Amor e violência: debate na AML com Mônica Januzzi

A psicanalista Mônica Januzzi debate na AML as implicações do amor romântico e sua ligação com os feminicídios no Brasil.
Cartaz sobre Debate na Academia Mineira de Letras sobre amor romântico e feminicídio.

Sábados Feministas aborda o impacto do amor romântico nos feminicídios no Brasil 

O amor pode ser força que liberta ou prisão que mata 

O que acontece quando o amor, em vez de proteger, se torna pretexto para destruir? Essa é a questão que norteia a próxima edição do projeto Sábados Feministas, que acontece excecionalmente numa sexta-feira, 21 de novembro, às 19h, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 - Lourdes). Aberto ao público, o encontro traz a palestra “Romantismo e feminicídio à brasileira: quem ama mata?”, conduzida pela psicanalista e professora Dra. Mônica Januzzi, da PUC Minas, especialista em investigar as implicações do amor romântico na sociedade brasileira — a quinta no mundo em casos de feminicídio.

Segundo Januzzi, o amor frequentemente usado como justificativa por agressores é, na verdade, “um amor narcísico, produto da identificação masculina ao ideal do Eu patriarcal”. A psicanalista analisa o corpo feminino na cena do crime como expressão de uma cultura que normaliza a misoginia e sustenta-se em estruturas coloniais e patriarcais.

Nas suas pesquisas, Mônica ouviu mulheres sobreviventes de tentativas de feminicídio, que revelaram um ponto em comum: a crença no amor romântico como prisão simbólica, que paralisa e impede a ruptura com relações abusivas — mesmo perante o risco da morte. Para ela, este ciclo de aprisionamento mantém-se pela combinação de três fatores de risco: relações afetivas violentas, valores conservadores religiosos e indiferença do Estado.

O projeto Sábados Feministas é uma realização da Academia Mineira de Letras, em parceria com o movimento Quem Ama Não Mata, no âmbito do Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 248139), através da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O evento conta com o patrocínio do Instituto Unimed-BH, viabilizado pelo incentivo fiscal de mais de cinco mil e setecentos médicos cooperados e colaboradores, e com o apoio do Esquina Santê.

Sobre a convidada
Mônica Eulália da Silva Januzzi é psicanalista, Professora Adjunta no Departamento e no Programa de Pós-graduação em Psicologia da PUC Minas, Doutora e Mestre em Psicologia pela mesma instituição e Pós-Doutorada em Estudos Psicanalíticos pela UFMG/FAFICH. Coordena o Laboratório de Estudos e Pesquisa em Psicanálise e Crítica Social no Contemporâneo (LAPCRIS) da PUC Minas, integra o GT Psicanálise, Clínica e Política da ANPEPP e é membro do GT Psicanálise e Violências da Redippol. Atua também no Comité de Ética em Pesquisa (CEP) da PUC Minas, com foco em saúde mental, adolescências, feminino e violências de género, articulando psicanálise e decolonialidade.

Instituto Unimed-BH
O Instituto Unimed-BH, que celebra 22 anos em 2025, é uma associação sem fins lucrativos criada em 2003. Com o apoio de mais de 5,7 mil médicos cooperados e colaboradores, o Instituto promove projetos socioculturais e socioambientais que estimulam o bem-estar, a cidadania e a valorização dos espaços públicos, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. As suas ações abrangem as áreas de Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura.


SERVIÇO:
Sábados Feministas
Tema: Romantismo e feminicídio à brasileira: quem ama mata?
Com: Dra. Mônica Januzzi
Data: 21 de novembro (sexta-feira), às 19h – Portões abertos às 18h30
Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 - Lourdes, Belo Horizonte)
Entrada gratuita.

Nota do Editor – Portal Splish Splash:
Num tempo em que o amor continua a ser cantado, vendido e idealizado, é urgente discutir as suas sombras. O verdadeiro amor não mata, nem fere, nem aprisiona. O debate promovido pela AML e por Mônica Januzzi ajuda-nos a refletir sobre um tema que, infelizmente, ainda ecoa nas manchetes e nas vidas de tantas mulheres. 
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