Monica Casagrande revisita “Baby” com doçura atual

Monica Casagrande lança Baby, releitura delicada do clássico de Gal Costa, unindo tropicália, jazz e pop no projeto Corpo Coral.
Cartaz alusivo ao single Baby de Monica Casagrande, projeto Corpo Coral

Projeto Corpo Coral reinventa clássico de Gal Costa com pop, jazz e delicadeza cinematográfica

Há clássicos que não envelhecem, apenas mudam de roupa

Monica Casagrande encontra leveza e ternura em “Baby”, novo single e videoclipe do projeto Corpo Coral, num regresso assumido à inocência, à doçura e à ideia de amor em estado puro. A canção imortalizada por Gal Costa, com assinatura de Caetano Veloso, surge aqui despida de excessos, mas carregada de intenção, numa leitura delicada e cinematográfica que cruza a herança da tropicália com apontamentos de jazz e pop contemporâneo.

A escolha não é casual. Para Monica, “Baby” representa um manifesto silencioso sobre a liberdade afetiva. “Gal sempre me lembrou que ser livre não precisa ser duro”, afirma a artista. “Ela era moderna, curiosa, corajosa, mas também suave. Havia ternura naquela ousadia”. É esse espírito que atravessa a nova versão, menos ancorada na nostalgia e mais interessada em fazer da delicadeza um gesto atual.

Monica Casagrande - Baby | versão cover de Gal Costa-Caetano Veloso


Produzida por Alexandre Elias, a faixa aposta em beats lúdicos, samples que remetem ao universo infantil e camadas sonoras etéreas, com inspiração confessa em Vespertine, de Björk. A guitarra surge com timbre sujo e quase cru, evocando o ADN tropicalista, enquanto o arranjo preserva o sotaque jazzístico que acompanha a trajetória de Monica desde os primeiros trabalhos. O resultado é uma paisagem íntima e sonhadora, onde a voz se move com leveza, mas nunca perde presença.

O videoclipe, dirigido por Di Tateishi e Nora Jasmin, amplia esse clima de encantamento. Entre flores suspensas e uma luz dourada que parece suspender o tempo, Monica encena o instante exato em que o amor nasce. Um detalhe pessoal marcou as filmagens: ao preparar-se diante do espelho, a artista foi atravessada por uma memória súbita. “Por um segundo, senti a presença da minha mãe ali comigo”, revela. Essa emoção silenciosa acabou por conduzir toda a interpretação, dando ao clipe uma camada extra de verdade.

“Baby” é o terceiro lançamento do projeto Corpo Coral, no qual Monica Casagrande se propõe a habitar a pele de outras mulheres, não para desaparecer nelas, mas para revelar novas camadas de si mesma. Com quatro álbuns editados e mais de meio milhão de visualizações acumuladas nos seus clipes, a cantora paulista consolida-se como uma das vozes mais elegantes e consistentes da cena contemporânea, provando que a suavidade, quando bem trabalhada, também pode ser revolucionária.

Nota do Editor – Portal Splish Splash
Há canções que atravessam gerações sem perder frescura, e “Baby” é uma delas. A leitura de Monica Casagrande não tenta competir com o mito, prefere dialogar com ele, usando a ternura como linguagem e a leveza como atitude artística. 
Enviar um comentário

Comentários