Concertos gratuitos reforçam tradição cultural no Rio e ligação internacional
Do Rio para o mundo — e do mundo de volta ao Rio. Quase três décadas a provar que cultura não é luxo, é necessidade.
O Dia da Música no Museu, celebrado a 27 de março, integra oficialmente o calendário cultural do Rio de Janeiro e afirma-se como um dos momentos mais simbólicos de um projeto que há décadas democratiza o acesso à música clássica. A data, que coincide com o aniversário do seu criador, Sergio da Costa e Silva, ganha cada vez mais relevância ao reforçar o impacto cultural de uma iniciativa que já se tornou património vivo da cidade.
A comemoração deste ano será assinalada com concertos gratuitos em espaços emblemáticos. No dia 27 de março, às 12h30, o Museu da Justiça, no centro da cidade, recebe o conjunto “Teclas Sonoras”, sob direção de Nelma Pataro, apresentando um repertório de clássicos internacionais. No dia seguinte, 28 de março, às 18h, a pianista Miriam Grosman sobe ao palco do Palácio São Clemente, em Botafogo, também com entrada gratuita, embora sujeita à distribuição prévia de senhas.
Mais do que dois concertos, estas apresentações simbolizam a continuidade de um projeto que, ao longo de 29 anos ininterruptos, se consolidou como uma das maiores séries de música clássica do Brasil. O “Música no Museu” é hoje reconhecido como Património Cultural Imaterial do Estado e da Cidade do Rio de Janeiro, um estatuto que reflete não apenas a sua longevidade, mas também a sua relevância social e artística.
Criado em 1997, o projeto começou no Museu Nacional de Belas Artes e rapidamente expandiu-se para outros espaços culturais, como o Museu da República, igrejas, centros culturais e até palácios. Com o passar dos anos, ultrapassou fronteiras, levando a música clássica brasileira a palcos internacionais na Europa, Ásia, África, Américas e Oceânia — incluindo salas de prestígio como o Carnegie Hall.
A dimensão do projeto impressiona: mais de 500 concertos anuais em território nacional, cerca de 2.500 músicos envolvidos por ano e uma audiência que já ultrapassa 1,25 milhão de pessoas. A sua projeção mediática também é significativa, com destaque em publicações internacionais como o The New York Times e a revista Le Monde de la Musique.
O reconhecimento acumulado ao longo dos anos inclui mais de 30 prémios nacionais e internacionais, como a Ordem do Mérito Cultural, o Golfinho de Ouro e distinções atribuídas por entidades como a UNESCO. A iniciativa também inspirou estudos académicos, como a monografia da Humboldt-Universität zu Berlin, dedicada ao papel da música clássica na vida pública do Rio de Janeiro.
A vertente internacional do projeto voltou a ganhar destaque este ano com concertos em Portugal, nomeadamente em Lisboa, no Grémio Literário, e em Sintra, no histórico Lawrence's Hotel — o mais antigo da Península Ibérica, associado a Eça de Queiroz. Nestes eventos, a pianista Fernanda Canaud apresentou repertório de clássicos brasileiros, reforçando os laços culturais lusófonos.
Para além dos concertos, o “Música no Museu” desenvolve iniciativas paralelas como o RioHarpFestival — um festival internacional de harpas que colocou o Brasil no circuito mundial do instrumento — e o Concurso Jovens Músicos, que oferece oportunidades concretas a novos talentos, incluindo bolsas internacionais.
Mesmo em tempos adversos, como durante a pandemia, o projeto reinventou-se, migrando para o formato digital com transmissões online e a criação de uma rádio própria na web. Essa capacidade de adaptação revela a essência do projeto: levar a música a todos, independentemente das circunstâncias.
Hoje, ao celebrar 29 anos de atividade ininterrupta, o “Música no Museu” não é apenas uma série de concertos — é um verdadeiro movimento cultural, um testemunho de persistência e uma prova de que a arte, quando partilhada, ganha uma dimensão coletiva que ultrapassa gerações e geografias.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num mundo onde o acesso à cultura ainda enfrenta barreiras, iniciativas como o “Música no Museu” lembram-nos que democratizar a arte não é um luxo — é um dever civilizacional..
Concertos gratuitos reforçam tradição cultural no Rio e ligação internacional
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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