Água acumulada, infeções e pressão explicam desconforto comum no verão
Nem toda a dor de ouvido é passageira — algumas pedem atenção imediata
Mergulhar no mar, na piscina ou num rio é um dos prazeres clássicos do verão. O problema começa quando, depois do mergulho, surge aquela sensação incómoda de ouvido tapado, pressão ou mesmo dor. O que parecia um detalhe passa rapidamente a sinal de alerta — e convém não ignorá-lo.
Durante as férias e viagens de verão, a exposição frequente à água torna-se um dos principais fatores associados a dores de ouvido. Piscinas, praias, cachoeiras, rios e lagos podem parecer inofensivos, mas criam o cenário perfeito para inflamações e infeções no canal auditivo, sobretudo quando a água fica retida no interior do ouvido.
Segundo a otorrinolaringologista Dra. Bruna Assis, do Hospital Paulista, a dor após o mergulho tem várias origens possíveis. A mais comum é a acumulação de água no ouvido, que provoca sensação de pressão e desconforto. A isso soma-se o contacto com bactérias e fungos presentes em ambientes aquáticos, especialmente em piscinas e águas naturais, capazes de desencadear infeções se encontrarem condições favoráveis.
A humidade constante é outro inimigo silencioso. Ao irritar a pele do canal auditivo, torna o ouvido mais sensível e vulnerável. Em situações de mergulhos mais profundos, entram ainda em jogo as alterações de pressão: quando o ouvido médio não consegue equalizar rapidamente, a dor pode surgir de forma imediata e intensa.
Quando a dor deixa de ser apenas incómodo
Nem toda a dor é passageira. Em alguns casos, pode ser sinal de otite, uma infeção que exige atenção médica. Entre os sintomas mais frequentes estão a dor ao toque — sobretudo ao pressionar o trágus —, inchaço do canal auditivo, sensação persistente de ouvido tapado, diminuição da audição e presença de secreções.
A recomendação é clara: sempre que surgem sintomas auditivos após contacto com a água, a avaliação por um otorrinolaringologista é essencial. Um diagnóstico precoce evita complicações, encurta o tempo de tratamento e reduz o risco de recorrência. Ignorar os sinais, esse sim, costuma sair caro… e doloroso.
Prevenir é mais simples do que tratar
A boa notícia é que prevenir dores e infeções no ouvido durante o verão não exige medidas complicadas. O uso de tampões próprios para natação e mergulho reduz significativamente o risco, sobretudo em quem passa muito tempo dentro de água. Secar bem os ouvidos após cada mergulho é outro gesto simples que faz toda a diferença.
Há ainda um erro clássico que convém evitar: o uso de cotonetes ou objetos dentro do ouvido. Além de empurrar a cera para o interior, podem provocar pequenas escoriações no canal auditivo, criando verdadeiras portas de entrada para bactérias e outros micro-organismos presentes na água.
Pessoas com histórico de otites, praticantes regulares de desportos aquáticos e quem sofre de eczemas, comichão frequente ou descamação no ouvido devem ter cuidados redobrados. Nestes casos, a orientação médica antes de períodos prolongados de exposição à água não é exagero — é bom senso.
Sobre o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia
Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia soma cinco décadas de tradição no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta. Ao longo da sua trajetória, alargou a atuação a áreas como Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, Cirurgia Cérvico-Facial e Buco Maxilo-Facial. Referência no seu segmento, dispõe de um completo Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrinolaringologia e oferece suporte especializado 24 horas por dia, com elevada capacidade de resolução clínica.
Nota do Editor – Portal Splish Splash
No verão, a linha entre prazer e descuido é fina. Informação clara e prevenção continuam a ser os melhores aliados para aproveitar a água sem transformar férias em visitas ao consultório.
Água acumulada, infeções e pressão explicam desconforto comum no verão
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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