O bege é uma cor atemporal

DO TEXTO: A palavra se origina do francês beige, ‘sem cor’, termo que historicamente se aplicava à cor natural da lã ou a qualquer tecido ainda não tingido nem.
Modelos desfilando com cores beje.



É a cor da crise e estratégia para a elegância em qualquer idade ou formato de corpo



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Na moda, como na física, para toda ação existe uma reação.

Era natural que depois de tantas temporadas exaltando as cores vivas, tons mais opacos tomassem conta das cartelas de tecidos e de corpos elegantes em forma de roupa.

As próximas temporadas glorificam os tons neutros, com o bege, ou areia, como estrela principal.

Bege é a cor da crise, já que pode ser repetida sem dar pistas.

É elegante, veste sem ostentação e deixa qualquer pessoa com cara de rica.

Mesmo adorando cores, o atelier de Chanel na Rue Cambom, em Paris era em tons de bege, ao que madame explicava:

“Meu refúgio é bege porque é natural. Não é uma cor”.

O italiano Valentino adotou o vermelho como logomarca da casa e nunca deixou de usar esta cor nas suas coleções, mas também adorava utilizar um tom de bege, o “Devonshire cream” como fundo para bordados. Refrescante e muito fácil de combinar é uma cor leve, com menos peso e luz que o branco. Este tom clássico sugere um senso de elegância, conferindo um toque eternamente chique, em qualquer estação. Pintou forte nas ruas do hemisfério norte no inverno e desfilou nas passarelas mais influentes das recentes temporadas de moda.

A palavra se origina do francês beige, ‘sem cor’, termo que historicamente se aplicava à cor natural da lã ou a qualquer tecido ainda não tingido nem alvejado.

Bem antes da descoberta das tinturas, fibras nobres como o cashmere, alpaca, lãs, sedas e algodão ditavam a cartela com suas cores naturais.

As cores neutras como o bege, não cansam.

Se harmonizam perfeitamente com o ambiente e com qualquer combinação de cor.

Tranquilas e quentes são tonalidades puras e modestas, sem tinturas, coloridas com os próprios pigmentos de tons criados pela natureza.

São as cores do algodão natural, do linho sem ser alvejado, do fio da lã texturizada, tons de pele e pelos e versões mudas das cores saturadas.

COMO USAR

Qualquer peça do guarda roupa fica bem em bege.

Básicos como saias, calças, paletós, jaquetas, impermeáveis e blusas beges aceitam qualquer combinação.
Pela neutralidade, é também indicada para quem está fora do peso.

Valoriza tons de pele morenas e avermelhados, mas desbota as peles claras e amarelas.

OUTROS NEUTROS MODERNOS

GREIGE

O nome da “nova cor”, Greige, é uma fusão de beige, ou bege, em inglês, com grey, que é cinza, na mesma língua.
Giorgio Armani sempre usou em suas coleções.

Por ser um tom pastel, o Greige só não coordena com tons muito vivos.

Combine com tons opacos como um azul marinho, roxo ou até vinho.

Sobreposição de tons próximos também funciona e o branco dá um toque clean e elegante.

Combina com dourados e acobreados nos acessórios.

É uma cor para ser vista aos poucos, mas que pode ser usada à exaustão sem ninguém perceber as repetições.

Assim como os nudes, há uma boa variação da cor, que pode puxar para o tom mais quente do bege ou para a frieza do cinza.

KHAQUI

Inspirado nos uniformes militares e nas roupas de safari, os tons de Khaqui, agradam porque lembram conforto, aventura, sujam menos e tem a sua dose de fetiche e sensualidade (cor de uniformes).

Combina fácil com outras cores, é elegante e emagrece.

Khaqui tem três tonalidades: puxando para bege, mais acinzentado e mais claro, cor barbante. Qualquer deles, são tonalidades confiáveis e extremamente versáteis.

Combinam com peças em jeans, preto, marinho, bordô, laranja, musgo, azul claro, branco e natural. Fica alinhado em look káqui total.

CAMELO

A cor camel é responsável pela elegância de celebridades como Grace Kelly. Ela adorava esta cor. Considerada o suprassumo do chique, está sempre na moda.

A cor camelo vem do pelo dos camelos que eram utilizados para fazer casacos no séc. Dezenove, conservando a cor natural, um bege amarelado. Devido a procura e a pouca oferta de matéria prima, a indústria têxtil criou uma lã de aspecto semelhante às tecidas com uma mistura de lã e cashmere, tingidas na mesma cor do camelo.

A cor e a lã mantiveram sua popularidade e sucesso durante todo o séc. XX, sendo associada a pessoas e elementos de status.

Use em peças básicas como calças, malhas lisas, mantôs, trajes e paletós.

Use nos acessórios. Bolsas, sapatos, sandálias e botas nesse tom dão categoria a qualquer cor que combinar. No inverno, um mantô, impermeável ou japona nesta cor é combinação para qualquer roupa.

COR DE PELE (NUDE)

Nada é mais neutro que o tom da nossa própria pele. Combinam com todas as cores e nunca vulgarizam no final da estação.

Africana, indiana, latina, asiática e escandinava são os nomes que substituíram as rosas, azuis e amarelos das cartelas de neutros. As cores étnicas formam esta seleção de nuanças de peles tanto podem combinar com a sua ou vesti-la de um novo tom.

Mais neutras que qualquer outra cor, evocam sensualidade e frescor.

Use com acessórios cor de pele, tons de marrom, dourado ou preto, escolhendo sandálias decotadas e bolsas pequenas e um total despojamento de bijuterias para assegurar o verdadeiro look nude.

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*Xico Gonçalves, é de Porto Alegre, formado em jornalismo e desde os anos 1970 circula em todos os cenários do segmento moda. Quando foi entrevistado por Jô Soares em 2014, foi apresentado como “especialista em moda”. Leia Mais sobre o autor...

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