Maus hábitos podem afetar o equilíbrio e causar crises frequentes
Tontura não é sempre “labirintite” — e isso muda tudo
Quando se fala em tontura, muita gente aponta de imediato para a famosa “labirintite”, quase como um diagnóstico automático. A ideia ficou popular — mas está longe de explicar todos os casos. A verdade é mais abrangente e, em muitos casos, mais incómoda: o problema pode estar nos hábitos do dia a dia.
Segundo a médica otorrinolaringologista Dra. Milena Quadros, especialista em Otoneurologia e Eletrofisiologia do Hospital Paulista, o labirinto — estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio — é extremamente sensível ao funcionamento global do organismo. Ou seja, não trabalha isolado. Se o corpo falha, ele também sente.
“É muito comum associar a tontura exclusivamente a doenças do ouvido interno. No entanto, o labirinto responde diretamente ao estado geral do corpo”, explica a especialista. Na prática, isso significa que hábitos aparentemente banais podem ter impacto direto na forma como nos mantemos de pé — literalmente.
Má alimentação, sedentarismo e tabagismo formam um trio clássico de risco. Estes fatores comprometem a circulação sanguínea, alteram o metabolismo e prejudicam a oxigenação do labirinto. Resultado? Aumento da probabilidade de crises de tontura, sobretudo em pessoas com predisposição para distúrbios vestibulares.
A ligação entre tontura e doenças metabólicas também não deve ser ignorada. Problemas como diabetes, hipertensão ou colesterol elevado interferem no equilíbrio químico e vascular necessário ao bom funcionamento do ouvido interno. E quando esse sistema falha, os sinais aparecem: tontura, zumbido, sensação de ouvido tapado e até instabilidade ao caminhar.
Há ainda pistas subtis que muitos ignoram. Episódios de tontura após longos períodos em jejum ou após ingestão excessiva de açúcar podem indicar desregulação metabólica. Se vierem acompanhados de cansaço, dor de cabeça, visão turva ou oscilações na pressão arterial, o alerta é claro: o problema pode estar muito além de uma simples infeção.
A boa notícia é que, em muitos casos, há margem para prevenção — e ela começa com decisões básicas. Alimentação equilibrada, hidratação adequada, exercício físico regular, sono de qualidade e controlo de doenças crónicas são pilares fundamentais. A isto soma-se a cessação do tabagismo e a gestão do stress, dois fatores frequentemente subestimados, mas com impacto real.
Estas medidas ajudam a estabilizar tanto o labirinto como o sistema nervoso central, reduzindo a frequência e a intensidade das crises. Não é magia — é consistência.
Quando a tontura já se instalou, o tratamento exige mais do que comprimidos. A abordagem tende a ser multidisciplinar, combinando diferentes estratégias para resultados mais eficazes. Entre elas, destaca-se a fisioterapia vestibular, que atua diretamente na reabilitação do equilíbrio, bem como o acompanhamento nutricional e, em alguns casos, o apoio psicológico.
Sim, o fator emocional conta — e muito. Ansiedade e stress podem agravar ou até desencadear sintomas. Por isso, compreender os próprios gatilhos torna-se essencial. O doente deixa de ser apenas paciente e passa a ser parte ativa da solução.
No fundo, aquilo que parece um problema “da cabeça” pode, afinal, ser um reflexo direto das escolhas diárias. E aqui não há mistério: cuidar do corpo é, muitas vezes, o primeiro passo para manter o equilíbrio — em todos os sentidos.
Sobre o Hospital Paulista
Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia possui cinco décadas de tradição no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta. Ao longo do tempo, expandiu a sua atuação para áreas como Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, Cirurgia Cérvico-Facial, Buco Maxilo Facial e Foniatria. Reconhecido pela sua elevada capacidade de resposta, conta com um completo Centro de Medicina Diagnóstica e uma equipa altamente qualificada, disponível 24 horas por dia.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num tempo em que se procura soluções rápidas para tudo, este tema lembra-nos de algo básico: o corpo cobra — mais cedo ou mais tarde — aquilo que negligenciamos diariamente. E, às vezes, começa por uma simples tontura.
Maus hábitos podem afetar o equilíbrio e causar crises frequentes
Uma romântica que acredita no amor eterno. Redatora do Portal Splish Splash. VER PERFIL
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