Projeto revela maturidade artística e fusão de influências num espetáculo cru e intenso
O palco não mente. A voz entrega o que o estúdio esconde.
O dia 27 de março marca um passo decisivo na trajetória de Linda Ramalho, um dos nomes mais interessantes da nova geração da música brasileira. A artista lança o seu primeiro registo ao vivo, disponível simultaneamente como álbum digital e audiovisual, numa proposta que aposta na verdade do palco, sem filtros nem redes de segurança.
Desde que iniciou a carreira a solo, em 2018, Linda construiu uma relação visceral com o público. Ao vivo, permite-se arriscar, improvisar e, acima de tudo, sentir. Esse espírito é o fio condutor de “Linda Ramalho Ao Vivo”, gravado no final de 2025, no Estúdio Eco Som, no Rio de Janeiro, diante de uma plateia intimista composta por amigos e fãs.
Sem margem para erros — e sem vontade de repetir takes —, o projeto foi captado de forma direta, com a tensão e a adrenalina próprias de quem sabe que o momento é único. O resultado? Um registo cru, honesto e surpreendentemente sólido. Linda mostra-se mais madura, mas sem perder a atitude rock que a define.
O repertório funciona como um retrato fiel da artista neste momento da sua carreira. Canções autorais como “Confia”, “Same Bad”, “Adrenalina”, “Quem é Quem?” e “Buracos” convivem com releituras de temas que ajudaram a moldar o seu universo musical. Entre estes, destacam-se versões de Pitty — uma das suas maiores influências — como “Equalize”, “Anacrônico” e “Memórias”, esta última com direito a um medley que presta homenagem aos Mutantes.
Mas é impossível falar de Linda Ramalho sem mencionar a forte ligação ao legado de Zé Ramalho. Depois do álbum lançado em 2023, dedicado ao repertório do pai, a artista retoma aqui algumas dessas canções, incluindo “Terceira Lâmina”, “Vila do Sossego”, “Chão de Giz” e “Eternas Ondas”. Não se trata de simples revisitações: há uma leitura pessoal, emocional e contemporânea que transforma cada tema.
Um dos momentos mais intimistas do espetáculo surge com “Coisas que eu sei”, de Dudu Falcão, interpretada apenas com voz e violão — um contraste eficaz com a energia elétrica que domina o restante alinhamento.
A sonoridade do projeto percorre diferentes nuances do rock: ora mais acessível e melódico, ora com rasgos de intensidade que flertam com o hardcore. Sempre com personalidade. Sempre com verdade.
Em palco, Linda Ramalho (voz) é acompanhada por João Fessih (baixo), Caco Braga (bateria) e Diogo Lopes (guitarra), formando um quarteto coeso que sustenta o peso e a dinâmica do espetáculo.
O lançamento chega através da parceria entre os selos Avohai Music e Discobertas, consolidando uma proposta artística que equilibra herança e afirmação própria — sem cair na sombra de ninguém.
“Linda Ramalho Ao Vivo” não é apenas um registo. É uma declaração.
Ficha Técnica:
Linda Ramalho – Voz
João Fessih – Baixo
Caco Braga - Bateria
Diogo Lopes – Guitarra
Direção De Produção: Roberta Ramalho
Produção Executiva: Beto Feitosa
Preparação Vocal: Nara Sebah
Makeup Artist & Hair Stylist: Melissa Menezes
Roadie: Uemerson Ferreira
Making Of: Isabela Espíndola
Arte De Capa: Bady Cartier
Fotos De Divulgação: Leo Aversa
Foto De Capa: Mike Bleak
Direção E Edição: Lui Mello
Câmeras: Dani Calazans, Pâmela Gomes
Gravação De Áudio, Monitor, P.a. E Luz: Paulo Carvalho – Eco Som
Mixagem E Masterização: Lui Mello
Redes Sociais Linda Ramalho: Webduzido
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Linda Ramalho prova que carregar um apelido forte pode ser ponto de partida — mas nunca muleta. Neste registo ao vivo, afirma-se com identidade, atitude e coragem. E isso, no panorama atual, vale ouro.
Projeto revela maturidade artística e fusão de influências num espetáculo cru e intenso
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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