Especialista em Reprodução Humana explica como a suplementação pode ajudar casais a gerar um bebê

Do Texto: Os óvulos precisam ser nutridos para amadurecer, ovular, fertilizar, implantar e, finalmente, conceber um bebê. Da mesma forma, uma boa nutrição dimin

Mulher grávida deitada no campo.

Dr. Rodrigo Rosa explica que para melhorar a fertilidade feminina e masculina alguns micronutrientes são fundamentais

São Paulo – janeiro 2022 - Afinal, o que pode ser feito para melhorar a qualidade de células reprodutivas e, assim, aumentar as chances de gravidez? “Sabemos que uma mulher nasce com todos os óvulos que algum dia possuirá e estes são seu bem mais precioso e valioso no quesito fertilidade. Os óvulos precisam ser nutridos para amadurecer, ovular, fertilizar, implantar e, finalmente, conceber um bebê. Da mesma forma, uma boa nutrição diminui o risco de disfunções nos espermatozoides”, explica o Dr. Rodrigo Rosa*, especialista em reprodução humana e diretor clínico da Clínica Mater Prime, em São Paulo. “Para melhorar a fertilidade feminina e masculina, alguns micronutrientes são fundamentais. Óvulos, espermatozoides e útero saudáveis potencializam as chances de gravidez, diminuem risco de aborto, parto prematuro, pré-eclâmpsia e restrição de crescimento intrauterino”, acrescenta o médico. “Mas é importante ficar claro: não existe uma cápsula milagrosa e nem um único alimento isolado que vai fazer uma paciente engravidar. O que existe é um equilíbrio para que não haja deficiência ou excesso. O contexto alimentar e um estilo de vida saudável são fundamentais”, enfatiza.

Suplementar tentantes e gestantes apenas com ácido fólico é algo ultrapassado. “Cerca de 40% das mulheres não metabolizam o ácido na forma ativa, chamada metilfolato, devido a mutações dos genes que codificam uma enzima chamada MTHFR (metilenotetrahidrofolato redutase). Essa via metabólica é complexa e na verdade outras vitaminas do complexo B são essenciais para o perfeito funcionamento. Portanto, não basta usar apenas o metilfolato sem as demais vitaminas”, diz o médico. Segundo ele, a suplementação ideal requer avaliar e repor não só as vitaminas, como outros micronutrientes (sais minerais, aminoácidos essenciais e ácidos graxos essenciais). “A suplementação adequada deve incluir outros micronutrientes e essa prescrição deve ser individualizada (cada perfil de paciente necessita de doses diferentes e compostos diferentes). Uma dica importante: para melhor absorção das vitaminas, o ideal é tomar aquelas que são hidrossolúveis (B1, B2, B3, B5, B6, B7, B9, B12 e C) em jejum, apenas com água, e as lipossolúveis (A, D, E e K) junto das refeições”, diz o médico. Abaixo, o médico fala sobre algumas dessas vitaminas:

*Coenzima Q10 – “Dentre os principais suplementos, com certeza a coenzima Q10 é a principal para melhorar a qualidade dos óvulos, principalmente nas mulheres acima de 35 anos, com endometriose e síndrome dos ovários policísticos. Presente em todas as células do nosso organismo, participando dos processos de produção de energia, a coenzima Q10 tem papel importante na fertilização in vitro, já que tem relação com embriões de melhor qualidade, principalmente em mulheres com idade mais avançada”, diz o Dr. Rodrigo Rosa. A dose recomendada é entre 100mg e 600mg.

*Ômega 3 – O ômega 3 é fundamental para mulheres e homens e deve ser usado inclusive na gestação. “O ácido graxo presente em peixes de águas profundas como o salmão é fonte de DHA e EPA, ajudando no equilíbrio hormonal feminino e na melhora da morfologia dos espermatozoides. Na gestação é importante, pois ajuda no desenvolvimento cognitivo do bebê”, explica o especialista. A dose indicada é de 500mg a 3g.

*Resveratrol – Para mulheres com endometriose, o resveratrol ajuda a diminuir o processo inflamatório, segundo o Dr. Rodrigo Rosa. “O poderoso antioxidante proveniente das sementes da uva é um modelador do sistema imunológico com alto poder anti-inflamatório”, explica.

*Zinco – O zinco é um dos principais micronutrientes para o metabolismo reprodutivo de homens e mulheres. “Ele está presente na proteína animal, em castanhas e nozes, é um cofator de milhares de reações enzimáticas e síntese de DNA, replicação e reparo celular. O zinco melhora a função dos espermatozoides e sua deficiência está associada a quadros de aborto, malformação congênitas e aberrações cromossômicas”, explica o médico.

*Selênio – O selênio, presente nas castanhas, carnes e ovos, é outro micronutriente fundamental no processo reprodutivo. “Esse mineral constituinte da enzima glutationa peroxidase (poderoso antioxidante) pode também ser suplementado para melhora da ação dos espermatozoides e também é recomendado para mulheres com SOP e endometriose”, diz.

O médico conta que outros micronutrientes vitais são a glutationa, PQQ, L-Carnitina, N-acetilcisteína, L-arginina e mioinositol. “Mulheres que fazem suplementação mais adequada têm maiores taxas de gravidez. O uso de antioxidantes nas doses adequadas também ajuda a diminuir a fragmentação do DNA espermático (o que se traduz em melhora da qualidade do sêmen)”, conta o Dr. Rodrigo. “Existem diversas marcas de polivitamínicos no mercado e cada uma apresenta composição e doses diferentes. Mas nenhuma apresenta todos os micronutrientes e nas doses ideais para tentantes e gestantes. A maioria tem subdoses e teria que complementar com outras vitaminas. O exemplo mais típico é o da Vitamina D nesses compostos, geralmente muito baixa”, diz o médico. “As fórmulas internacionais, vendidas nos EUA e Europa, são um pouco mais completas e em doses maiores. Para mulheres, existem específicos para cada condição. Para o homem, todas devem conter vitaminas do complexo B, vitamina C em dose elevada, vitamina E, selênio, zinco, alguns também contém licopeno, também essencial para ajudar na qualidade do sêmen. Como não temos essas vitaminas no Brasil e mesmo assim elas não são tão individualizadas, prefiro prescrever vitaminas manipuladas com ajuste para cada perfil de paciente e cada fase do processo (antes da coleta de óvulos é diferente das vitaminas na gestação). Mas a melhor forma de potencializar suas chances sempre será alimentação saudável”, argumenta o especialista. “Quando falamos em dieta da fertilidade, a alimentação anti-inflamatória é fundamental e da mesma forma que deve ser feito com suplementos, a dieta deve ser personalizada com o acompanhamento de um nutricionista”, finaliza.

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*DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa

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