Exercício regular melhora função dos vasos sanguíneos em pessoas com doença renal crônica

Do Texto: Tanto a musculação, os exercícios resistivos, quanto os exercícios aeróbicos auxiliam de forma global a saúde dos doentes renais.

Mulher correndo.


Exercícios de ciclismo também reduzem a reatividade da pressão arterial, reduzindo o risco cardiovascular futuro. Isso é importante porque a doença cardiovascular é a principal causa de morte na doença renal

São Paulo – 22/11/2022 - Pessoas diagnosticadas com doença renal crônica podem e devem fazer exercícios regulares. “O exercício tem um efeito positivo em uma série de riscos de doença renal crônica, como inflamação crônica, doenças cardiovasculares e diabetes ou hipertensão”, explica a médica nefrologista Dra. Caroline Reigada*, especialista em Medicina Intensiva, pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Mais recentemente, no começo do ano, um estudo mostrou que o treinamento de exercícios aeróbicos estruturados ao longo de 12 semanas melhora a função dos vasos sanguíneos em pessoas com doença renal crônica (DRC) nos estágios 3 e 4. O estudo foi realizado por fisiologistas da Emory University School of Medicine em Atlanta e publicado no Journal of Applied Physiology. “Os pesquisadores também descobriram que o exercício reduziu a reatividade da pressão arterial nessa população”, acrescenta a médica.

Este estudo foi realizado em 38 homens e 10 mulheres com DRC que foram divididos aleatoriamente entre um grupo estruturado e um supervisionado. O grupo aeróbico “spin” andava de bicicleta ergométrica e o grupo não aeróbico participou de exercícios de alongamento e equilíbrio três dias por semana. A duração do exercício começou em 20 minutos por sessão e progrediu de um a dois minutos antes de atingir o máximo de 45 minutos. “Pessoas com doença renal crônica muitas vezes experimentam um aumento exagerado da pressão arterial durante o exercício. Esse aumento está associado a um risco aumentado de doença cardiovascular. A equipe de pesquisa levantou a hipótese de que o treinamento aeróbico regular melhoraria a função vascular e reduziria a reatividade da pressão arterial durante o exercício em pacientes com doença renal moderada a grave, o que foi confirmado pelos resultados do estudo”, diz a médica.

As descobertas fornecem suporte para a noção de que o exercício é seguro e benéfico nessa população. “Além disso, o treinamento regular de exercícios aeróbicos pode se traduzir em uma redução no risco cardiovascular futuro na doença renal crônica, embora seja necessário mais trabalho para confirmar. Isso é importante porque a doença cardiovascular é a principal causa de morte na doença renal crônica”, diz a médica.

A Dra. Caroline Reigada explica que o maior efeito do exercício em pacientes com doença renal crônica é melhorar sua saúde cardiovascular e função vascular. “Um estudo da Clinical Journal of the American Society of Nephrology mostrou que pacientes com doença renal se beneficiam do exercício, apesar de condições médicas coexistentes comuns nessa população. Um regime semanal de 150 minutos de exercício de intensidade moderada foi incluído em seu programa de cuidados habituais. Os participantes experimentaram um aumento de 11% na capacidade aeróbica máxima após um ano. Alguns perderam peso também. A função cardíaca melhorou. Isso é especialmente significativo por causa dos altos incidentes de morte prematura por doença cardíaca em pessoas com doença renal. Todos esses benefícios foram alcançados com segurança”, diz a médica. “Tanto a musculação, os exercícios resistivos, quanto os exercícios aeróbicos auxiliam de forma global a saúde dos doentes renais. Isso poderia ser extrapolado para doentes sem doença renal”, diz a médica. “Pessoas em diálise, que se exercitam regularmente, relatam que dormem melhor, têm mais energia e mais força muscular e são mais capazes de realizar as tarefas da rotina diária. O exercício regular é importante para aqueles com doença renal recém-diagnosticada, aqueles que estão em diálise e aqueles que fizeram um transplante”, explica a Dra. Caroline. “Busque sempre a orientação médica e evite exageros”, finaliza a nefrologista.

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*DRA. CAROLINE REIGADA: Médica nefrologista formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro, com residência médica na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e residência em Nefrologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Especialista em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, a médica participa periodicamente de cursos e congressos, além de ter publicado uma série de trabalhos científicos premiados. Participou do curso “The Brigham Renal Board Review Course” em Harvard. Integra o corpo clínico de hospitais como São Luiz, Beneficência Portuguesa de São Paulo e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Instagram: @dracaroline.reigada.nefro

 

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