Entre desigualdade, diagnóstico e preconceito, o país enfrenta um desafio que ainda pede mais informação e ação
A doença tem cura, mas ainda enfrenta silêncio e estigma
São Paulo – 27/03/2026 - Doença infecciosa que afeta pele e nervos e pode causar sequelas se não tratada precocemente, a hanseníase ainda é cercada por estigmas que podem atrasar a procura por tratamento e, consequentemente, favorecer a transmissão. Por isso, a conscientização sobre a condição é fundamental, especialmente no Brasil, que ocupa o segundo lugar no mundo em número de novos diagnósticos, atrás apenas da Índia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.“O alto número de casos no Brasil se deve, principalmente, a fatores sociais, afetando as regiões e populações mais vulneráveis do país. Isso porque a doença se espalha com mais facilidade em locais onde muitas pessoas vivem juntas, com pouca ventilação e acesso limitado a saneamento e serviços de saúde. Além disso, a hanseníase tem evolução lenta e pode levar anos para apresentar sintomas claros, o que faz com que muitas pessoas convivam com a doença sem saber. A falta de informação e o medo do preconceito também atrasam a procura por atendimento médico, permitindo que a transmissão continue por mais tempo”, alerta a dermatologista Dra. Glauce Eiko*, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Mas o alto número de casos registrados no Brasil não significa que a doença esteja fora de controle por aqui. “O Brasil tem um sistema de saúde que busca ativamente os casos, orienta a população e incentiva o diagnóstico precoce. A hanseníase também é uma doença de notificação obrigatória, o que significa que todo caso identificado é registrado e acompanhado pelos serviços de saúde. Em um país grande como o Brasil, esse trabalho permite que mais pessoas sejam diagnosticadas e tratadas a tempo, reforçando a importância do acesso à informação e ao atendimento médico para interromper a transmissão e evitar complicações”, destaca a dermatologista. Por exemplo, entre 2015 e 2025, a cidade de São Paulo reduziu em 32% os casos de hanseníase, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o que se deve justamente a ações contínuas de vigilância, diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Ou seja, a informação correta é uma das principais aliadas no combate à hanseníase. Segundo a Dra. Glauce Eiko, a doença é uma infecção crônica causada por uma bactéria que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. “Ela tem evolução lenta, podendo levar anos para apresentar sinais evidentes. Alguns dos sintomas mais comuns incluem manchas na pele, diminuição sensibilidade e/ou da força muscular da face, mãos e pés, devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos. E como muitas vezes o paciente não sente dor, ele demora para buscar atendimento médico, o que favorece a progressão da doença”, diz a médica. Ela alerta que, quando não diagnosticada precocemente, a hanseníase pode provocar lesões nos nervos, comprometer a força muscular e causar deformidades e limitações funcionais, impactando diretamente a qualidade de vida.
A transmissão da hanseníase ocorre por meio do contato próximo e prolongado com pessoas que ainda não iniciaram o tratamento, principalmente pelas vias respiratórias. “Mas não se trata de uma doença de fácil contágio, então o risco está principalmente no contato próximo e prolongado com pessoas que ainda não foram diagnosticadas. Por isso, além da vacina BCG, que oferece proteção contra as formas mais graves da doença, a atenção aos sinais da doença figura entre as principais estratégias de prevenção, sendo fundamental buscar atendimento médico ao menor sinal de alteração na pele ou na sensibilidade”, diz a especialista. “Após o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a bactéria, o que reforça a importância do diagnóstico precoce”, acrescenta.
De acordo com a médica, o tratamento da hanseníase envolve, principalmente, o uso de medicamentos antibióticos combinados e, quando devidamente realizado, é capaz de levar à cura. “Esse é um ponto importante de reforçar: a hanseníase tem cura! A doença hoje ainda é marcada por estigmas que fazem muitas pessoas esconderem os sintomas ou demorarem a procurar atendimento médico. Quanto mais cedo o diagnóstico e o início do tratamento, menores são as chances de transmissão e de complicações. Por isso, falar sobre a hanseníase, conscientizar a população e combater o preconceito são passos fundamentais para o controle da doença”, finaliza a Dra. Glauce Eiko.
*DRA. GLAUCE EIKO: Dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Graduada em Medicina pela Universidade de Gurupi, possui pós-graduação em Cirurgia Dermatológica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatologia e Oncologia Dermatológica pelo Hospital Sírio Libanês, além de especializações em Saúde Pública, Vigilância Sanitária e Epidemiológica. Também é graduada em Farmácia. CRM-SP: 137527 | RQE: 73365. Iinstagram
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num mundo onde a informação circula à velocidade de um clique, continua a ser paradoxal que doenças com cura, como a hanseníase, ainda enfrentem o peso do silêncio e do preconceito. Este é um daqueles casos em que saber mais não é apenas útil — é decisivo.
Entre desigualdade, diagnóstico e preconceito, o país enfrenta um desafio que ainda pede mais informação e ação
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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