Afoxé do Nego Véio abre caminho para Arrasto

Single Afoxé do Nego Véio abre Arrasto, álbum de estreia de Gustavo Ortiz com homenagem a Naná Vasconcelos e fusão de ritmos afro-brasileiros e contem
Capa do single Afoxé do Nego Véio de Gustavo Ortiz do álbum Arrasto

Single de Gustavo Ortiz homenageia Naná e antecipa o conceito do disco de estreia


Entre o cansaço e a dança, o corpo resiste.Celebrar também é uma forma de sobreviver.

Gustavo Ortiz apresenta “Afoxé do Nego Véio”, single que inaugura o álbum “Arrasto” e marca a sua estreia fonográfica em formato de disco. A faixa surge como porta de entrada para o universo estético e conceptual do projeto, estruturado a partir da relação entre corpo, trabalho e celebração — entendida aqui como prática quotidiana e força de resistência.

Composição do percussionista Naná Vasconcelos, “Afoxé do Nego Véio” é a única música do álbum que não leva a assinatura autoral de Ortiz. A canção já fazia parte do seu repertório quando uma performance publicada nas redes sociais foi partilhada pela página oficial do músico pernambucano, o que levou ao contacto com Patrícia Vasconcelos, viúva do artista, que autorizou a gravação. Incorporada ao disco sob direção artística de Rômulo Fróes, a faixa foi escolhida como primeiro single pela sua ligação direta ao conceito de “Arrasto” e como forma de homenagem ao legado de Naná Vasconcelos.

Afoxé do Nego Véio - Gustavo Ortiz


A letra acompanha o quotidiano de um pescador que, após um dia de trabalho, decide dançar com a sua companheira para atravessar o cansaço e reencontrar equilíbrio. A imagem do trabalhador que transforma o próprio corpo em lugar de invenção — deixando os problemas na maré para que o mar os arraste para longe — sintetiza um dos eixos centrais do álbum: a celebração como gesto de sobrevivência e a centralidade do corpo como território político e sensível.

A musicalidade constrói-se a partir de referências ao universo carnavalesco e a ritmos de matriz africana, sem se fixar em formas tradicionais. O arranjo sugere um maracatu em suspensão e articula sopros, guitarra, cavaquinho, baixo, bateria e violão em camadas que conduzem a canção para a dança, mantendo o movimento como elemento estruturante. O saxofone estabelece o tom vibrante da faixa; a guitarra acrescenta densidade e deslocamento; a bateria aponta para o maracatu sem o cristalizar; e o violão de Ortiz assume função percussiva, reforçando o corpo como motor rítmico da canção.

O projeto foi realizado com apoio do Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura e Governo Federal. A gravação de “Afoxé do Nego Véio” conta ainda com a participação de Thiago França no saxofone, Rodrigo Campos na guitarra e cavaquinho, Biel Basile na bateria, Marcelo Cabral no baixo, além do próprio Gustavo Ortiz no violão.

Nota do Editor - Portal Splish Splash
Ao recuperar uma composição de Naná Vasconcelos e reposicioná-la no presente, Gustavo Ortiz propõe mais do que um tributo: apresenta um gesto artístico que transforma o quotidiano em linguagem e a celebração em resistência. 
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