alta: nomes como Chip McNeill, Joshua Pantoja, Jay Webb e Cory Wong passaram pelo palco, confirmando que ali não se improvisa apenas música — improvisa-se excelência.

Mas o “Underground Jazz” não vive fechado num género. Pelo contrário, mistura jazz com funk, soul, R&B e ritmos brasileiros como samba, bossa nova e maracatu. É uma fusão consciente: tradição com liberdade criativa. Ou, dito sem rodeios, música para quem gosta de sentir e não apenas ouvir.

O sucesso não é teoria — é prático. Todos os concertos esgotam, com mais de 150 lugares preenchidos, e público vindo de vários estados, alguns após viagens de até três horas. Numa era de distrações digitais, isto diz muito. Ou melhor, diz tudo.

A série conta com o apoio de entidades como a Southeast Missouri State University, onde Brito é professor e diretor de Jazz e Música Comercial. Esta ligação entre academia e palco não é coincidência: é estratégia. O objetivo é claro — formar público, educar músicos e aproximar comunidades.

O guitarrista Mark Tonelli, destaque de uma das edições, representa bem o espírito do projeto: carreira internacional, experiência pedagógica e uma ligação forte ao Brasil. Já o trompetista Jay Webb resume o impacto da iniciativa: mais do que concertos, trata-se de um polo cultural que faz o jazz respirar fora dos grandes centros.

E essa talvez seja a grande jogada de Felipe Brito: provar que a boa música não precisa de morada fixa em Nova Iorque ou Chicago. Precisa, isso sim, de paixão, visão e — detalhe importante — gente disposta a ouvir.

Do interior de São Paulo para os palcos e universidades norte-americanas, o percurso de Brito é tão consistente quanto inspirador. Formado em ambientes comunitários, com passagem pela UNICAMP e estudos nos EUA, construiu uma carreira que junta performance, ensino e impacto social. Desde 2021, lidera projetos na universidade, dirige big bands, cria iniciativas e até bolsas de estudo — porque talento sem oportunidade é só potencial desperdiçado.

E há um detalhe que faz diferença: todos os anos, regressa ao Brasil para recrutar jovens músicos. Resultado? Novos talentos brasileiros a estudar nos EUA com bolsas integrais. Não é só intercâmbio — é ponte cultural em ação.

A sua carreira também passa pelos grandes palcos, incluindo participações em produções como “Buena Vista Social Club” e atuações com orquestras de prestígio como a New Jersey Symphony. Já pisou palcos como o Lincoln Center e o Severance Hall — mas continua a apostar no contacto direto com o público, onde a música realmente acontece.

No fundo, o “Underground Jazz” prova uma coisa simples: quando a música é boa, não precisa de gritar para ser ouvida. Basta tocar — e tocar bem.

Nota do Editor - Portal Splish Splash 
Projetos como o “Underground Jazz” mostram que a música continua a ser uma das formas mais poderosas de ligação entre culturas, unindo pessoas, estilos e geografias através de uma linguagem universal.
Enviar um comentário

Comentários