Verão: como usar repelente contra a dengue

Calor e chuvas favorecem o mosquito e exigem uso correto do repelente
 Cartaz sobre uso correto de repelente contra dengue no verão

Calor e chuvas favorecem o mosquito e exigem uso correto do repelente


Não basta ter repelente. É preciso saber usá-lo.


São Paulo – fevereiro 2026 - Estamos vivendo um período de chuvas intensas que, somadas às altas temperaturas do verão, criam um cenário de alerta para o aumento dos casos de dengue e outras doenças transmitidas por mosquitos. “Enquanto as chuvas aumentam os locais com água parada, ideais para a proliferação do inseto, o calor acelera o ciclo de vida do Aedes aegypti, principal transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela”, alerta a dermatologista Dra. Glauce Eiko*, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Por isso, nessa época do ano, além de adotar estratégias para impedir a proliferação do mosquito, é importante fazer uso de repelente. “A ação protetora dos repelentes se dá por um efeito de nuvem, ou seja, após aplicação na pele, o produto evapora e forma uma espécie de nuvem de aproximadamente 4cm em volta da pele, o que repele o mosquito”, explica a médica.

Mas de nada adianta o repelente se ele não for utilizado corretamente, sendo importante redobrar a atenção na hora de aplicar o produto. “Como funciona por um efeito de nuvem, o repelente nunca deve ser aplicado por baixo das roupas. O produto deve ser aplicado somente por cima de tecidos (roupas) ou na pele exposta, como rosto, pescoço, braços, mãos e pernas”, explica a dermatologista, que alerta que nenhum produto do tipo deve ser utilizado perto dos olhos, nariz e boca, pois pode irritar as mucosas. “Por isso, o ideal, para o rosto, é utilizar o produto em creme, que facilita a aplicação, evitando essas áreas mais sensíveis. Já para o corpo, a versão em spray é muito prática. E se for utilizar o spray para o rosto, aplique nas mãos primeiro”, aconselha a especialista.

Segundo a Dra. Glauce, outro ponto importante é o momento em que o produto deve ser aplicado. “O repelente deve ser sempre o último produto aplicado na pele. Então, é fundamental passar primeiro o protetor solar ou a maquiagem e, somente depois, o repelente. Se o repelente for aplicado antes, sua ação será menos eficaz”, detalha a médica. Nesse sentido, é importante tomar cuidado também na hora de reaplicar produtos como o protetor solar ou a maquiagem. “Enquanto o protetor solar deve ser reaplicado a cada duas horas, em média, o repelente tende a ter um tempo de duração um pouco maior, indicado no rótulo. De qualquer maneira, a reaplicação do protetor acaba prejudicando a ação do repelente, tornando necessário reaplicar ambos: primeiro o protetor e depois o repelente”, acrescenta.

Quanto ao tempo de reaplicação do repelente, a Dra. Glauce explica que ele varia de acordo com a composição. “Produtos com Icaridina, que são os mais indicados no geral, duram cerca de 10h na pele e 72h nos tecidos, enquanto aqueles com DEET na concentração de 15%, que é a indicada para adultos, mantêm o efeito por cerca de 6 horas. Já os repelentes com IR3535 são os que têm menor duração, devendo ser reaplicados a cada duas horas”, pontua a médica, que acrescenta que, após contato com água ou suor, o repelente deve ser reaplicado independentemente da composição. “Mas é importante ressaltar que o repelente tópico não deve ser usado na hora de dormir. Nesses casos, prefira o repelente elétrico”, afirma.

Atentar-se ao rótulo e à composição do produto é fundamental também para garantir que o produto oferecerá uma proteção eficaz. “Substâncias como o DEET, a Icaridina e o IR3535 têm efeito protetor comprovado cientificamente e são amplamente indicados pelos órgãos de saúde. Já repelentes naturais feitos com plantas, como citronela ou melaleuca, não têm garantia de que realmente funcionam contra o mosquito da dengue. A eficácia desses produtos não é testada”, alerta a Dra. Glauce Eiko, que, por fim, lembra que o repelente é apenas uma das estratégias no combate à dengue. “A prevenção eficaz depende da combinação de medidas individuais e cuidados com o ambiente. Por isso, no verão, use telas e mosquiteiros, procure usar roupas que cubram mais a pele e elimine os locais de água parada, principal foco de proliferação do mosquito”, finaliza.

*DRA. GLAUCE EIKO: Dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Graduada em Medicina pela Universidade de Gurupi, possui pós-graduação em Cirurgia Dermatológica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatologia e Oncologia Dermatológica pelo Hospital Sírio Libanês, além de especializações em Saúde Pública, Vigilância Sanitária e Epidemiológica. Também é graduada em Farmácia. CRM-SP: 137527 | RQE: 73365. Instagram

Nota do Editor - Portal Splish Splash
Com o aumento das chuvas e das temperaturas no verão, cresce também o risco de proliferação do Aedes aegypti e de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A dermatologista Dra. Glauce Eiko alerta que o uso do repelente só é eficaz quando aplicado corretamente, respeitando áreas do corpo, ordem com outros produtos como protetor solar e tempo de reaplicação conforme a composição. Substâncias como Icaridina, DEET e IR3535 têm eficácia comprovada, enquanto soluções naturais não garantem proteção real. A prevenção deve combinar cuidados individuais com eliminação de água parada, uso de telas, mosquiteiros e roupas que cubram a pele.

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